Uma noite Com o Sheik                                            Penny Jordan


Digitalizao: Nelma Maciel
Correo: Andra Madeira

Penny Jordan

Uma noite Com o Sheik
Ttulo original: One Night With the Sheikh

Copyright  2003 by Penny Jordan
Originalmente publicado em 2003 pela Silhouette Books, diviso da Harlequin
Enterprises Limited.
Esta edio  publicada atravs de contrato com a Harlequin Enterprises
Limited, Toronto, Canad.
Silhouette, Silhouette Desire so marcas registradas da Harlequin Enterprises
B.V.


EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Rua Paes Leme, 524 - 10? andar
CEP 05424-010 - So Paulo - Brasil
Copyright para a lngua portuguesa: 2003
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

SO MAIS UMA NOITE.


A irresistvel atrao entre o sheik Omar Al Agir e Mariella Sutton foi
instantnea e totalmente abrasadora. Quando uma tempestade obrigou
Mariella a passar a noite na residncia de Omar, no deserto, a paixo logo os
dominou!
Foi uma noite que Mariella jamais esqueceria...
Entretanto, tendo sempre sonhado em ter um filho, Mariella decidiu que teria
de dar um jeito de passar mais uma noite com o sheik. Apenas mais uma noite...




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      PRLOGO



        -- Voc no vai se esquecer da mame enquanto eu estiver fora trabalhando,
vai, minha garotinha preciosa?

       Mariella viu os olhos de Tanya, sua meia-irm mais nova, se marejarem de
lgrimas enquanto ela lhe entregava sua filhinha de quatro meses.

       -- Sei que no teria encontrado ningum melhor do que voc para cuidar dela,
Mari -- disse Tanya emocionada. -- Afinal, alm de irm, voc se tornou minha me
depois que nossos pais faleceram. Eu gostaria de no ter que sair para trabalhar, mas
esse contrato de seis semanas no navio paga to bem, que no tenho condies de
recusar. Eu sei que voc sustentaria a ns duas -- continuou ela antes que Mariella a
interrompesse -- mas preciso de independncia. E de qualquer forma, sustentar Fleur
deveria ser obrigao do pai dela e no sua! No sei o que vi naquele homem fraco e
mentiroso! Minha maravilhosa fantasia sexual com um sheik. Um sonho que acabou se
transformando... Em pesadelo.

      Mariella sabia o quo arrasada Tanya tinha ficado quando o namorado a
abandonara.

       -- Voc no precisa trabalhar fora, Tanya -- disse ela, gentilmente. -- Estou
ganhando bem o bastante para nos sustentar, e esta casa  grande o suficiente para
ns trs.

        -- Oh, Mari, sei que voc passaria fome para dar o que tem a mim e a Fleur,
mas no  isso que quero. J fez tanto por mim desde que papai e mame morreram...
Voc s tinha dezoito anos na poca, trs menos do que tenho agora, quando
descobrimos que no havia nenhum dinheiro! Suponho que na nsia de nos dar tudo,
papai simplesmente no pensou que algo pudesse acontecer a ele depois de penhorar o
que possua e hipotecar a casa para perder tudo numa crise do mercado de aes.

      Em silncio, as irms se entreolharam.

      Ambas haviam herdado a constituio delicada da me, assim como a face em
formato de corao, os cabelos loiros avermelhados e a pele de pssego. Mas Mariella
herdara os olhos turquesa e intensos do pai, um homem que, menos de um ano aps o
nascimento dela, decidira que as responsabilidades de paternidade e casamento no o
agradavam e abandonara esposa e filha.

      Tanya no quisera fazer faculdade como Mariella esperava, mas resolvera
perseguir a carreira de atriz. Adorava representar no palco, cantar e danar.


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       Embora soubesse quo teimosa e impulsiva sua meia-irm podia ser, Mariella a
admirava pelo que estava fazendo, mesmo que se preocupasse em como ela ia lidar com
o fato de ficar longe da filha por seis longas semanas.

         -- Telefonarei todos os dias -- prometeu Tanya, chorosa. -- E quero saber tudo
que ela faz, Man... Cada detalhe. Oh, sinto-me to culpada! Sei como voc sofreu
quando criana por seu pai no estar presente... Entretanto, aqui est minha pequena
Fleur...

       Segurando Fleur, Mariella abraou a irm e carinhosamente enxugou-lhe as
lgrimas.

       -- Seu txi chegou, querida. V tranqila.



       -- Mari! Tenho um trabalho fabuloso para voc.

       Reconhecendo a voz de sua agente, Mariella sorriu para o beb que parecia
feliz em seus braos com a mamadeira.

       -- Corridas de cavalos. Dzias delas. O cliente possui seu prprio hipdromo em
Zuran. Ele  um membro da famlia real Zuran, e aparentemente ouviu falar de voc
atravs de um amigo que viu a pintura que voc fez do animal vencedor do Torneio
Hpico de Kentucky. De qualquer forma, o homem quer que voc pegue um vo para l,
todas as despesas pagas, para discutir o projeto com ele, ver aquelas feras
fedorentas... Brincadeira!

      Mariella riu. Kate, com suas roupas perfeitamente desenhadas e um
apartamento todo branco, impecvel, no era grande amante de animais.

       -- Mari, o que  esse barulho? -- perguntou ela.

        -- Fleur -- respondeu rindo. -- Estou lhe dando mamadeira. Olhe, parece
promissor, mas no momento estou com bastante trabalho e, para ser honesta, no acho
que ir a Zuran seja vivel. Para comear, estarei cuidando de Fleur pelas prximas seis
semanas e...

      -- No tem problema. Tenho certeza de que o prncipe Sayid no vai se
importar que voc a leve junto. E fevereiro  o ms perfeito do ano para visitar Zuran,
o tempo estar quente e agradvel. Mari, no recuse! E muito dinheiro. S a minha
comisso j me d gua na boca -- disse ela, francamente.

       Mariella riu.



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      -- Entendo.

       Ela comeara a pintar retratos de animais quase por acaso. Pintar fora at
certo ponto meramente um hobby, e seus "retratos de animais" eram feitos para
amigos. Porm, sua reputao espalhara-se boca a boca, e finalmente ela decidira
fazer disso uma carreira.

       Agora se sustentava muito bem e sabia que normalmente no perderia a chance
que estavam lhe oferecendo.

      -- Eu adoraria ir, Kate -- respondeu ela. -- Mas Fleur  prioridade no momento.

       -- No jogue a oportunidade fora -- aconselhou Kate. -- Como eu disse, leve
Fleur. Voc no vai trabalhar nessa viagem, sero apenas reunies. Ser s uma
semana e esquea sobre riscos de sade para o beb. No h perigo algum em lev-la
para Zuran.

       Uma das razes pela qual Mariella comprara sua casa de trs andares, fora a
enorme janela face norte no ltimo andar, cujo cmodo ela transformara em estdio.
Com Fleur alimentada e contente, ela olhou para a manh cinzenta de fevereiro. A
chuva da semana inteira parecia ter parado. Uma caminhada no parque ao ar livre faria
bem a ambas, decidiu.

      Fora deciso sua comprar um carrinho de beb grande e antiquado.

       -- Voc pode usar o carrinho moderno se quiser -- informara a Tanya com
firmeza. -- Mas quando eu for passear com Fleur, ser num veculo tradicional, num
passeio tradicional.

      -- Mari, voc fala como se tivesse sessenta e oito anos, no vinte e oito --
protestara Tanya.

      Talvez fosse mesmo um pouco antiquada, admitiu Mariella quando comeou a
remover os cobertores do carrinho moderno para arrum-los no grande.

       Ela franziu o cenho quando viu um pedao de papel amassado entre os
cobertores. Poderia ter facilmente arranhado a pele sensvel de Fleur. Estava prestes
a jogar fora quando a caligrafia de sua irm chamou-lhe a ateno.

      O pedao de papel era uma carta, Mariella reconheceu, e podia ver o nome e
endereo claramente.

      -- Sheik Omar Al Agir. Rua Quaffire Beach, nmero 24, Zuran.

      O corao bateu mais forte de culpa quando leu a primeira linha.


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      "Voc destruiu a minha vida e a de Fleur e por isso vou odi-lo para sempre".

      Tanya, obviamente, escrevera, mas no enviara para o pai de Fleur.

       Ela sempre se recusara a discutir o assunto com qualquer pessoa, s dizia que
ele era um homem muito rico do Meio Oeste que ela conhecera enquanto trabalhava
numa boate como cantora e danarina.

      Particularmente, Mariella sempre achara           que   ele   fugira   de   suas
responsabilidades com o beb e com sua irm.

       E agora descobrira que ele morava em Zuran! Intrigada, dobrou o bilhete
cuidadosamente. Sabia que no tinha o direito de interferir, mas... Quantas vezes no
passado esperara pela oportunidade de confrontar o prprio pai e contar-lhe como ele
despedaara o corao de sua me e quase destrura a vida dela?

       Mas seu pai estava morto agora, e nunca poderia reparar o que fizera. Porm, o
amante de Tanya estava muito vivo, e Mariella ficaria satisfeitssima em lhe dizer o
que pensava dele!

       Soprando um beijinho para Fleur, pegou o telefone e discou o nmero de sua
agente.

      -- Kate, repensei sobre a viagem para Zuran...

       -- Voc mudou de idia! Maravilha! No se arrepender, Mari, prometo. O
sujeito  muito rico, e o que est disposto para pagar a fim de ter seus amigos de
quatro patas imortalizados em leo...




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       CAPTULO I



       Aquele devia ser o aeroporto mais limpo do mundo, pensou Mariella quando
pegou a bagagem na esteira. E Kate estivera certa sobre a boa vontade do prncipe
Sayid de no poupar despesas para lev-la a Zuran.

       Na cabine de primeira classe do avio deles, Fleur fora tratada como uma
princesinha.

      Um motorista as levaria  Reserva Beach Clube, onde ficariam hospedadas em
um bangal particular e, graas  influncia do prncipe, o passaporte de Fleur, com a
permisso de Tanya, fora obtido com rapidez.

      Ela olhou ao redor da movimentada rea de desembarque, procurando algum
carregando uma placa com seu nome.

       Mas ento, alertada por um aumento no murmurinho atrs de si, virou-se, os
olhos se arregalando enquanto observava o modo como a multido se dividia, abrindo
espao para o pequeno grupo de homens trajados de branco. Como batedores
tradicionais, eles seguiam na frente para permitir que o homem atrs deles cruzasse o
cho de mrmore desimpedido. Os olhos artsticos de Mariella observaram aquele
homem mais alto que os demais e a arrogncia aristocrtica que s podia pertencer a
algum acostumado a estar no comando.

       Instintivamente, ela no gostou dele. O homem era, sem dvida, consciente
demais da prpria importncia. Era poderosamente msculo e to perfeito que lhe
enviou milhes de mensagens sexuais no desejadas atravs de todas as suas
terminaes nervosas.

       De sbito, Fleur quebrou o silncio com um pequeno choro.

      Teria sido porque sentira o antagonismo ou porque Mariella a apertara nos
braos?

       Instantaneamente o homem de cabelos escuros se virou na direo delas,
encarando-a fixamente. Aqueles olhos escuros pareciam estar desnudando-a. No das
roupas, mas de suas defesas. E o corpo reagiu com um tremor indesejado. Foi ento
que ela percebeu que estava retornando o olhar dele de desprezo com um de fria
latente.

       Fleur ecoou um outro pequeno som e imediatamente ele observou o beb por
alguns momentos antes de voltar a olhar para ela, como se estivesse verificando


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alguma coisa.

       Fosse o que fosse, aquilo levou um sorriso perigoso aos lbios dele, o que fez
Mariella corar levemente.

       Como ele ousava fit-la com tanto desprezo? Ela no se importava com quem e
o que ele era! Seu pai provavelmente deveria ter olhado para sua me assim antes de
abandon-la, deixando-a no desespero que Mariella recordava-se to bem da infncia,
at que seu padrasto, com amor e gentileza, surgira para tirar ambas da escurido
terrvel na qual tinham sido atiradas.

       To rpido e silenciosamente quanto chegou, o pequeno grupo de batedores
passou pelo corredor aberto entre a multido e desapareceu.

       Que cena exagerada e teatral, pensou ela, empurrando o carrinho de bagagens
atravs da porta automtica do aeroporto e encontrando um chofer esperando-a
pacientemente  porta da luxuosa limusine.



      A Reserva Beach Clube ia alm das expectativas de uma reserva cinco estrelas,
reconheceu Mariella algumas horas mais tarde, depois de explorar as redondezas.

        O bangal onde estava instalada tinha dois quartos grandes, ambos com sute,
uma pequena cozinha, sala de estar, e jardim privativo. Mas fora o arranjo de equipar
o lugar para um beb, o que mais a impressionou. Um bero fora colocado ao lado da
cama e no banheiro havia uma banheira de beb novinha, cosmticos infantis e uma
variedade luxuosa de cosmticos providenciada para o uso dela. Na geladeira, uma
seleo completa de comidas de beb. Porm, foi a carta deixada a ela, dizendo que o
chefe de cozinha do Beach Clube prepararia comida de beb orgnica fresca para
Fleur, que a fez realmente sentir que podia relaxar.

       Tendo acomodado Fleur, que dormira com tanta facilidade como se estivesse na
prpria casa, ela consultou o relgio e ligou para sua irm. O cruzeiro de Tanya era
uma viagem extensa do Caribe, por todo o Golfo do Mxico.

       -- Mari, como est Fleur? -- perguntou Tanya ansiosa.

       -- Dormindo como um anjo. Ela ficou bem no avio e foi bastante mimada. Como
voc est?

         -- Oh, bem... Muito ocupada. Estamos fazendo dois shows por noite, mas como
falei, o dinheiro  excelente. Mari, preciso ir... D um grande beijo em Fleur por mim.

       Sentiu-se um pouco culpada, Mariella pensou na irm. No lhe contara nada


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sobre sua determinao de confrontar o pai de Fleur. Tanya podia ter ido de boa
vontade para a cama dele, mas Mariella sabia que ela no mentira quando dissera que
acreditava que ele a amava, e que teriam um futuro juntos.



       Mariella esforou-se para acordar de um sonho confuso e sem nexo no qual
estava sendo arrastada por guardas para ajoelhar-se, tremendo aos ps de um homem
que agora era seu mestre. Como o detestava. Detestava-o pelo modo que ele ficava
parado ali, olhando-a de cima, fazendo-a sentir a pele queimando sob o desprezo dele.

      Ele a encarava sem pudor. Os olhos do homem eram da cor do cu aps a
tempestade, um cinza frio que a arrepiava todinha.

        -- Voc ousa me desafiar? -- Ele estava perguntando gentilmente. Atrs de si,
estava ciente da presena ameaadora dos guardas.

      Ela o detestava verdadeiramente. Ele levantou-se do div onde estava,
caminhou na direo dela e pegou-lhe a face entre as mos. Mas quando os dedos lhe
roaram os lbios, Mariella mordeu-lhe o polegar com fora.

      Ento veio o som dos guardas puxando suas espadas e o corpo dela esperou pela
morte. Mas em vez disso, os guardas foram dispensados enquanto seu torturador
aproximava-se mais. Uma mancha de sangue brilhava no piso de madeira.

      -- Voc  uma gata selvagem necessitando ser domada --ela o ouviu dizendo
com voz macia.

       Ento o sentiu circund-la devagar, parando atrs dela e deslizando a mo por
seus cabelos, entrelaando-os com fora entre os dedos. Com a mo livre, de maneira
mscula e determinada, ele alcanou-lhe os seios, fazendo com que todo o corpo dela
tremesse de desejo. Abruptamente, ele a liberou, virando-a para si e ela pde ver o
desprezo nos olhos que a encaravam.

      Viajando atravs das camadas de seu sonho, Mariella percebeu que aquele
desprezo cnico era algo que j vi vendara antes...

       Com o corao disparado, deu-se conta do porqu. O homem de seu sonho era o
sujeito arrogante que ela vira no aeroporto!

       Saindo da cama, foi para o banheiro e abriu apenas a torneira de gua fria do
chuveiro. Um banho gelado talvez suavizasse a lembrana sensual daquele estranho
sonho.

      Depois do banho, enrolando-se numa toalha macia, parou perante o espelho,


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observando-se. Foi ento que soube que se fechasse os olhos, poderia ver o tormento
por trs das plpebras, o olhar cnico do homem alto, enquanto ele zombava dela antes
de se aproximar, tirar-lhe a toalha do corpo e exigi-la.

       Furiosa consigo mesma, Mariella se secou e dirigiu-se para o quarto onde sua
querida sobrinha dormia pacificamente no bero.



        Mariella e Fleur tinham acabado de tomar o caf da manh no ptio de trs do
bangal quando o fax anunciou a chegada de uma mensagem. Franzindo o cenho, ela
leu-a. O prncipe tivera que viajar inesperadamente a negcios e no poderia atend-la
por vrios dias. Desculpava-se pela mudana de planos, mas pedia que ela aproveitasse
as instalaes do Beach Clube at o retorno dele.

      Certo, aquele seria ento o momento ideal para ver o pai de Fleur. Ela tinha o
endereo dele, afinal! Tudo que precisava era chamar um txi para lev-la l.

       Kate estivera certa quando descrevera que o ms de fevereiro em Zuran tinha
um clima perfeito, admitiu Mariella meia hora depois quando carregava Fleur sob o
adorvel do calor do sol.

       Quando deu o endereo do sheik para o motorista de txi, ele sorriu antes de
assentir.

       -- Vai levar aproximadamente quarenta e cinco minutos -- disse ele. -- Voc
tem negcios com o sheik? -- perguntou, puxando conversa.

      Tendo aprendido como as pessoas eram amigveis ali, ela no se ofendeu,
respondendo de modo simples:

       -- Pode-se dizer que sim.

      -- Ele  um homem famoso e respeitado por sua tribo. Todos o admiram pela
forma que apoiou o direito deles de viverem as prprias vidas da maneira tradicional.
Embora seja um homem de negcios extremamente bem-sucedido, dizem que ainda
prefere viver com simplicidade no deserto, do jeito que seu povo sempre viveu.  um
homem muito bom.

       Ela refletiu que a figura que o motorista acabara de pintar era bastante
diferente daquela que obtivera de sua meia-irm.

       Tanya conhecera o homem numa boate, afinal. Mariella nunca gostara do fato
de que ela trabalhasse l. Embora tivesse sido contratada como cantora, o lugar fazia
propaganda aberta dos charmes sexuais de suas danarinas, e Tanya admitira que a


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maioria dos clientes era do sexo masculino.

       E durante os doze meses que durara o namoro deles, Tanya nunca mencionara
nenhuma predileo da parte de seu sheik sexy pela solido do deserto. Na verdade,
ficara com a impresso de que ele era um tipo de playboy.

      Em quarenta minutos o txi parou perante uma impressionante manso branca,
guardada por portes de ferro trancados.

      Imediatamente um oficial saiu de uma das duas guaritas que ladeavam os
portes e se aproximou do carro.

       To firme quanto possvel, Mariella pediu para falar com o sheik.

       -- Lamento, mas ele no est disponvel -- informou o oficial.

       -- Ele viajou para o osis por alguns dias.

      Aquela era uma complicao que ela no esperara. Fleur acordara e estava
comeando a choramingar.

       -- Se voc quiser deixar um recado -- ofereceu o oficial de modo corts.

      Ela pensou que o recado que queria dar ao sheik teria que ser pessoalmente.
Agradecendo-o, pediu que o motorista de txi a levasse de volta para o hotel.

       -- Se voc quiser, posso arranjar algum para lev-la at este osis -- sugeriu
ele.

       -- Voc sabe onde ?

       Ele deu de ombros.

       -- Claro. Mas voc precisar de um veculo de trao nas quatro rodas, uma vez
que a trilha tem muita areia.

       -- Voc no poderia me levar? -- perguntou ela.

       -- Demoraria duas ou trs horas. Mas se voc quiser ir sozinha, posso lhe
explicar o caminho.

      Fazia realmente mais sentido alugar um carro e ir dirigindo do que contratar
um motorista por um dia inteiro, decidiu Mariella.

       -- Por favor -- concordou.



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       Metodicamente, Mariella verificou tudo que separara para colocar na Ranger
que alugara para sua viagem ao deserto. O pessoal da recepo do Beach Clube a
assegurou de que era totalmente seguro viajar ao deserto, e providenciaram todas as
formalidades necessrias, incluindo uma cadeirinha de beb para Fleur.

       A viagem deveria durar trs horas, quatro se ela parasse na reserva do osis
popular para almoar, conforme lhe fora recomendado.

       Se no fosse pelo srio propsito de sua viagem, poderia pensar que estava
embarcando numa aventura. Como tudo o mais conectado ao Beach Clube, a Ranger
estava imaculadamente limpa, equipada com uma enorme cesta de piquenique e at
mesmo um telefone mvel.

        A estrada que cruzava o deserto era bem sinalizada e to fcil de navegar que
ela logo se sentiu confiante.

      O osis isolado, onde aparentemente o sheik estava, localizava-se na cadeia de
montanhas de Agir.

      A brisa aumentara, cobrindo o carro inteiro com uma fina camada de areia.
Apesar das janelas bem fechadas, as partculas eram to finas que de alguma forma
conseguiam entrar dentro do carro.

       Foi um alvio quando saiu da estrada principal para outra via sinalizada e chegou
a Vila Bedouin, marcada no mapa. Era um dia de mercado livre e ela teve que dirigir
pacientemente atravs dos mercadores e suas carroas puxadas por camelos.

       Mais meia hora e pararia para almoar. Se no tivesse chegado ao segundo
osis marcado no mapa, ela e Fleur fariam um piquenique.

      A altura das dunas de areia chegava a intimidar. Era quase uma cadeia de
montanhas. Fleur estava acordada e Mariella desligou o rdio e ps uma fita de
msicas infantis, cantando junto.

       Estava levando mais tempo do que estimara para chegar na base turstica no
osis onde planejara almoar. J eram quase duas horas da tarde e a chegada estava
estimada para a uma.

       Uma pelcula de p de areia transformara o cu num vermelho dourado, e
quando ela alcanou o topo de uma enorme duna de areia e olhou para baixo, o vazio do
outro lado a fez comear a entrar em pnico. Afinal, daquele ponto no deveria estar
avistando o osis da base turstica?



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       Percebendo que era sensato pedir ajuda, pegou o telefone mvel do carro. Mas
para sua frustrao, quando tentou ligar para o nmero programado no aparelho, a
resposta foi um forte chiado. Parando a Ranger, pegou seu prprio celular, mas obteve
o mesmo sinal ineficiente.

       O cu estava ainda mais obscuro agora, o vento batendo no carro com tanta
fora que chegava a balan-lo. Como se sentindo o nervoso dela, Fleur comeou a
chorar. Estava com fome e precisava ser trocada, reconheceu Mariella,
automaticamente atendendo as necessidades do beb enquanto tentava decidir o que
fazer.

      Era impossvel que estivesse perdida, claro. Havia uma bssola de bordo e ela
recebera instrues detalhadas, as quais seguira  risca.

       Ento por que ainda no chegara ao osis?

       Fleur comeu sua refeio toda, mas Mariella descobriu que perdera o apetite.

      E ento, quando estava comeando a sentir muito medo, avistou uma fila de
camelos guiada por homens surgir atravs da poeira.

       Aliviada, dirigiu-se a eles. O lder era muito educado. Ela perdera a entrada
para o osis, explicou ele, algo que era muito comum acontecer com um vento to forte
soprando areia na trilha. Para alarme dela, o homem tambm explicou que, por causa da
sbita deteriorao no clima, todos os turistas tiveram que retornar  cidade em vez
de permanecer no deserto, mas, uma vez que Mariella viera de to longe, o melhor
curso de ao agora era chegar a seu destino, e ele mostrou-lhe como usar a bssola
do carro.

       Agradecendo-o, ela seguiu as instrues, verificando a bssola repetidamente
enquanto subia e descia a interminvel srie de dunas, at que finalmente, atravs da
areia soprando contra o pra-brisa, pde ver a gigante cadeia de montanhas.

       J eram quatro horas e a luz parecia estar sumindo, fato que a fez acelerar um
pouco. Nunca sonhara que sua jornada seria to arriscada e estava arrependida de ter
ido, mas agora, pelo menos, o final estava  vista.

       Levou quase mais uma hora em ziguezagues pelas dunas para alcanar a base
rochosa do comeo da cadeia de montanhas. O osis era situado numa ravina profunda,
suas escarpas to altas que ela tremeu enquanto dirigia pelas sombras. Aquele era o
ltimo lugar que esperara encontrar o homem que fora o amante infiel de sua irm.

       O vilarejo dele ali seria to aristocrtico quanto sua casa em Zuran? Ela
franziu o cenho quando a ravina se abriu num osis a sua frente. Remoto e lindo do seu



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Uma noite Com o Sheik                                                   Penny Jordan

prprio jeito, era obviamente um lugar de profunda solido, rodeado por palmeiras e
iluminado pelo misterioso brilho dos raios do sol poente. Mariella parou a Ranger para
observar. Onde era a vila? Tudo que podia ver era um galpo solitrio. Certo, de bom
tamanho, mas definitivamente no uma vila! Ser que se perdera novamente?

        Fleur comeou a chorar, obviamente cansada.

      Com cuidado, Mariella voltou a pr o carro em movimento pela trilha rochosa
que mais parecia um leito seco de rio do que uma estrada.

        Havia um veculo estacionado a vrios metros do galpo e ela estacionou ao lado
dele.

        Um homem emergiu do galpo, obviamente alertado pelo som da Ranger.

       Quando andou na direo dela, o vento forte fez com que a tnica que ele usava
se aderisse ao corpo, revelando uma estrutura muscular do torso que fez o estmago
dela se contrair.

        E ento, quando conseguiu ver o rosto dele, a Terra pareceu parar no prprio
eixo.

        Era o homem do aeroporto. O homem do seu sonho!




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         CAPTULO II



         A mo dele estava na maaneta da Ranger.

         Abrindo-a, perguntou zangado:

         -- Quem  voc?

         Ele a estava encarando novamente com aquele mesmo brilho de desprezo nos
olhos.

       -- Estou procurando pelo sheik Omar Al Agir -- respondeu Mariella sem
preliminares.

         -- Como? O que voc quer com ele?

         O homem era rude, mas no devia ter esperado nada diferente.

         -- O que quero com ele no  da sua conta -- disse furiosa.

         O choro de Fleur aumentou.

         Espiando dentro do carro, ele indagou incrdulo:

       -- Voc trouxe um beb para c? Que tipo de inconseqente voc ? No ouviu
os avisos sobre o tempo? Esta rea est proibida para turistas por causa da ameaa
de tempestades de areia.

       Enrubescendo, ela lembrou-se de que desligara o rdio para pr fitas infantis
para Fleur.

       -- Desculpe-me se cheguei numa hora inconveniente -- replicou ela com
sarcasmo para cobrir o prprio desconforto --, mas se puder me indicar o caminho
para o osis Istafan...

         -- Aqui  o osis Istafan -- veio a resposta imediata e fria.

       -- Quero falar com sheik Omar Al Agir -- repetiu ela, recompondo-se. -- Ele
est aqui?

         -- Sobre o que voc quer falar com ele?

         -- No  da sua conta -- disse com raiva. Interiormente, estava preocupada em



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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan

como iria voltar para a cidade e para o conforto de seu bangal no Beach Clube e
pensando no que um homem rico como o sheik estava fazendo ali com aquele... Aquele
homem to arrogante!

       -- Oh, acho que voc vai descobrir que qualquer coisa que diz respeito a Omar 
da minha conta -- retrucou ele.

      Alguma coisa devia t-la alertado para a verdade, claro. Mas estivera muito
chocada para perceber qualquer coisa. Aqueles olhos... Aquela boca...

       Ela engoliu em seco.

       -- Voc... Voc... No pode ser o sheik -- afirmou de modo desafiador, mas a
voz estava tremendo um pouco, traindo a confiana na prpria negao.

       Era aquele homem o amante de sua irm... E o pai de Fleur?

       -- Voc  o sheik, no ? -- reconheceu ela, finalmente.

       Uma breve inclinao da cabea foi a nica resposta dele, mas era o bastante.

       Virando-se para o assento traseiro do carro, ela acariciou o rostinho de Fleur
antes de olhar diretamente nos olhos dele e dizer:

       -- Esta  Fleur, o beb que voc se recusou a reconhecer e sustentar.

       Ela o chocara, percebeu, embora ele tivesse se recomposto muito rpido.

        Quando ele se afastou do veculo, Mariella achou que a mandaria embora, e
covardemente era o que ela queria fazer. O homem, o local, a situao... No eram
nada do que previra e para o que se preparara. Tudo aquilo abalava no apenas suas
idias preconcebidas, mas tambm seu precioso autocontrole.

       Oh, no, definitivamente no! O sujeito fora o amante de sua irm, e era o pai
de Fleur.

       O medo que a acompanhava fazia anos de repente agigantou-se a sua frente.
No seria igual sua me, nunca se permitiria ser vulnervel com um homem que apenas
podia danific-la emocionalmente. A habilidade de se apaixonar pelo homem errado no
era, pelo que Mariella sabia, hereditria!

       -- Saia.

      Sair? Com prazer! Mariella puxou a porta do carro, batendo-a com fora, ligou
o motor e acelerou.



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Uma noite Com o Sheik                                                   Penny Jordan

      Os pneus giraram e jogaram areia para o ar enquanto o carro se recusava a
mover-se. Olhando pela janela, viu Omar observando-a perplexo.

       Percebendo que estava atolada na areia, ela desligou o motor. Se ele quisesse
que ela partisse, teria de empurrar o carro, reconheceu humilhada.

         Ele abriu a porta do carro.

         -- O que voc pensa que est fazendo?

         -- Voc no me mandou sair?

      -- Eu quis dizer sair do carro, e no... -- Ele praguejou baixinho e, para o
choque de Mariella, de repente alcanou-lhe o cinto de segurana, desatando-o.

         Com tanta fora que quase chegou a doer, ele a puxou pela cintura para fora do
carro.

         -- Solte-me -- exigiu ela, empurrando-o. -- No me toque.

       Instintivamente ela levantou a mo, mas ele segurou-lhe o pulso como um
castigo, os olhos brilhando selvagens.

       -- Pare j! -- exclamou-ele sem piedade. -- Mais uma tentativa de usar suas
garras em mim, e prometo que se arrepender. Voc no pode ir a lugar nenhum esta
noite. H previso de tempestade de areia que a enterraria viva antes que pudesse
chegar na metade do caminho para a cidade. No seu caso, no seria grande perda, mas
pela segurana da criana...

         Fleur!

        Um som agoniado de desespero ecoou da garganta de Mariella. No podia ficar
ali no deserto com aquele... Aquele homem selvagem e perigoso. Mas o bom senso lhe
dizia que no tinha outra opo. O carro j estava atolado at a metade das rodas.
Podia sentir areia na boca, na pele. Dentro do veculo, Fleur comeara a chorar de
novo. Mariella virou-se para peg-la, mas Omar se adiantara e estava tirando o beb
do carro.

      Fleur parecia to pequenininha nos braos dele. Ela prendeu a respirao,
observando-o. Ele era o pai do beb, afinal. Certamente devia sentir alguma coisa.
Remorso, culpa... Alguma coisa. Ele parou para fitar a criana nos braos, mas a
expresso era ilegvel.

       -- Ela tem os seus cabelos -- disse ele a Mariella antes de acrescentar: -- O
vento est aumentando. Temos que entrar. Aonde voc vai? -- perguntou quando ela


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Uma noite Com o Sheik                                                Penny Jordan

virou-se para o carro.

       -- Pegar as coisas de Fleur.

       -- Deixe isso por enquanto. Depois eu venho buscar.

      Ela no podia acreditar em como o vento se tornara forte. A areia dava a
sensao de finas partculas de vidro cortando-lhe a pele.

      Quando chegaram na segurana e proteo do galpo, os msculos de sua perna
doam do esforo de lutar contra a areia macia do solo.

       Por dentro, o galpo era muito maior do que ela originalmente pensara. Uma
rea central estava mobiliada com ricos tapetes e sofs baixos. Sobre as mesas
lindamente entalhadas, havia lampies e velas.

      -- Fleur precisa comer alguma coisa e trocar de roupa -- anunciou ela,
friamente. -- E depois quero ligar para o Beach Clube e contar-lhes o que aconteceu.

      -- Usar um telefone numa tempestade de areia dessas? -- Ele riu abertamente.
-- Voc teria sorte se conseguisse usar uma linha fixa, quanto mais um celular...
Quanto  criana...

       -- A criana! -- repetiu ela, amargamente. -- Mesmo sabendo a verdade, voc
ainda tenta se distanciar dela, no ? Bem, deixe-me lhe dizer uma coisa...

       -- No, deixe que eu lhe diga uma coisa. Qualquer homem poderia ser o pai
desta criana. Tenho pena dela por ter uma me de moral baixa, uma mulher disposta a
se entregar para qualquer homem. Mas deixe-me esclarecer a voc que no pretendo
ser chantageado para pagar por um prazer que foi de to pouco valor, muito menos
pagar por uma criana que pode ou no ser o resultado disso.

      Ela empalideceu de choque, mas antes que pudesse defender a irm, Fleur
comeou a chorar seriamente.

       Ignorando Omar, Mariella tranqilizou-a, sussurrando carinhosamente:

       -- Est tudo bem, minha querida. Sei que voc est com fome -- disse,
beijando-a no rostinho. Aquele beb era to precioso para ela. Estar presente no
parto a fizera sentir que estava compartilhando um elo muito especial, e despertara-
lhe uma necessidade maternal que previamente no sabia da existncia.

        -- No sei o que ela come, mas tem frutas e leite na geladeira, e um
liquidificador -- informou ele.



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       Geladeira? Liquidificador? Ela arregalou os olhos.

       -- Voc tem eletricidade aqui?

       Ele lanou-lhe um olhar irnico.

      -- H um pequeno gerador que prove minhas necessidades. -- Ele deu de
ombros. -- Afinal, vim aqui para trabalhar em paz, no para assistir tev. O gerador
pode proporcionar gua quente para o banho dela, embora voc, lamento, ter que
compartilhar comigo a gua da banheira.

       Ele estava esperando que ela protestasse, Mariella percebeu.

       O homem estava gostando de tortur-la.

        -- J que s vou ficar aqui por uma noite, ouso dizer que recusarei esse prazer
-- replicou.

      -- Vou at seu carro buscar as coisas do beb. A cozinha fica no final do
corredor,  direita.

       Ela levara alguns potinhos de papinha de beb, mas no custava nada ver se
havia algo fresco que pudesse preparar.

       No final do corredor  direita havia uma cozinha pequena, mas muito bem
equipada, e  esquerda, um lavabo imaculadamente limpo com um pequeno box e
chuveiro.

      -- O que so todas essas coisas? -- ela ouviu Omar indagando quando entrou
com os braos carregados.

       Em quaisquer outras circunstncias, a bvia falta de conscincia masculina
sobre as necessidades de um beb teria sido compreensvel, mas naquele momento...

      Ignorando-o e ainda segurando Fleur, ela abriu a sacola na qual pusera as
comidas.

      -- Olhe isso, Fleur -- murmurou. -- Pudim de banana, nosso favorito. Que
gostoso!

      O olhar de sria considerao de Fleur a fez sorrir, esquecendo-se da
presena de Omar.

       -- Suponho que eu no deva ficar surpreso por ela no estar recebendo a
nutrio do leite materno -- anunciou ele em tom de crtica.



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       -- Uma vez que a me dela teve que voltar a trabalhar, isso no foi possvel.

       -- Voc faz isso parecer virtuoso, mas uma mulher de boate  mesmo to
virtuosa?

      -- Voc  desprezvel -- exclamou ela. -- Fleur no merece ser tratada assim. 
um beb inocente...

       -- Com certeza! Pelo menos concordamos em alguma coisa.

      -- Porm,  uma pena que voc no tenha pensado nisso antes de vir aqui fazer
acusaes e exigncias.

        Como ele podia ser to frio? To insensvel? De acordo com o pouco que Tanya
falara, ele era um homem emotivo e apaixonado.

      Sem dvida na cama era, pensou. E o rosto queimou de repente, quando
reconheceu o significado indesejado de seus pensamentos, e pior ainda, as imagens que
estavam se formando em sua mente...

       O que estava acontecendo com ela? Era uma mulher de sangue frio, equilibrada,
que racionalizava e resistia a qualquer tipo de comportamento exigente de si mesma.
Entretanto l estava ela...

       -- Quanto tempo vai durar a tempestade de areia? -- indagou de sbito.

       As sobrancelhas escuras se levantaram.

       -- Um dia, dois... Trs...

       -- Trs? -- Mariella estava atnita. Alm do fato de que Tanya enlouqueceria
se no pudesse entrar em contato, o que o prncipe iria pensar se retornasse e ela no
estivesse l? --Tenho que alimentar e trocar Fleur.

       Felizmente levara a banheira do beb consigo, assim como o trocador, o
carrinho e o moiss, porque no sabia exatamente quais facilidades estariam
disponveis no osis.

      -- J que  bvio que ter de passar a noite,  melhor que voc e a criana
durmam no meu... No quarto -- Omar se corrigiu.

       A boca dela secou.

       -- E... Onde voc vai dormir? -- perguntou ela, apreensiva.




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       -- Aqui,  claro. Depois que voc cuidar da criana, ns dois podemos comer
alguma coisa. E ento...

      -- Obrigada, mas sou perfeitamente capaz de decidir por mim mesma quando
comer -- replicou ela de modo agressivo.



      Ela era muito mais independente e fogosa do que ele antecipara, pensou Omar
quando Mariella desapareceu com Fleur.

      E definitivamente no o tipo requerido para o seu primo mais novo.

       Pensar em Khalid o fez comprimir os lbios. Ficara furioso quando Khalid lhe
telefonara para anunciar que se apaixonara e estava pensando em se casar com uma
garota que conhecera numa boate duvidosa. Khalid j estivera apaixonado antes, mas
aquela fora a primeira vez que considerara se casar. Com vinte e quatro anos, ele era
ainda muito imaturo. Quando se casasse, na opinio de Omar, teria de ser com uma
mulher forte o bastante para manter-lhe os ps no cho, e rica o suficiente para no
se casar com ele por dinheiro.

       Omar franziu o cenho. Fora sua av francesa que o avisara quando ele ainda era
adolescente, que a grande fortuna que herdara do pai o faria um alvo para mulheres
gananciosas.

       Ento ela insistira que ele passasse um tempo na Frana, conhecendo as
sofisticadas filhas de parentes distantes, garotas que, na opinio dela, mereciam
herdar o "trono". O trono que ela abdicaria quando Omar se casasse.

      As moas eram bem-nascidas e criadas, mas ele encontrava-se cada vez menos
enamorado da idia de um casamento arranjado.

       Por essa razo, decidira que seria Khalid a herdar o trono e seu lugar como
lder daquele povo historicamente nico. Mas no tivera nenhuma pressa em apoiar o
primo na direo de uma noiva adequada, at que aquela mulher impossvel aparecesse
em seu retiro particular.

       Ele no sabia qual dos dois o enfurecera mais! Se Khalid por sua fraqueza em
desaparecer sem deixar nenhuma indicao de onde fora, ou se a mulher que
aparecera ali, depois de chantage-lo atravs de uma carta, dizendo que apareceria
junto com o beb, determinada a declarar que seu primo era o pai.

        Fisicamente ele no pudera ver nenhuma semelhana da criana com Khalid. Ela
era loira como a me e to delicadamente feminina quanto ela. A nica diferena era



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que, enquanto a me dela escolhia usar lentes de contato azul turquesa, sim, porque o
tom de azul s podia ser falso, os olhos do beb eram de um castanho lindo.

       Como os de Khalid.

       No havia prova de que a criana era de Khalid, relembrou a si mesmo. E no
havia chance de ele permitir que seu primo se cassasse com aquela mulher a sua
frente, sem ter certeza da paternidade. Principalmente agora que a conhecera. Para
comear, era estranho que seu primo tivesse se apaixonado por ela.

       -- Ela tem a graa de uma gazela -- o primo lhe escrevera. -- A voz de um anjo!
E a mulher mais doce e gentil...

      Bem, Omar tinha que discordar. Pelo menos na docilidade e gentileza. Se
soubesse quem ela era quando a vira no aeroporto, teria descoberto algum modo de
deport-la imediatamente!

       Ele puxou a cortina e olhou para fora. Conforme fora previsto o vento estava
causando destruio, levantando tanta areia que era impossvel at mesmo ver o osis
na totalidade. O que era uma pena, porque naquele momento ele daria qualquer coisa
para o nado refrescante que praticava todo fim de tarde na gua fria do osis, em vez
de usar o pequeno chuveiro do lavabo.

       O fato de desejar uma mulher como Mariella tanto o deixava perplexo quanto o
enraivecia. Ela representava tudo que ele mais detestava no sexo feminino: ganncia,
fraqueza sexual, egosmo. Defeitos que ele achava que pesavam mais que um rosto
bonito e um corpo sensual. Mas tinha que admitir que, nesse aspecto, seu primo
mostrara muito bom gosto.

       Omar fechou a cortina, irritado. Como ela tivera a ousadia de segui-lo at
aquele lugar, onde fora descansar de suas responsabilidades sempre to pesadas? Um
pequeno sorriso curvou-lhe os cantos da boca. Pelo que Khalid descrevera do estilo de
vida luxuoso que eles haviam compartilhado, Omar duvidava que ela fosse gostar de
estar ali. Porm, no se importava com o desconforto da moa, embora houvesse a
criana para ser considerada.

       A criana! Ele sorriu um pouco mais. A pequena Fleur era definitivamente uma
complicao que ele no antecipara!



      Com Fleur alimentada, limpa e trocada, Mariella descobriu como estava
exausta.




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       No esperara que Omar fosse ficar satisfeito em ser confrontado com as
acusaes em relao ao tratamento de Tanya e Fleur, mas a forma como ele ofendera
a moral de sua irm a chocara bastante. Afinal, aquele era o homem que compartilhara
apaixonadamente a cama com Tanya, e quem, pior ainda, jurara que a amava e que
queria construir um futuro com ela.

      Em sua opinio, Tanya e Fleur estavam melhor sem ele, assim como ela estivera
melhor sem o pai que a abandonara.

       Porm, agora que o confrontara e testemunhara que o homem era incapaz de
sentir at mesmo uma ponta de remorso, no via a hora de se afastar dele, em vez de
ser forada a ficar l, na intimidade perigosa de um galpo no deserto, onde os dois...



       Aqueles ridculos olhos azuis falsos pareciam ainda mais irreais no rosto plido
e cansado dela, decidiu Omar zangado, quando a observou andando de um lado para o
outro, embalando Fleur.

      Sem dvida Khalid devia t-la visto milhes de vezes com a pele livre de
maquiagem e aquelas olheiras profundas, quando a acordava com carinhos ao
amanhecer.

       As sensaes que ela lhe causava o deixavam furioso. Qual era o problema com
ele? O que ela tinha de mais, afinal? Uma mulher pequena, com cabelos loiros
avermelhados que eram provavelmente tingidos, lentes de contato azuis, pele cor de
leite e um corpo que sem dvida conhecera mais amantes do que era esperado numa
mulher.

       Seria bem feito para ela se ele provasse a Khalid quem era de verdade aquela
mulher. Bastava lev-la para a cama. Isso certamente garantiria que seu primo
irresponsvel, que abandonara o trabalho na matriz das empresas deles sem nenhuma
comunicao, tivesse uma surpresa ao retornar.

       A criana, entretanto, era uma questo diferente. Se fosse provado mesmo que
era filha de seu primo, ento seu lugar seria ali em Zuran, onde seria criada para
respeitar a si mesma como uma mulher honesta, e para desprezar a mulher gananciosa
e imoral que dera a luz a ela!




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       CAPTULO III



      Mariella acordou antes que Fleur desse o primeiro sinal de fome. Saindo de
debaixo dos lenis de linho branco, pensou na roupa que usaria.

       Poderia usar de novo a cala caqui sem lavar, mas a camiseta branca que vestira
por baixo da jaqueta, e as roupas ntimas, sem chance. Portanto, lavara-as antes de ir
para a cama pensando que, mesmo se no estivessem secas na manh seguinte, seria
prefervel vesti-las midas do que sujas.

       Pegando Fleur do moiss, voltou para a cama baixa de Omar, enorme o bastante
para acomodar um homem e metade de um harm sem nenhum problema.

       Deitando-se ao lado da garotinha, acariciou-lhe o rosto macio e observou-a
abrir os olhos sob o brilho da luz do lampio que deixara aceso.

       Certo, hora da mamadeira. O leite em p infantil estava na cozinha. Bastava
apenas atravessar a sala onde Omar estava para chegar l.

       Mas para isso tinha que achar alguma coisa para vestir.

       Enquanto decidia se enrolava a toalha de banho no corpo, Fleur comeou a
chorar.

       -- Psiu -- tentou ela, carinhosamente. -- Sei que voc est com fome, querida.

        Omar suspirou quando ouviu o choro da menina. Acabara de amanhecer. O sof
no era exatamente o lugar mais confortvel para dormir. Do lado de fora, o vento
uivava, testando a fora do galpo, mas seu galpo tradicional agentara muitos anos
de ventos no deserto.

       Saindo de debaixo das cobertas, ele vestiu o robe e dirigiu-se  cozinha,
retirando uma das mamadeiras vazias que Mariella deixara no esterilizador.

       Sua av, uma mulher excntrica segundo a opinio de muitos, o enviara para
trabalhar em um campo de refugiados por seis meses, no perodo entre o colegial e a
faculdade.

       -- Voc sabe o que  se orgulhar -- dissera a av quando ele expressara
desprezo pela deciso. -- E deve essa grandeza ao povo de seu av, porque sem a luta
deles, teriam sido engolidos pelo mundo moderno e espalhados como sementes no
vento.



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      Uma de suas tarefas no campo fora trabalhar na creche. Pelo resto da vida
Omar sabia que se lembraria das emoes que vivenciara com a viso dos corpinhos
mirrados das crianas.

         Misturando o leite em p com gua, preparou a mamadeira.

       O choro do beb estava agora mais alto. A me irresponsvel estava, sem
dvida, dormindo egoisticamente, pensou ele, ignorando o fato de que notara como a
me de Fleur era devotada  pequenina.

       Fleur estava chorando muito para estar meramente com fome, pensou Mariella
ansiosa, pegando-a nos braos e aninhando-a contra o peito.

       -- O que est acontecendo, meu anjinho? Est com saudade da sua... -- Ela
parou quando a cortina protetora que fechava o quarto se abriu, agarrando o lenol
para se cobrir, enrubescendo de vergonha quando olhou para Omar.

         -- O que voc quer? -- perguntou ela de modo agressivo.

         -- Ento voc est acordada. Pensei...

         Mariella arregalou os olhos perante a viso da mamadeira na mo dele.

      -- O que voc ps a? -- indagou desconfiada, segurando Fleur ainda mais forte
quando ele estendeu-lhe a mamadeira.

         -- Leite em p -- disse ele. -- O que pensou que tivesse aqui, veneno?

         Pegando a mamadeira, ela pingou algumas gotas nas costas da mo, provando o
leite.

         Ele a observou.

         -- Satisfeita?

         Mariella comprimiu os lbios e o encarou.

        -- Dou a minha palavra -- ela o ouviu dizendo. -- Voc at dorme com essas
lentes de contato ridculas? J lhe disseram alguma vez que ningum tem olhos dessa
cor? Ento, se so os seus amantes que voc est tentando impressionar e enganar...

       Enquanto Fleur sugava a mamadeira fervorosamente, a raiva de Mariella
crescia.

         Lentes de contato? Como ele ousava?



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       -- Oh,  verdade? -- murmurou ela. -- Bem, para sua informao, ridculo ou
no, acontece que esta  a cor real dos meus olhos. No estou usando lentes de
contato e, quanto a querer impressionar e enganar um amante...

      Fleur deu um pequeno gemido de protesto quando, em sua agitao, Mariella
sem querer tirou-lhe a mamadeira da boca.

       Desculpando-se com o beb e confortando-a, respirou fundo, buscando
controle.

       Real? A nica coisa real nela era sua mentira absurda, pensou Omar, baixando
os olhos e estudando discretamente o vale entre os seios dela, quando os movimentos
agitados deslocaram o lenol um pouco.

       No era de se admirar que no quisera amamentar a filha.

       Com seios to perfeitos, obviamente relutara em estragar o lindo formato. Ele
quase podia ver os bicos rosados. Ou estaria imaginando-os?

      Desconfortvel, mudou de posio consciente do efeito sexual. Ela estava
fazendo aquilo de propsito, ele sabia... Ela era esse tipo de mulher!

      Quando fora para o osis, o objetivo era retirar-se da agitao da cidade e se
concentrar em questes mais espirituais, lembrou a si mesmo.

       O lenol escorregou um pouco mais.

      A pele dela era muito branca, intocada pelo sol. Ele franziu o cenho. Khalid lhe
contara que a levara para o sul da Frana.

      Certamente l, ela teria se exposto ao olhar quente do sol e aos olhares at
mais quentes dos homens que foram l especificamente para desfrutar da viso de
uma pele nua to jovem.

       Conhecendo o primo como conhecia, no podia imaginar que Khalid ficasse
atrado por uma mulher to recatada a ponto de no tirar a parte de cima do biquni.

       Ele, por outro lado, achava profundamente sensual a idia de uma mulher
revelar os seios nus para o amante, e to somente para o amante...

      Preocupada, Mariella tocou o rostinho excessivamente corado de Fleur. A pele
queimou sob seus dedos e seu corao disparou de ansiedade.

      Os msculos do estmago de Omar comprimiram-se quando ela, num rompante
de agonia, abriu o brao, revelando a curva perfeita de um seio. Como ele j sabia, o


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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan

bico era rosado e to delicado, que teve vontade de alcan-la e tocar-lhe os seios,
explorar a maciez, senti-los endurecer sob seus carinhos.

       Em sua ansiedade com Fleur, Mariella simplesmente esquecera-se da presena
dele e s se deu conta quando o leve vento da cortina soprou-lhe o corpo no momento
que Omar saiu do quarto.

       Fleur chorava compulsivamente e nada que Mariella fizesse adiantava.

       Apavorada que ele fosse reaparecer a qualquer momento exigindo o silncio do
beb, ela saiu da cama e, enrolando-se no lenol, comeou a andar de um lado para o
outro, embalando Fleur.

       Para seu alvio, depois de uns dez minutos, a criana adormeceu. Gentilmente
ela carregou-a para o moiss, mas no momento que ia deit-la, o choro recomeou.

       Decidida, Mariella tentou de novo e de novo.

      Trs horas depois, admitiu que estava com muito medo. Fleur estava chorando
compulsivamente, as faces vermelhas e o corpo quente e suado.

       Do lado de fora o vento continuava a uivar violentamente.

       -- Oh, pobrezinha -- sussurrou, nervosa. Tanya lhe confiara sua preciosa filha.
Como se sentiria se soubesse o que Mariella fizera, levando-a para o meio do deserto
onde no havia mdicos e nem como conseguir um? E se Fleur estivesse seriamente
doente? E se pegara alguma infeco? E se... Cheia de ansiedade e culpa, rezou para
que o beb ficasse bem.

      Na outra parte do galpo, Omar podia ouvir o choro irritado da criana, mas
no ousava entrar e ver o que estava acontecendo. No confiava em si mesmo para
descobrir o que estava errado, admitiu.



       Uma hora depois, ainda tentando tranqilizar Fleur, Mariella sentiu um medo
desesperador. Era bvio que o beb no estava bem e ela no poderia mais ignorar o
fato. Com mos trmulas, cuidadosamente despiu Fleur, examinando-a para ver se
encontrava alguma erupo na pele que confirmaria seus piores medos de que o beb
pudesse ter contrado meningite.

       Quando no encontrou nada diferente, no sabia se devia se sentir aliviada ou
mais nervosa ainda.

       Carinhosamente limpando as lgrimas do rosto quente de Fleur, ela beijou-a. O


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Uma noite Com o Sheik                                                 Penny Jordan

beb agarrou seu dedo com fora e tentou chup-lo. No, no chup-lo, Mariella se
deu conta, tentava morder. Estava nascendo o primeiro dente de Fleur!

       Um grande alvio tomou conta dela. Um dente estava apontando, por isso a
criana se sentia to desconfortvel. Mariella lembrava-se bem de Tanya na mesma
idade, sua me embalando-a nos braos de um lado para o outro, explicando para
Mariella como aquele pequeno dentinho afiado tentando romper a pele incomodava o
beb.

       Naturalmente ela levara um analgsico infantil na sacola de fraldas antes de
sair de casa e foi apanhar.

       -- Isso far voc se sentir melhor, meu anjo -- sussurrou, delicadamente. -- E
que garotinha esperta voc , com seu lindo dentinho novo.

       Aps alguns minutos da medicao, Mariella, totalmente exausta, percebeu que
Fleur estava adormecendo. Acariciando-lhe o rosto rosado, ela bocejou, acomodou o
beb no moiss e voltou para a cama.



      Omar franziu o cenho. J fazia algum tempo que amanhecera. Ele tomara banho
e caf da manh e ligara o laptop que levara consigo para algum trabalho, mas sua
mente no estava na tela. Toda vez que pensava na amante do primo, era tomado por
emoes perigosas e indesejveis. Fazia horas que no ouvia um som vindo do quarto.
Sem dvida, trabalhando numa boate, ela tinha o costume de dormir durante o dia... E
provavelmente no sozinha!

       O pensamento da mulher dormindo em sua cama no quarto ao lado mexia de tal
forma com seus hormnios que mal podia se conter. E era um homem secretamente
orgulhoso do fato de ser conhecido por seu incrvel autocontrole.

       Khalid devia se considerar um sujeito de sorte por ter sido impedido por Omar
de se casar com a sedutora de olhos azul-turquesa.



      Porm, Khalid no se achava afortunado. Muito pelo contrrio, considerava-se
um homem sem sorte e, na verdade, desaparecera jurando que no desistiria da
mulher que amava, nem mesmo se Omar fosse em frente com sua ameaa e o
deserdasse.

      O primo estava mesmo enfeitiado, e agora que Omar a conhecera, comeava a
entender como ela era perigosa.



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Uma noite Com o Sheik                                                   Penny Jordan

       Mas nem mesmo o amor de Khalid fora forte o bastante para impedir a
presena de Mariella ali, tentando agarrar um homem ainda mais rico. Se Omar
quisesse, ela se entregaria a ele de boa vontade!

      Tal conhecimento magoaria Khalid, mas melhor que fosse magoado logo do que
passar uma vida inteira sofrendo humilhaes nas mos dela! Como, sem dvida,
aconteceria.

       Certamente o silncio do quarto no era normal. A mulher devia estar acordada
a essas alturas, ao menos pela segurana do beb.

      Irritado, ele foi at o quarto e puxou a cortina.

        Ela estava deitada na cama, profundamente adormecida, a pele alva brilhando
na luz parca.

         Os cabelos loiro avermelhados, os quais com certeza deviam ser tingidos para
alcanar aquela densidade de cor, estavam espalhados no travesseiro. Plpebras de
clios longos cobriam os olhos turquesa que ela insistia serem naturais.

      De repente ela suspirou e gemeu, mas voltou ao sono profundo.

      Incapaz de desviar os olhos, Omar continuou observando-a.

       No havia nada que ele soubesse sobre a moral dela que pudesse agradar seu
gosto esttico e cultural. Mas fisicamente...

      Meu Deus! Fisicamente, ela mexia com todos os seus hormnios...

       Sem se dar conta, ele deu um passo em direo  cama, a presso no membro
masculino impulsionando-o. Se a tomasse nos braos agora e a acordasse, seria o nome
de Khalid que ouviria ecoar dos lbios dela?

        S o pensamento deveria ser o suficiente para acalmar sua ereo, mas em vez
disso foi assolado por raiva, perante o pensamento do nome de qualquer homem nos
lbios dela que no fosse o seu prprio!

       Enquanto lutava contra a percepo do que aquilo significava, foi de repente
distrado por barulhinhos vindo do moiss.

       Virando-se, olhou para Fleur. A filha dela. Uma filha que um outro homem lhe
dera. Uma espcie de dor primitiva o invadiu.

      Fleur se livrara do cobertor e estava brincando com os ps, sorrindo
encantadoramente para ele.


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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan

      Omar prendeu a respirao. Ela era to pequenina, to delicada... To parecida
com a me.

       Instintivamente, abaixou-se para peg-la.

      Mariella no sabia o que a fizera despertar, talvez o instinto feminino, decidiu
tremendo quando olhou em volta e viu Omar abaixando-se para Fleur.

       Agarrando as cobertas, falou freneticamente:

       -- No ouse machuc-la!

       -- Machuc-la? -- Chocado, ele se virou. -- Como ousa dizer isso quando ela j
foi muito machucada apenas por ter nascido de uma mulher que... -- Incapaz de
expressar seus sentimentos, ele comprimiu a boca. -- Suponho que ela esteja
acostumada a se divertir sozinha, enquanto a me dorme sob os efeitos de sua noite
de trabalho!

       Ela no pde conter a fria:

      -- Como ousa dizer tais coisas depois do modo como se comportou? Voc  o
homem mais vil, mais detestvel que j conheci. No tem um pingo de compaixo ou...
Ou responsabilidade.

      Os olhos dela eram mesmo daquela cor, Omar reconheceu incrdulo quando os
observou escurecerem de turquesa para azul-esverdeado.

       Ser que tambm se transformavam naquela cor quando ela estava perdida de
paixo? Ela era to latente nos desejos sexuais quanto era na raiva? E claro que era,
ele sabia disso instintivamente, assim como sabia, tambm por instinto, que se ela
fosse sua...

       -- So quase onze horas, a criana deve estar com fome --disse ele furioso com
sua prpria fraqueza em permitir que tais pensamentos penetrassem-lhe a mente.

       Onze horas? Como podia ser? Perguntou-se Mariella com culpa.

      O quanto antes ela e Fleur voltassem para a cidade, melhor, decidiu quando
Omar saiu do quarto.




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      CAPTULO IV



       Mariella franziu o cenho quando se deparou com a sala vazia do galpo. Onde
estava Omar?

       Um laptop estava aberto e ligado sobre uma mesa dobrvel de acampamento.
Ele obviamente estivera trabalhando ali.

       Ela observou os tapetes caros e os mveis antigos e funcionais e tentou
imaginar sua confusa meia-irm em tal ambiente.

       Tanya era aberta sobre o fato de ser uma garota que adorava o agito da
cidade, frias em locais caros e apartamentos modernos em vez de casas tradicionais.

     Mariella achava quase impossvel visualizar a irm sendo compatvel com um
homem como Omar.

       Tanya o amava, lembrou a si mesma com teimosia, embora fosse difcil imaginar
isso tambm. Ele no tinha nada a ver com o tipo de Tanya. Sua irm gostava de
homens brincalhes, infantis, divertidos.

       Fleur dormia profundamente e Mariella decidiu ir at l fora ver o que estava
acontecendo. No ouvia mais o som do vento, o que felizmente significava que poderia
voltar para a cidade.

      Quando saiu do galpo, confirmou aliviada que o ar estava agora parado e o cu
levemente tingido de ocre. Avistou a Ranger, as laterais cobertas de areia.

      Alm do osis, a vista rochosa da cordilheira era uma escultura.

       Havia algo primitivo e lindo sobre aquele lugar escondido do mundo, reconheceu
ela, vendo-o agora atravs de olhos artsticos e no sob a apreenso de uma viajante
perdida.

        Uma extenso de palmeiras adornava a gua do osis, e alm delas havia uma
rea de grama esparsa. A trilha rochosa pela qual dirigira era mesmo um leito seco de
rio, ela podia ver agora.

      O silncio era quase hipntico.

       Um movimento do outro lado do osis, captado de repente, seu corpo tencionou
quando reconheceu Ornar. No estava vestido com a tnica tradicional, mas sim de
jeans e camiseta.


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      Parecia estar inspecionando algo nas palmeiras, notou ela, vendo-o andar de
uma para a outra.

      Ele se virar das palmeiras agora e estava olhando do outro o do osis,
protegendo os olhos do sol com uma mo.



      A tempestade no enfraquecera as razes de nenhuma das palmeiras, pensou
Omar. No havia razo para que no retornasse ao galpo e continuasse seu trabalho.

       Mas no podia voltar para dentro. No enquanto ainda estava visualizando
Mariella deitada na cama... Na sua cama...

      Irritado, tirou a camiseta, rapidamente seguida pelo resto roupas, e comeou a
caminhar para dentro da gua.

       Mariella no podia se mover. Tencionou os msculos, mal ousando respirar
enquanto lutava para repelir as sensaes que a invadiram quando o olhar absorveu a
beleza da nudez de Omar.

       Como artista, tinha conscincia total das complexidades e da beleza da forma
humana. Visitara Florena e ficara extasiada a, estudando as pinturas e esculturas dos
grandes mestres, agora se dava conta de que estava vendo a maior obra de arte de
todas!

       Ele estava entrando na gua, a luz do sol brilhando sobre a pele bronzeada. Pela
naturalidade dos movimentos, com certeza aquela nudez era normal para ele.

      E a maneira como os msculos das pernas se flexionaram quando comeou a
nadar? Ela tentou desviar os pensamentos devassos que tomaram conta de sua mente.
Em vo. Os olhos simplesmente se recusavam a abandonar aquela pele dourada pelo sol,
amarrada por msculos rgidos e de uma desenvoltura de tirar o flego.

      Apenas o bumbum era levemente mais branco, de formato masculino e com
msculos que enlouqueceriam...

      Ela tremeu violentamente, sentindo que estava mergulhando num mar de
sensaes profundas e perigosas, do qual parecia impossvel se libertar.

        Continuando a observ-lo nadando jardas e mais jardas atravs da gua do
osis, sentiu-se chocada e furiosa com sua vulnerabilidade. A parte mais feminina de
seu corpo doa agora, atormentada por necessidade. Aquela percepo destrua todas
suas crenas anteriores sobre si mesma.



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       No era possvel que desejasse Omar! Mas aquelas mensagens impiedosas que
seu corpo acabara de lhe dar... No podiam ser negadas.

       Enojava-a pensar que desejava um homem que magoara tanto sua irm, um
homem que Tanya ainda amava e muito. Tal sentimento era uma traio a tudo que ela
mais se orgulhava sobre si mesma. Era inconcebvel que aquilo estivesse acontecendo,
assim como tambm era inconcebvel que ela, uma mulher que tinha tanto orgulho de
sua habilidade de controlar mentalmente o lado sexual e emocional de sua natureza,
pudesse se permitir sentir tanto... Tanto...

       Ela finalmente conseguiu desviar o olhar do osis.

      Vamos, admita. Est to sedenta por esse homem que o deixaria fazer o que ele
bem quisesse com voc aqui e agora. Voc o encorajaria, o excitaria...

       Desesperada, meneou a cabea tentando reprimir os pensamentos indesejados,
a atormentadora voz interior que zombava dela to abertamente.

      Voltou para dentro do galpo e, rapidamente comeou a arrumar suas coisas.
No queria estar l quando ele voltasse.

      No ousaria, no suportaria encar-lo. Na verdade, nunca mais queria nem ao
menos ver aquele rosto novamente.

       Nunca imaginara que pudesse existir algum que a fizesse se sentir to
ameaada pelos prprios sentimentos. Rubra e nervosa, juntou as coisas de forma
catica.

       Primeiro colocaria as coisas no carro e por fim acomodaria Fleur na cadeirinha,
indo direto para o hotel, sem parar no caminho.

       Ela respirou fundo. Quando chegasse l, sem dvida recuperaria o bom senso e
pensaria em Omar apenas como o homem que trara sua irm, o homem que era o pai de
Fleur!

       O vento estava comeando a dobrar as palmeiras quando ela saiu do galpo,
mas, atenta em pr as coisas na Ranger com rapidez, no notou.

       Da gua, Omar notou a movimentao e a assistiu, incrdulo, lutar com a pesada
porta do veculo, enquanto enfiava as sacolas que ele levara para dentro da casa no dia
anterior.



       Pronto! Agora tudo que ela tinha que fazer era pegar Fleur e ento podia ir


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embora, enquanto Omar estava ocupado nadando. E de qualquer forma, se ele quisera
nadar tanto assim, por que no colocara... Bem, alguma coisa? Por que tivera que expor
seu inegvel corpo sexy daquele jeito?

       Mergulhada nos pensamentos, entrou para apanhar Fleur.

      -- Vamos, meu lindo beb -- sussurrou ela carinhosamente, enquanto
embrulhava Fleur. -- Ns duas vamos...

       -- A lugar nenhum!

       Virando-se, plida e agarrando Fleur de modo protetor, Mariella o encarou. A
camiseta estava colada ao corpo molhado e ela no pde evitar deslizar o olhar
indiscretamente pelo resto do corpo dele. O que fez seu corao disparar
violentamente.

       Ele estava parado na porta, bloqueando-lhe a sada, mas em vez de registrar
aquele importante fato primeiro, os sentidos dela pareciam estar mais preocupados
em fazer uma anlise de como ele ficava vestido em comparao ao jeito que
estivera... Antes!

        Lembrando a si mesma que era adulta, madura, acostumada a dirigir a prpria
vida, e no aquela desequilibrada com os hormnios em turbilho, levantou o queixo e
falou com determinao:

       -- Vou levar Fleur de volta para a cidade e no h como voc me impedir. E de
qualquer forma, no posso imaginar por que quer que fiquemos depois do modo como
voc se comportou. Das coisas que falou!

      -- Querer que vocs fiquem? No, eu no quero -- confirmou ele, com frieza. --
Mas infelizmente tero que ficar, a menos que,  claro, voc queira condenar a si
mesma e ao beb a uma morte quase certa.

       Ela o encarou. O que ele queria dizer com aquilo? Estava tentando amea-la?

       -- Estamos indo embora -- repetiu ela, dirigindo-se para a sada e tentando
ignorar tanto as fortes batidas do corao quanto o fato que o homem estava
prostrado no caminho.

       -- Voc est louca? No andaria nem vinte quilmetros antes de ser enterrada
por uma corrente de areia. Se achou que o vento daqui estava forte, bem, deixe-me
lhe dizer que no foi nada comparado ao que est soprando l agora.

       Ela respirou fundo.



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       -- Acabei de ir l fora. No est ventando -- murmurou ela, espaando cada
palavra com cuidado. -- A tempestade acabou.

        -- E, sem dvida, sendo uma especialista das condies climticas, voc sabe
disso. Para sua informao, o motivo pelo qual no h mais vento, como voc coloca, 
porque estamos, ou melhor, estvamos no recesso da tempestade. E qualquer um que
conhea alguma coisa sobre o deserto, sabe disso. No sentiu a imobilidade do ar? No
notou a neblina de tom bronze no cu?

       -- Voc est mentindo -- replicou teimosa, determinada a no deix-lo vencer.
-- Voc quer nos manter aqui porque...

      Quando ela parou, ele a olhou de maneira irrisria.

      -- Quero manter vocs aqui porque...

      Porque voc sabe quo desesperadamente eu o quero e se sente da mesma
maneira, uma vozinha traidora sussurrou na mente de Mariella.

      Dando de ombros, ela tentou voltar  realidade.

      -- Voc est mentindo -- repetiu, olhando com rebeldia para a sada.

       -- Estou? -- Movendo-se para o lado, ele abriu a porta do galpo para que ela
visse do lado de fora.

      As palmeiras estavam se curvando tanto com a fora do vento, que as folhas
roavam a areia do solo.

      Olhando incrdula, ela notou as enormes espirais de areia danando de forma
ameaadora.

      Com ousadia, deu um passo para fora e gritou em choque quando o vento quase
a derrubou. Em seus braos, Fleur chorou e foi imediatamente removida para a
proteo de braos mais fortes e mais seguros, quando Omar tirou o beb do colo
dela.

      O pensamento do que teria acontecido se fossem pegas pela tempestade no
caminho, retirou toda a cor do rosto de Mariella.

      -- Agora voc acredita em mim? -- perguntou Omar, fechando a porta.

        Aproximando-se para recuperar a posse de Fleur, ela, sem querer, roou os
dedos na camiseta molhada dele. Ento puxou a mo com tanta fora que quase perdeu
o equilbrio.


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       Imediatamente Omar a segurou com o outro brao para firm-la. Assim parecia
quase como se estivesse abraando a ambas, mantendo-as seguras.

       Contra toda racionalidade, dado ao que sabia sobre ele, Mariella descobriu que
seus olhos queimavam com lgrimas de emoo. Afastando-se, indagou:

      -- Quanto tempo essa tempestade vai durar?

       -- No mnimo vinte e quatro horas, talvez mais. Uma vez que a tempestade
bloqueia qualquer sinal de comunicao, no d para saber. Tempestades assim so
raras nessa poca do ano, mas quando ocorrem so imprevisveis e fortes.

      Assim como voc, pensou ela, tirando Fleur dos braos dele.




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       CAPTULO V



       Oito da noite.

       Levantando-se da cama onde estivera lendo um dos livros de pesquisa que
levara para Zuran, Mariella foi dar uma olhada em Fleur.

        A pequenina estava acordada, mas tranqila. Mariella abriu-lhe a boca para ver
o pequeno dentinho que j comeava a despontar. O medicamento parecia realmente
ter aliviado a dor que o beb sofrer na madrugada.

      Mariella se retirara para o quarto naquela tarde, desesperada para escapar da
atmosfera carregada da sala de estar.

       Tomara-se impossvel olhar para Omar sem imagin-lo... Magnificamente nu.

        Ele levara de volta para o quarto as coisas que ela carregara para o carro,
inclusive o livro que acabara de ler.

       Com o pretexto de que Fleur precisava de uma soneca, ela se recolhera no
quarto e permanecera l desde ento.

       Como Kate dissera, a coleo de cavalos do prncipe era de grande prestgio.

       Pegando agora o bloco, comeou a esboar detalhes especficos da anatomia
dos cavalos rabes de puro-sangue.

       Aqueles incrveis msculos que davam poder a cada movimento... O lpis estava
fluindo no papel quando a concentrao foi quebrada por Fleur, exigindo ateno.

       Sorrindo, ps de lado o bloco e ento corou em total perplexidade quando olhou
para o que desenhara.

     Como aquilo acontecera? Como conseguira desenhar no um cavalo, mas um
homem... Omar... Nadando, o corpo nu, os msculos poderosos.

       Com culpa, ela virou a folha do outro lado.

       Pegou Fleur, prendeu-a no carrinho com o cinto de segurana e levou-a para a
cozinha.

      -- Olha que jantar delicioso voc vai ter -- sussurrou para Fleur enquanto
preparava a papinha.


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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan

      Sua inteno era levar Fleur de volta para o quarto e aliment-la l, mas ento
mudara de idia.

      A menina era filha de Omar, afinal. Talvez ele devesse ver o que estava
perdendo, no a reconhecendo como filha.

       Ele ainda estava trabalhando no laptop quando ela empurrou o carrinho de Fleur
para a sala, a fim de aliment-la ali.

       Era um beb forte e saudvel, com bom apetite, e no parecia mais aborrecida
pelo dente que surgira.

       Absorta em sua tarefa agradvel, Mariella no se deu conta que Omar parar
de trabalhar e virara-se para observ-las.

       -- Ela tem o seu nariz -- comentou ele de repente. Ela e Tanya tinham o mesmo
formato de nariz, herdado da me. Fleur tinha o nariz delas, mas de acordo com
Tanya, os lindos clios grandes do pai.

       Mariella sentiu o rosto comear a queimar. O que havia sobre um certo tipo de
homens que os capacitava a se comportar com tanta displicncia em relao  prpria
filha?

       O modo como Omar estava se comportando com Fleur lembrava muito o jeito
que seu pai comportara-se em relao a ela, que sabia bem como era crescer se
sentindo rejeitada por um pai e no suportaria ver a mesma coisa acontecer com Fleur.

       Ele teria que enxergar que o beb era sua responsabilidade.

       E aquilo no tinha nada a ver com dinheiro, reconheceu ela, e sim com emoo.

       Fleur terminara a papinha e estava comeando a adormecer.

       Curvando-se, Mariella beijou-lhe a face carinhosamente, ento se dirigiu para a
cozinha a fim de lavar a loua que sujara.

       Sozinho com a criana, Omar estudou-a mais atentamente.

       A semelhana com a me era notvel, mas no podia ver nenhuma com Khalid.

       Profundamente adormecida agora, Fleur tremeu um pouquinho.

        Imediatamente Omar abaixou-se para ela. Noites no deserto podiam ser
incrivelmente frias. O beb parecia aquecido, mas talvez precisasse de um cobertor
extra.



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Uma noite Com o Sheik                                                    Penny Jordan

      Ouvindo Mariella na cozinha, ele foi para o quarto buscar um cobertor extra.

       Mariella deixara o bloco de layout sobre a cama e ele notou o desenho de
imediato.

       Franzindo o cenho, pegou-o, analisou-o mais de perto e ento se inclinou sobre
o moiss para pegar o cobertor.

      Naquele exato momento, Mariella entrou no quarto, fazendo uma parada
abrupta quando o viu sobre o moiss.

      -- Onde est Fleur? -- perguntou ela, imediatamente. -- O que...

       -- Est dormindo tranqilamente onde voc a deixou -- respondeu ele,
acrescentando: -- Olhando para ela, posso ver claramente a semelhana entre vocs
duas, mas quanto a semelhana dela com o suposto pai...

      Bastava para Mariella.

      -- Como voc pode negar seu prprio sangue? -- exclamou, amargamente. --
No posso imaginar como alguma mulher j desejou voc, muito menos...

      Antes que ela pudesse dizer "Tanya", ele a interrompera com uma pergunta:

      -- Verdade? Ento, o que significa isso?

      Ela sentiu o ar se esvair dos pulmes quando ele levantou o bloco de rascunho.

       Desgosto, vergonha, culpa e raiva fundiram-se numa intensa emoo que a fez
avanar na direo dele, a fim de tirar-lhe o desenho da mo. Mas Omar levantou-o,
tirando-lhe do alcance, enquanto, com a mo livre, segurava-lhe o pulso com fora.

       Furiosa, ela redobrou os esforos, lanando-se para cima dele, e tentando se
liberar do aperto em seu pulso.

      -- Devolva-me isso.  meu! -- insistiu ela sem flego.

       Quando tentou alcanar o bloco, quase perdeu o equilbrio, os dedos curvando
no brao dele, as unhas acidentalmente arranhando-lhe a pele.

       Mariella ficou imvel quando ele de repente derrubou o bloco e agarrou-lhe os
pulsos com ambas as mos.

       -- Outros homens podem estar dispostos a deixar voc agir desta maneira, mas
eu no -- declarou ele.



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Uma noite Com o Sheik                                                 Penny Jordan

       Ela podia sentir a beirada da cama atrs das pernas enquanto se contorcia
freneticamente na tentativa de se libertar, mas Omar estava se recusando a solt-la
e, subitamente, ela estava deitada na cama, com ele arqueando-se sobre seu corpo,
segurando-a firme.

       Estava bravo, reconheceu ela quando viu o intenso brilho acinzentado dos olhos
dele, mas seus sentidos tambm estavam lhe dizendo uma outra coisa. Um tremor
selvagem percorreu-lhe o corpo quando percebeu que essa outra coisa no tinha nada a
ver com raiva.

      Omar a desejava! Ela podia sentir...

      Uma sbita tenso preenchera o ar.

       Aquilo era destino, decidiu Omar, uma oportunidade de ouro dada a ele para
provar ao primo que aquela mulher no merecia o amor dele. Mas estranhamente,
quando abaixou a boca nos lbios de Mariella, no era seu dever para com o primo que
lhe preenchia os pensamentos. A sensao parecia ser a coisa mais perigosa que j
vivenciara.

       Aquilo estava errado, completamente errado. O pior tipo de traio, pensou
Mariella enquanto o corpo todo enviava uma mensagem de angstia e desejo.

      A boca de Omar era quente e a possesso era to forte e exigente quanto ela
esperara.

       Sem poder evitar, seu corpo tremeu em resposta  lngua quente de Omar
trilhando sobre seus lbios fechados, exigindo entrada. Em algum momento ela
levantara as mos e o segurara pelos ombros. Para empurr-lo ou para pux-lo para
mais perto?

       Quando ele mordiscou-lhe o lbio inferior, a resistncia de Mariella
desapareceu. Assim como a vergonha e culpa de seu interior. De alguma forma, alm da
percepo consciente, sabia que estivera esperando durante muito, muito tempo, por
aquele momento... Por aquele homem.

       Os olhos de Mariella, magnficos na intensidade da emoo, mudaram de
turquesa para azul-esverdeado. Omar estava hipnotizado pelo brilho deles. Como
aquela cor to fria podia emanar tanto calor?

      Sem saber o que estava fazendo, ela apertou-lhe os braos quando sentiu os
movimentos quentes da lngua dele.




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       Tentando negar o que estava sentindo, afastou-se de sbito, consciente de
assim salvar a ambos do pior tipo de traio. Mas tendo presenciado o abandono dela,
Omar recusou-se a solt-la, pressionando-a na cama com o peso de seu corpo,
fazendo-a gemer de desejo contra os lbios dele.

      A boca de Omar deslizou, explorando-lhe a curva do queixo e a pele macia do
pescoo. A sensao da boca quente contra sua pele, a fez arquear o corpo inteiro,
tremendo de um prazer agonizante.

       Apenas alguns beijos, aquilo era tudo... Entretanto, se sentia possuda por ele,
ardendo por dentro, como se o homem a tivesse tocado muito mais intimamente. O
desejo que sentia era to agudo, que no ousou imaginar como ia se sentir quando ele a
tocasse mais intimamente. Porm, ao mesmo tempo, sabia que se ele no o fizesse...

       Quando Omar cobriu-lhe os seios com as mos, ela gemeu, incapaz de se conter.
Ento ouviu o gemido dele em resposta e de repente ele tirou a mos de seus seios e
comeou a se despir rapidamente. Foi a vez de ela gemer, o corpo consumido por uma
necessidade de ficar completamente nua para aqueles toques...

       Quando ele removeu-lhe as roupas, uma onda de pnico a assolou, levando-a
cobrir os seios nus de maneira protetora. Mas ele foi muito rpido, segurando-lhe os
pulsos e comprimindo-lhe as mos, uma de cada lado da cabea. Ento estava de
joelhos sobre ela.

       Mariella sentiu a resposta sedenta de Omar quando ele fitou seus seios
expostos. Um desejo pecador a percorria em ondas frenticas enquanto o assistia
explorar cada um dos bicos enrijecidos com o calor mido da lngua.

       Deitada, completamente sem poder sob o corpo msculo, sentiu sua
feminilidade doer de excitao e fechou os olhos.

       Ondas lentas e profundas de desejo a faziam contorcer-se sob os movimentos
erticos da lngua dele contra seus seios.

       Ento os joelhos msculos estavam entre suas coxas, entreabrindo-lhe as
pernas. O membro quente suplicava passagem, movimentando-se com urgncia contra a
umidade de seu centro feminino.



       Omar estava se perdendo no que aquela mulher o fazia sentir, o autocontrole
ameaado de ser destrudo. S a viso dos seios, os bicos rseos e rgidos, o
enlouqueciam de vontade de possu-la, de complet-la e preench-la, de completar a si
mesmo naquele ato.



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       No momento em que lhe soltou os pulsos, Mariella o puxou impacientemente
para si, entorpecida de desejo. Enquanto roava o corpo no dele, acariciava-lhe as
costas, subindo as mos at a cabea. Os dedos estavam agora entrelaados naqueles
cabelos sedosos que ela, antes, tanto desejara tocar.

       Sob as mos delicadas, o corpo musculoso se contorcia de prazer, impaciente
para se tornar parte dela.

       Omar a abraou forte, beijou-lhe ardentemente a boca, o pescoo e a orelha
enquanto pressionava, em movimentos explcitos, sua masculinidade rgida contra as
coxas dela.

       Aquilo era mais do que Mariella podia suportar.

       Ansiosamente, enlaando a cintura dele entre as pernas, ela se entregou,
abrindo-se a ele. Ento gemeu alto quando ele a penetrou, cada movimento poderoso e
seguro, forte e urgente.

      A dana sensual dos corpos foi se tornando cada vez mais frentica at que,
sob gemidos e espasmos de ambos, o mundo parecia ter se partido ao meio.

      -- Alm da filha dele, meu primo lhe deu isso? Ele a fazia sentir-se desse jeito
quando a abraava? Quando a possua? Quando a amava? Foi assim entre vocs dois
quando fizeram Fleur?

       O corpo de Mariella enrijeceu.

      -- Entregou seu corpo a ele to facilmente quanto o entregou a mim? Quantas
centenas de homens voc j teve?

       Com um gemido incrdulo, ela se afastou de Omar, o crebro no associando o
que ele estava dizendo, o corpo e emoes em tamanho choque, que tir-lo de dentro
de si deu-lhe a sensao de que estava fisicamente morrendo.

        A rejeio dela o atingiu no mago. Queria pux-la de volta para seus braos,
ao lugar onde ela certamente pertencia, rolar por cima dela outra vez e preench-la
com a certeza daquele momento, fazendo-a admitir que nunca sentira ou sentiria nada
igual ao que haviam acabado de compartilhar, com nenhum outro homem. A intensidade
de suas emoes o chocou. Fizera aquilo tudo pela segurana de Khalid, para proteg-
lo, lembrou a si mesmo. E para reforar o fato, falou:

      -- Agora voc j me provou quem , e quando Khalid souber com que disposio
entregou-se a mim, entender como eu estava certo em aconselh-lo contra voc.

       Ele a levara para a cama por causa disso? Para que pudesse denunci-la para um


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outro homem?

       Na sala, Fleur comeou a chorar. Vestindo as roupas, Mariella apressou-se a v-
la, pegando-a no colo e abraando-a apertado, como se o ato pudesse, de alguma
forma, aliviar a dor que sentia. Estava tremendo da cabea aos ps, no s pela
sensualidade entre os dois, mas pelo que acabara de descobrir.

       Fleur no era filha de Omar! O primo de Omar era o pai do beb. Mas Omar
acreditava que ela era a me de Fleur. E por causa disso a levara para a cama, por
conta de um desejo frio e desprezvel de provar ao primo que ela era uma... Uma
devassa que se entregava a qualquer homem!

       O destino fora duplamente amvel com ela, pensou. Primeiro assegurando-a de
que no trara sua irm, e segundo, dando-lhe uma prova sem controvrsias de que tipo
de homem era Omar!




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      CAPTULO VI



       Quando entrou no bangal do Beach Clube, Mariella suspirou aliviada. O
primeiro suspiro de alvio desde que deixara o osis.

       Agora que estava segura ali, talvez pudesse pensar nos acontecimentos das
ltimas quarenta e oito horas. Tranc-los numa gaveta selada com a seguinte marca:
"Esquecer para sempre".

       Mas como qualquer ser humano seria capaz de esquecer um ato to
deliberadamente cruel como o que Omar cometera contra ela?

       Se fosse um tipo diferente de mulher, poderia ter tido prazer em saber que,
por mais que ele tentasse negar, desejara-a fisicamente. Instintivamente ela sabia
que ele ficaria humilhado por isso, e se algum homem merecesse ser humilhado, esse
homem era Omar.

      S pensar nele era o bastante para que cerrasse os punhos com raiva. Como ele
pudera pensar que ela era capaz de uma coisa daquelas?

      Mas o fato de acreditar que Omar fora o amante de Tanya no a impedira...

      Levaria a culpa e a vergonha para o tmulo, pensou.

       A luz de mensagem no telefone do bangal estava piscando, indicando que ela
recebera vrios telefonemas. Todos do assistente pessoal do prncipe, descobriu
verificando-os. Antes de responder, a primeira coisa que pretendia fazer era ligar
para sua irm e checar se no interpretara Omar errado, deduzindo que ele no era o
namorado de Tanya ou o pai de Fleur.



       Aps vrias tentativas de falar com Tanya, sua irm finalmente atendeu, sem
flego e irritada.

       -- Sinto muito, Mari -- desculpou-se, rapidamente. -- Mas as coisas esto uma
loucura por aqui e... Olhe, no posso falar agora. Fleur est bem?

       -- Fleur est tima. O primeiro dentinho rompeu. Mas Tanya, h uma coisa que
preciso saber. Preciso saber o nome do pai de Fleur. E muito importante.

      -- Por qu? O que aconteceu, Mari? No posso...



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       Sentindo o pnico da irm, ela respirou fundo.

       -- Se voc no quer contar, Tanya, tudo bem. Mas diga-me apenas que o nome
dele no  Omar.

       -- Quem? -- perguntou Tanya em tom agressivo. -- Omar? O horrvel primo de
Khalid? E claro que ele no  o pai de Fleur. Eu o odeio. Foi o grande responsvel por
me separar de Khalid. Ele no acha que sou boa o bastante para o primo. De qualquer
forma, como voc sabe sobre Omar, Mari? Ele  um homem arrogante, antiquado e
moralista! Olhe, tenho que ir. Mande beijos e todo meu amor para Fleur.

       Tanya terminou a ligao antes que Mariella pudesse det-la. Mas pelo menos
confirmara que Omar no era o pai de Fleur. Determinada, voltou a ateno para as
mensagens. O prncipe retornara a Zuran e queria v-la.



       -- No se preocupe -- o assistente pessoal do prncipe assegurou Mariella
quando ela telefonou explicando seu desaparecimento. --  que o prncipe estar dando
um caf da manh beneficente e queria convidar voc. Sua Alteza est muito
entusiasmado sobre o projeto de ter os cavalos pintados, mas  claro que isso  algo
que vocs discutiro formalmente, num encontro posterior. O caf da manh  um
evento de prestgio e seria um bom momento para um primeiro contato.

      -- Parece maravilhoso -- respondeu ela. -- Porm, h um pequeno problema. Eu
trouxe minha sobrinha de quatro meses para Zuran, como o prncipe sabe.

       -- Isso no ser problema nenhum -- veio a resposta imediata. -- Instalaes
de creche foram providenciadas, com babs altamente treinadas para atender.
Enviarei um carro para buscar voc e o beb.

       Ela j participara de eventos sociais a convite de seus clientes, incluindo uma
elegante viagem  Frana para um torneio de turfe em Longchamps. Lembrando-se da
sofisticao das roupas usadas, suspeitou que teria que ir s compras.



      Duas horas depois, sentada e tomando um caf no maravilhoso Zuran Shopping
Center, Mariella sorriu quando contemplou sua coleo de sacolas de compras.

        A maior delas tinha o nome uma loja exclusiva de bebs onde comprara duas
lindas roupinhas para Fleur.

      Para si escolhera um chapu extremamente feminino, um par de sandlias
prata, com saltos absurdamente altos, porm irresistvel, que combinaria


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perfeitamente com o vestido turquesa de seda que levara na mala. E tambm uma
bolsa da mesma cor, que por incrvel que parecesse, tinha o desenho de um cavalo
galopando, bordado em lantejoulas e contas.

       E o melhor de tudo, conseguira no pensar sobre Omar. Bem, quase! E quando
pensara fora para reiterar a si mesma que mau-carter ele era, e como ela tinha sorte
de que tudo que fizera fora um ato impensado, uma loucura momentnea, que nunca
seria repetida. Afinal, no havia perigo de tornar-se emocionalmente vulnervel a
qualquer homem, no com o comportamento do pai para relembr-la do perigo de se
apaixonar. E muito menos por um homem como Omar!

       Tendo bebido o caf, pegou as sacolas e empurrou o carrinho de Fleur at o
ponto de txi.

      Fora um longo dia. Dormira mal na noite anterior, deitada na cama de Omar, os
pensamentos e as emoes em turbilho. Ento houvera a longa viagem de volta a
Zuran depois que suas preces foram atendidas e a tempestade cessara. Agora no
eram nem oito da noite e j estava bocejando.



       Omar andava pela sala do galpo. Sabia que deveria estar feliz por sua solido e
pelo fato de que a mulher partira. E  claro, no teria nenhum remorso em contar a
Khalid com que facilidade e rapidez ela trara o "amor" que alegara ter por ele.

       A dor que sentia no corpo no momento no significava nada e logo passaria. Mas
e se Khalid se recusasse a escut-lo? E se apesar de tudo, seu primo insistisse em
continuar a relao com ela?

       Se Fleur era a filha de Khalid, ento era certo que ele a ajudasse
financeiramente. Omar tentou imaginar como se sentiria se Khalid estabelecesse sua
amante e filha numa casa em Zuran. Como se sentiria se soubesse que seu primo
estava vivendo com ela, compartilhando uma casa... A cama com ela?

       Irritado, abriu a porta e saiu. At o ar dentro do galpo estava envenenado
pelo perfume de Mariella. Os olhos azuis, a pele alva, a delicada estrutura ssea, a
extraordinria resposta apaixonada que o enlouquecera, levando-o para o limite de seu
controle, para um lugar onde nunca estivera antes. A sensao doce e quente dentro
dela, como se nunca tivesse tido outro amante, muito menos uma filha! No era de se
admirar que o pobre Khalid tivesse ficado to apaixonado.



       Fleur estava certamente atraindo muita ateno, pensou Mariella orgulhosa



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quando as pessoas viravam-se para olhar o beb em seus braos, inconsciente do fato
de que era sua prpria aparncia que estava atraindo olhares de muitos membros da
multido elegantemente vestida que preenchia o ptio do estbulo.

       Seu vestido de seda fora originalmente comprado para o casamento de uma
amiga, a estampa leve, em cores que iam do azul-gua at o turquesa. Sobre ele, para
cobrir os braos nus, vestira um cardigan de veludo no mesmo tom.

       Um jovem charmoso, membro da equipe do evento, recebera-a  porta da
limusine que fora enviada para apanh-la. Agora a estava levando para apresent-la ao
prncipe.

      O estbulo era imaculado e os cavalos de raa pura nas baias eram as
verdadeiras estrelas do evento. O caf da manh seria servido nas reas do pavilho
ornamentado, no fim do qual ficava a creche, conforme Mariella fora informada.

       Os msculos do estmago se contraram quando ela viu o enorme grupo a sua
frente. Pessoas de poder e prestgio, todas com o mesmo ar de confiana, pensou
quando a multido se abriu e o homem no centro virou-se para olh-la.

      -- Srta. Sutton, este  Sua Alteza Real. -- O jovem que a escoltava
apresentou-a ao prncipe.

       -- Srta. Sutton! -- A voz era amistosa, mas ela no perdeu o olhar detalhado
que ele lhe deu.

      -- Muito prazer, Alteza -- respondeu com uma pequena inclinao da cabea.

       -- Fiquei muito impressionado com seu trabalho, Srta. Sutton, embora tenha de
dizer que, especialmente no caso do meu amigo e rival, sir John Feinnes, voc foi
generosa na estatura e msculos que deu ao campeo dele.

      Mariella sorriu.

      -- Apenas expresso na tela o que vejo como artista, Alteza.

       -- Ento espere at que veja meus animais. Eles so o resultado de um
programa de criao que levou anos de trabalho duro, e quero que sejam pintados de
um jeito que faa jus  total magnificncia deles.

      E  sua tambm, pensou ela, mas no disse.

       -- Meu amigo tambm me contou que voc tem idias muito inovadoras... Estou
na fase dos toques finais numa rea cercada exclusiva em nosso hipdromo, o qual
levar o nome de minha famlia, e me ocorre que poderia haver uma oportunidade l


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para... -- Ele parou. -- Bem, agora no  hora de discutir negcios. Chamei-a aqui como
minha convidada, para que possa conhecer alguns dos nossos cavalos informalmente.

       Fleur, que estivera observando ao redor em silncio, de repente virou a cabea
e sorriu para ele.

       -- Sua filha  linda -- elogiou ele.

       --  minha sobrinha -- corrigiu Mariella. -- Estou cuidando dela para minha
irm. Acho que minha agente lhe explicou.

       -- Claro. Agora me recordo da meno a um beb.

       Alguns outros convidados estavam esperando para serem apresentados ao
prncipe, e ela afastou-se para o lado discretamente.

       -- Se voc quiser levar o beb para a creche... -- ofereceu o assistente do
prncipe, educadamente.

       Com firmeza, Mariella meneou a cabea. A menina estava sob sua
responsabilidade e preferia mant-la consigo pelo mximo de tempo possvel. Alm
disso, com todo aquele movimento, seria impossvel esboar qualquer desenho
preliminar dos animais.



       Estudando a multido no ptio de corrida do prncipe, Omar se perguntou o que
estava fazendo l. Aquele tipo de evento social era algo que evitava a todo custo. Era
muito mais o estilo de Khalid. Se o primo no tivesse abandonado tudo e partido,
estaria com certeza ali, no lugar dele. Porm, uma vez que Omar estava envolvido em
negcios com o prncipe, sentira obrigao de comparecer ao caf da manh
beneficente, principalmente porque era para caridade de uma organizao que ele
apoiava totalmente.

       Diversas pessoas j o haviam parado para conversar, incluindo vrios membros
da famlia real, mas agora, sentindo a misso cumprida, j estava prestes a partir. Foi
ento que, de repente, avistou um brilho de seda azul-turquesa entre a multido.

       Desconfiado, comeou a andar atravs do grupo tumultuado.

       Pessoas estavam comeando a dirigir-se ao pavilho onde o caf da manh seria
servido, mas Mariella hesitou, suspeitando que agora seria diplomtico deixar Fleur na
creche. Ela olhou ao redor, tentando localizar o assistente do prncipe.

       Omar a viu antes que ela o visse, sentindo-se furioso quando se deu conta de


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que suas suspeitas haviam sido confirmadas. Era ela! E ele no teve dificuldades para
adivinhar o que estava fazendo l! Alguns dos homens mais ricos de Zuran estavam
presentes, e provavelmente a maioria deles ficaria tentado pela viso daquele corpo
lindo. Do chapu de palha e tule at as unhas dos ps pintadas de cor-de-rosa, ela
parecia uma figura inocente de vulnerabilidade. Como podia usar uma sandlia to
frgil e delicada quando carregava uma criana no colo?

       -- Muito encantador v-la aqui e com acessrios europeus da ltima moda.

       -- Omar! -- Mariella sentiu as pernas tremerem sob os saltos altos, enquanto o
olhava atnita.

       -- No sei como voc conseguiu passar pela segurana -- murmurou ele com
cinismo. -- Mulheres que vendem favores a homens endinheirados so normalmente
deixadas fora de tais eventos.

       Mulheres que vendem favores! A condenao a feriu, no apenas seu orgulho,
mas o senso de proteo a Tanya. Sabia que se aquela conversa fosse continuar, teria
que explicar que no era a me de Fleur, mas no momento deveria ir para o pavilho a
fim de tomar o caf da manh. Estava l a negcios e no arriscaria perder o trabalho,
discutindo com Omar na frente do prncipe.

       -- Recuso-me a falar com voc se vai ser to rude -- disse ela. -- Agora, se me
der licena, devo juntar-me aos outros. -- Um flash de luz a sua esquerda a fez gemer
quando percebeu que um fotgrafo acabara de capturar os dois na cmera.

       -- No pense que no sei o que voc est fazendo aqui -- acusou ele de modo
desafiador. -- Voc sabe que Khalid vai voltar ao bom senso e perceber quem voc
realmente . Ento por que no comear a procurar logo algum para substitu-lo, e
financi-la, no ?

       Financi-la! Aquilo era inacreditvel.

       -- Para sua informao, no preciso que ningum me financie. Sou uma mulher
independente. -- Ela deu-lhe as costas e comeou a se afastar. Ento tencionou quando
sentiu um toque no brao, mas quando olhou para trs era o assistente do prncipe.

      -- O prncipe gostaria que voc se sentasse  mesa dele para o caf, Srta.
Sutton -- anunciou. -- Se quiser que eu a leve  creche antes...

       Furioso, Omar a viu desaparecer na multido. Como a mulher ousava mentir,
dizendo-lhe que era financeiramente independente, quando sabia que ele conhecia a
verdade sobre ela? Era a pessoa mais enganadora e maquiavlica que ele j conhecera,
e seria um tolo se desperdiasse um mnimo pensamento com ela!



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Uma noite Com o Sheik                                                   Penny Jordan




       A conversa em volta da mesa do caf da manh era muito cosmopolita, decidiu
Mariella ouvindo as mulheres discutindo os melhores spas do mundo, enquanto os
homens debatiam os vrios mritos de criar cavalos puros-sangues.

      Depois que o caf terminou e as pessoas comearam a partir, o prncipe
aproximou-se dela.

       -- Meu assistente ir lhe telefonar para marcarmos uma reunio e discutirmos
sobre a minha criao de cavalos -- disse ele.

        -- Eu estava pensando se seria possvel visitar sua nova rea cercada -- sugeriu
ela. -- Ou, se no houver possibilidade, talvez ver o projeto.

       Ela tivera o princpio de uma vaga idia que, se o prncipe aprovasse, seria
inovadora, mas primeiro precisava ver a rea cercada e saber se funcionaria.

       -- Certamente. Arranjarei isso para voc.

       Quando ele a acompanhou at a sada, ela viu Omar parado a alguns metros de
distncia, o rosto comeando a queimar quando ele olhou para o prncipe e ento,
deliberadamente, a mediu devagar e de modo insolente, acessando-a como se... Como
se ela fosse um pedao de... De carne que ele estivesse pensando em comprar,
reconheceu.

       -- Alteza!

       -- Omar!

       Depois que os dois homens se cumprimentaram, Omar olhou para ela.

       -- Onde est Fleur?

       -- Estou indo apanh-la na creche -- respondeu ela, friamente.

       -- Voc conhece  Srta. Sutton, Omar? Eu no sabia. Estou prestes a me
beneficiar de seus excepcionais servios, e ela me prometeu alguma coisa
extremamente inovadora.

       Mariella recuou quando reconheceu, atravs da expresso de Omar, como ele
interpretara as observaes do prncipe. Pedindo licena, ela se afastou dos dois, mas
para sua consternao, Omar s lhe permitiu alguns passos, antes de alcan-la e
segur-la pelo brao.




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        -- Minha nossa, voc  uma prostituta! O prncipe  famoso pela devoo 
esposa, entretanto fala abertamente sobre entrar numa relao com voc!

       Ela no honrou aquilo com uma resposta. Em vez disso, sorriu com cinismo e
falou docemente:

       -- Viu, voc no precisava ter todo aquele trabalho para proteger seu primo.
No precisa correr para ele agora e contar-lhe sobre seu comportamento srdido em
relao a mim. Afinal, uma vez que ele souber que o prncipe est pagando por minha...
Especialidade...

       -- Voc ousa falar abertamente sobre isso? -- Ela estava apertando-lhe o
brao com as duas mos agora.

       Surpresa, Mariella descobriu que podia ser bem divertido fazer aquele jogo
com ele.

       -- Por que eu no deveria? -- provocou ela. -- Tenho orgulho do fato de minhas
habilidades serem to reconhecidas e de poder ter um sustento muito respeitvel
para mim mesma, empregando-as.

       Quando ele apertou-lhe ainda mais os braos, ela notou a expresso raivosa nos
olhos de Omar.

       -- Voc tem orgulho de ser reconhecida como uma prostituta de alta classe?
Pessoalmente, eu a teria classificado apenas como uma prostituta cara.

       Ela estava a ponto de esbofete-lo quando ele acrescentou:

        -- Se batesse no meu rosto aqui, voc poderia acabar na cadeia, porm se eu
fizer isso...

       Ele a puxou para si e a sujeitou a um beijo selvagem e exigente, arqueando todo
o corpo dela para trs, enquanto lutava contra a retaliao do pequeno corpo frgil.
Ele usou a fora fsica para mostrar-lhe o que ela j sabia, que apesar da raiva, ele
estava fisicamente excitado por ela. Assim como ela estava por ele?

      Ele a liberou to abruptamente que ela quase perdeu o equilbrio. Ento ps a
mo no bolso e retirou a carteira, abrindo-a e oferecendo-lhe dinheiro.

       Plida, Mariella o encarou. No fundo, sabia que o incitara de propsito, mas no
por aquilo.

       -- Pegue! -- ordenou ele.



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Uma noite Com o Sheik                                                 Penny Jordan

      Ela respirou fundo e reuniu o que restava de sua dignidade.

       -- Muito bem -- concordou, calmamente. -- Tenho certeza que a caridade
ficar grata por isso, Omar. Entendo que isso ajude a sustentar crianas abandonadas.

        Ela rezou para que ele pensasse que o brilho em seus olhos fora causado por
raiva e no por lgrimas.

       Silenciosamente, Omar observou-a partir. Seu comportamento chocara a si
mesmo, mas era teimoso demais para admitir isso. E ainda mais teimoso para admitir o
que realmente causara sua atitude.

      Como podia admitir sentir cime de uma mulher como aquela? Poderia
reconhecer que seu desejo de possu-la ia alm, muito alm de um desejo fsico? No.
No podia fazer isso e no pretendia fazer!




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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan


      CAPTULO VII



      -- Um painel? -- O prncipe franziu o cenho quando olhou para Mariella.

        Passaram-se trs dias desde o evento beneficente, e dois desde que ela
visitara a nova rea cercada na propriedade dele.

       Depois do que acontecera com Omar, a tentao de fazer as malas e voltar
para casa fora forte, mas ela recusara-se a ceder a tal tentao.

       No era culpa sua que ele entendera tudo errado. Bem, pelo menos no
inteiramente! E, alm disso, o trabalho que o prncipe estava lhe oferecendo era
atraente demais para ser rejeitado.

       Ento, em vez de se preocupar com Omar, passara aqueles dois dias
trabalhando arduamente na idia que tivera para a nova rea cercada do prncipe.

       -- As paredes curvas so perfeitas para o projeto -- disse ela. -- Eu poderia
pintar seus cavalos ali, numa variedade de formas e movimentos. Falei com seus
treinadores e cavalarios e eles me contaram que cada animal tem personalidade
prpria e pequenos costumes diferentes, ento eu poderia ressaltar as
particularidades deles em cada pintura. Solomon, eu soube, no gosta que ningum o
sele alm do cavalario responsvel por ele. Saladin no sai da baia enquanto seu
tratador no tira seu companheiro de estbulo, o gato, de l de dentro. Shazare no
tolera outros cavalos com luvas brancas, e...

      O prncipe riu.

      -- Posso ver como voc fez bem sua pesquisa e, sim, gosto de sua sugesto.
Contudo, ser um projeto muito grande.

      Mariella deu de ombros.

       -- Sei que voc tinha pensado em diversos quadros, um de cada cavalo. Mas
este painel que estou sugerindo me permitir pintar os animais em tamanho real.

      --  necessrio que esteja pronto para a inaugurao oficial do estbulo.

      -- E quando ser? -- perguntou ela.

      -- Em aproximadamente cinco meses.

      Calculando mentalmente, ela suspirou aliviada. Aquilo lhe daria tempo mais que


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suficiente para terminar o trabalho.

       -- Eu levaria um ms ou dois. A deciso  sua, Alteza -- disse com diplomacia.

        -- D-me alguns dias para pensar. No que eu no goste da idia. Mas preciso
digeri-la primeiro, voc entende.

       Ele precisava de tempo para verificar nos registros, se ela cumprira os prazos,
Mariella sabia. Mas aquilo no a preocupava. Sempre fora extremamente correta na
entrega de seus trabalhos.



       A bab providenciada pelo prncipe para cuidar de Fleur enquanto Mariella
trabalhava sorriu-lhe quando foi apanhar o beb.

       --  um beb encantador -- disse a jovem em tom de aprovao.

       Desde que Mariella voltara ao bangal do Beach Clube, tentava ligar para Tanya
a fim de contar-lhe sobre os progressos de Fleur e tambm sobre seu trabalho, mas
s conseguia acessar o servio de caixa postal de sua irm.

         Se o prncipe lhe desse aquele servio, poderia ganhar o bastante para
assegurar que Tanya no tivesse que trabalhar fora de casa. Sabia que a irm queria
ser independente, mas havia as necessidades de Fleur a serem consideradas, e, alm
disso...

       Iria sentir muita saudade de Fleur quando chegasse a hora de entreg-la de
volta  me, pensou. Estava comeando a se dar conta de que sua determinao de
nunca se envolver num relacionamento permanente iria significar perder a chance de
ser me.



       Um pouco nervosa, alisou o tecido da saia. Fazia meia hora que chegara ao
palcio para ver o prncipe, que ia lhe dar o veredicto se queria ou no que ela pintasse
o painel.

       Uma moa tmida j aparecera para pegar Fleur, e agora Mariella olhava ansiosa
para o relgio. O beb no dormira bem na noite anterior e ela suspeitava que outro
dente estivesse prestes a romper.

       -- Srta. Sutton, Sua Alteza ir receb-la agora.

       -- Ah, Mariella...


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       -- Alteza -- replicou ela quando foi conduzida para a estupenda sala de
audincia.

       Quase imediatamente, um empregado apareceu para oferecer-lhe caf com
biscoitos de mel de aspecto delicioso.

       -- Tenho o prazer de inform-la que decidi aprovar sua idia do painel. O
quanto antes voc puder comear, melhor. Temos muito trabalho a fazer antes da
inaugurao. -- Ento o prncipe franziu o cenho. -- Todavia, h um problema que me
preocupa.

       Ela pensou que ele ainda estava inseguro quanto ao prazo de entrega, mas em
vez de confirmar sua suspeita, o prncipe se levantou e pegou um jornal da mesinha de
centro.

       -- Este  nosso jornal local -- disse ele. -- E a coluna social  a grande vedete.
-- Enquanto falava, ele abria o jornal. -- H aqui uma reportagem sobre o nosso evento
beneficente e, como pode ver, uma foto ntima de voc com o sheik Omar Al Agir.

      O corao de Mariella disparou e as mos tremeram quando estudou a
fotografia que o prncipe estava lhe mostrando.

       Mas aquela foto fora tirada, lembrou-se, quando estava discutindo com Omar!
Por que ento parecia que estavam engajados numa conversa ntima, os lbios
entreabertos, a cabea de Omar abaixada para ela, o olhar fixo em sua boca, enquanto
Fleur, em seus braos sorria feliz para o homem?

       Ela sentiu-se enjoada.

       O artigo que acompanhava a fotografia dizia:

       Quem era a jovem com quem o sheik Omar estava engajado numa conversa to
ntima? O sheik  famoso por suas fortes crenas morais e dedicao a seu papel de
lder da tribo Al Agir, entretanto foi visto recentemente no caf da manh
beneficente do prncipe, envolvido no que parecia ser uma conversa muito particular
com uma convidada em duas ocasies diferentes! Ser que o sheik finalmente escolheu
algum para compartilhar a vida? E quanto ao beb? Seria ele a conexo da
desconhecida com o sheik?



       -- Nesse pas, diferente do seu, uma mulher sozinha com uma criana causa
certa especulao. Fica claro pelo tom do artigo que o reprter acredita que voc e
Omar so pais de Fleur -- falou o prncipe, a voz austera.



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       -- Mas isso no  verdade, Alteza -- protestou ela. -- Fleur  minha sobrinha.

       --  claro. Acredito no que voc est dizendo, mas acho que para sua prpria
segurana, algum tipo de resposta formal precisa ser dada em relao ao assunto.
Motivo pelo qual j instru meu pessoal para entrar em contato com o jornal e dar a
eles os fatos verdadeiros, que Fleur  sua sobrinha e que voc est em Zuran
trabalhando para mim. Espero que isso d um fim ao problema.



        Mariella franziu o cenho quando tentou novamente falar com sua irm e o
celular caiu na caixa postal.

       Por que Tanya no estava retornando suas mensagens?

       Por causa do prazo dos painis, fora decidido que, em vez de ela retornar 
Inglaterra como tinha sido originalmente planejado, permaneceria com Fleur em
Zuran, para que pudesse comear a trabalhar imediatamente.

        O prncipe anunciara que ela seria provida de um pequeno apartamento e do uso
de um carro, e ela estava planejando ir s compras para equipar Fleur e a si mesma
pelo inesperado perodo prolongado.

       O novo dente de Fleur sara completamente agora e o beb estava de volta a
seu estado feliz de sempre.

       Algum estava batendo na porta do bangal e ela foi abrir, esperando ver um
funcionrio do Beach Clube, mas ento, para sua consternao, deparou-se com Omar.

       Sem esperar convite, ele invadiu a sala, batendo a porta atrs de si.

      -- Talvez voc possa me explicar o significado disto -- desafiou ele com
sarcasmo, entregando-lhe um jornal, aberto na coluna social.

       -- No lhe devo nenhuma explicao, Omar -- replicou ela o mais calmamente
possvel.

       -- Diz aqui que voc no  a me de Fleur.

       -- Est certo -- concordou ela. -- Eu no sou. Sou a tia dela. Minha irm, Tanya,
 a me e a mulher que eu tive que ouvir voc difamando to injustamente! E, para sua
informao, Tanya no , como voc tentou indicar, uma... Uma... Ela  cantora e
danarina profissional e, enquanto voc pode no consider-la boa o bastante para seu
precioso primo, deixe-me lhe dizer que, em minha opinio,  ele quem no  bom o
bastante para ela. Nem para ela e certamente nem para Fleur. -- Toda raiva e angstia


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que Mariella vinha guardando em seu interior, explodia agora numa onda de palavras
furiosas.

       Omar no teve tempo de falar quando ela prosseguiu:

        -- Seu primo disse a Tanya que a amava e se comprometeu com ela. Ento a
deixou e a Fleur. Voc tem idia do que isso significou para Tanya? Eu estava l
quando Fleur nasceu, ouvi minha irm chamar pelo homem que amava. E tudo muito
fcil para um homem, no ? Se no quer a responsabilidade do amor de uma mulher ou
a criana que fizeram juntos, basta simplesmente desaparecer. Voc no sabe o que
significa para uma criana crescer sabendo que o pai no a quis e que a me nunca mais
poderia ser a mesma pessoa que era antes de ter o corao partido. Eu nunca, jamais
deixaria um homem me machucar do modo como Tanya foi machucada.

      -- Maliciosamente e de propsito voc me fez pensar que voc e Khalid eram
amantes -- interrompeu ele, ignorando a exploso de emoes.

        -- Bem, no comeo pensei que voc fosse o pai de Fleur, ento presumi que,
bvio, voc sabia que eu no era a me. Mas admita, voc quis pensar o pior sobre mim,
Omar. Gostou de pensar isso! Alegrou-se com o fato. Tentei avis-lo que voc estava
entendendo errado, quando interpretou mal os comentrios do prncipe, lembra-se?

      -- Voc tem idia de que problemas isso est causando? -- indagou ele,
friamente.

       -- O que eu fiz? -- Ela o olhou incrdula. -- Minha irm  uma mulher atual que
vive uma vida moderna. O maior erro dela, na minha opinio, foi se apaixonar pelo seu
primo desprezvel! -- Ela comprimiu os lbios quando viu os olhos dele escurecerem.

       -- Voc est tentando me dizer que tambm  uma mulher atual que vive uma
vida moderna? Porque se est, tenho que lhe dizer...

       Ele parou abruptamente, lembrando-se das referncias que o prncipe insistira
que ele lesse quando entrara no palcio mais cedo naquela tarde.

      Mariella no era apenas uma artista aclamada, mas tambm, aparentemente,
uma mulher de grande integridade moral, em todas as facetas de sua vida.

       -- Isso no  da sua conta -- replicou ela, zangada.

       -- Pelo contrrio.  muito da minha conta.

       Ela o encarou, o corao disparado.

       -- Fleur  filha do meu primo, o que a faz membro da minha famlia. Uma vez


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que voc tem o sangue dela, isso a faz tambm membro da minha famlia. Sou,
conseqentemente, responsvel por vocs duas. No vou permitir que voc more
sozinha aqui em Zuran, ou trabalhe sem acompanhamento para o prncipe. Nosso
orgulho e honra familiar estariam em risco. E minha responsabilidade.

       -- O qu? -- Ela o olhou boquiaberta. -- Como pode falar em orgulho e honra?
Voc, um homem que estava preparado para levar a me da filha do seu primo para a
cama, apenas a fim de reforar seu desejo de mant-los separados? Isso deve ser
alguma brincadeira! Quero dizer, voc... Voc abusou de mim verbal e fisicamente.
Insultou-me e denegriu-me e... Agora tem coragem de pregar sobre orgulho e honra?
Quanto ao seu chamado senso de responsabilidade, voc nem mesmo comeou a
entender o significado da palavra, como pessoas decentes o entendem.

        Ela pde ver a tenso no maxilar masculino, mas suspeitou que era causada por
raiva e no por vergonha.

      -- A situao agora mudou.

       -- Mudou? Porque voc descobriu que em vez de eu ser a prostituta do seu
primo, paga para fazer sexo com homens, tenho uma carreira?

      -- Recebi uma... Comunicao de Khalid confirmando que ele  o pai de Fleur e
por causa disso... Tenho que considerar a posio da criana, o futuro dela... A
reputao.

       -- A reputao de Fleur! -- Ela o olhou com sarcasmo. -- Ela tem apenas quatro
meses. E de qualquer forma, Vossa Alteza j tomou providncias para desmentir a
fofoca.

       -- Fui ver Vossa Alteza para inform-lo de que, enquanto voc estiver em
Zuran, vai viver sob a proteo de meu teto. E ele, naturalmente, concordou de
imediato.

      Ela no acreditava no que estava ouvindo.

      -- Oh, no! -- Ela meneou a cabea com vigor. -- No, no e no. De jeito
nenhum!

      -- Mariella, por favor, veja minha hospitalidade como uma forma de indeniz-la.
Alm do mais, voc no tem escolha, o prncipe espera isso.

      Omar estava falando srio, reconheceu ela quando estudou-lhe as feies
impecveis.

      -- Vou esperar aqui at que voc arrume as malas e ento iremos para minha


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casa. Combinei com minha tia-av para agir como sua dama de companhia durante sua
estadia em Zuran.

       Uma dama de companhia.

      -- Tenho vinte e oito anos -- disse ela por entre os dentes. -- No preciso de
dama de companhia.

      -- Voc  uma mulher sozinha, vivendo sob o teto de um homem solteiro. Muitas
pessoas a olharo desconfiadas, principalmente depois do artigo do jornal.

       -- Para mim, mas para voc no,  claro.

       -- Sou homem,  diferente. -- Ele deu de ombros de modo arrogante, o que a
fez sentir mais raiva.

       Ela no via a hora de falar com sua irm e contar o que acontecera.

      Naquele momento, porm, no correria o risco de desafi-lo. Ele poderia, afinal,
no apenas colocar as ameaas em ao, mas tambm lhe tirar Fleur se assim
desejasse.



        Mariella levou menos de meia hora para arrumar as malas, uma tarefa que fez
em silncio enquanto Omar ficou parado na porta, os braos cruzados sobre o peito,
assistindo-a com uma expresso perigosa nos olhos.

       Assim que acabou, foi pegar Fleur, mas ele antecipou-se.

      Sobre a cabecinha do beb, os olhares deles se cruzaram e se sustentaram,
Omar com aqueles olhos acinzentados e Mariella com pedras de jade brilhantes.



       A limusine parada na frente do bangal era to opulenta quanto a que o prncipe
enviara, mas ela ficou surpresa em descobrir que o prprio Omar a estava dirigindo.

       De alguma maneira, no o associara com gosto por um veculo to luxuoso. Tinha
a impresso de que os gostos dele eram muito, muito mais excntricos.

       No demorou muito para que chegassem  propriedade, e eles entraram,
seguindo por um caminho de cascalho ladeado por palmeiras enfileiradas.

       A propriedade tinha inspirao no estilo mouro, notou ela com uma aprovao



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no desejada quando estudou as simples linhas com olhos de artista.

       Outro par de portes de ferro deu passagem a um ptio circular, cercado por
jardins bem cuidados e ornamentado com uma grande fonte de pedra no centro.

       Parando o carro, Omar desceu e foi abrir a porta para ela. Um empregado
apareceu para lidar com a bagagem, e uma garota tmida, que Omar apresentou-lhe
como Hera, seria a nova bab de Fleur. Sorrindo para a moa, ele estendeu-lhe o beb
antes que Mariella pudesse det-lo.

       Ela segurou Fleur como se soubesse o que estava fazendo, pensou Mariella, mas
mesmo assim... Um medo de perda tencionou seu corpo quando olhou para Fleur nos
braos de outra mulher.

       -- Fleur no precisa de bab -- disse ela, rapidamente. -- Sou perfeitamente
capaz de cuidar dela sozinha.

       -- Talvez sim, mas  costume aqui para aqueles que tem condies, proporcionar
trabalho para o nosso povo. Hera  a filha mais velha de sua famlia, e a me dela ficou
viva recentemente. Voc est mesmo disposta a priv-la da oportunidade de ajudar a
sustentar os irmos, simplesmente porque est com medo de permitir que algum mais
se envolva emocionalmente com Fleur?

      Enquanto ele falava, conduzia-a para a semi-escurido do interior da casa. Ela
estava to despreparada para aquele comentrio perspicaz, que tropeou de leve
enquanto os olhos se ajustavam  sbita mudana de claridade.

       Instantaneamente Omar alcanou-a, segurando-lhe pela cintura para apoi-la. A
tontura que sentiu devia ter alguma coisa a ver com a mudana de luz, disse a si
mesma. Imagens nubladas e confusas preencheram-lhe a mente: Omar nadando nu,
Omar inclinado sobre ela enquanto a pressionava na cama, Omar beijando-a at que
sua necessidade por ele lhe provocasse dor fsica.

       Necessidade? No precisava dele. Nunca, jamais precisaria. Nunca... Ela
conseguiu se afastar dos braos fortes, os olhos ajustados  luz o suficiente para ver
a expresso de desaprovao com que ele a olhava.

       -- Voc deve tomar mais cuidado. No est acostumada com nosso clima. At o
fim do ms a temperatura vai atingir quarenta graus e sua pele  muito sensvel. Voc
deve se certificar de beber sempre muita gua, e isso se aplica a Fleur tambm.

       -- Obrigada. Sei como no me desidratar -- disse ela, secamente. -- Sou uma
mulher, no uma criana, e perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma. Afinal, fao
isso h muito tempo.



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      O olhar que ele lhe lanou a fez sentir um imenso aperto no corao.

      -- Sim, deve ter sido duro para voc perder sua me e padrasto, j tendo
perdido o pai to cedo...

       -- Perdido meu pai? -- Ela o encarou com amargura. -- Eu no o "perdi". Ele
abandonou minha me porque no queria as responsabilidades da paternidade. Ele
nunca foi um pai verdadeiro para mim e despedaou o corao de minha me.

       -- Meus pais morreram quando eu era adolescente, num acidente trgico, mas
tive sorte o bastante de ter minha av para me ajudar a superar. Porm, como ns dois
sabemos, quem no tem pais, tende a criar uma certa... Independncia de esprito, uma
defesa protetora.

      Ele estava franzindo o cenho, ela viu, escolhendo as palavras com cuidado, como
se houvesse alguma coisa que queria lhe dizer. Mas ento Hera entrou no hall de
recepo carregando Fleur.

       -- Se voc quiser acompanhar Hera, ela lhe mostrar seus aposentos. Minha tia
deve chegar em breve.

       Ele tinha se virado e estava se afastando, deixando-a sem alternativa, seno
seguir a tmida bab sorridente.

        A manso estendia-se da fachada para uma profundidade que ela no
antecipara, reconheceu dez minutos depois, quando seguiu a empregada atravs de
enormes salas de recepo e ento ao longo de um caminho ao ar livre, onde uma
deliciosa brisa fresca soprava e, do qual ela fora capaz de olhar para um ptio
totalmente cercado, com uma piscina ao centro.

       -- Este  o ptio do sheik Omar -- sussurrou Hera envergonhada quando
Mariella parou para estud-lo.

      -- Normalmente nos  proibido passar por aqui. As mulheres da casa tm uma
entrada privativa para a ala dos quartos...

       -- Deixe-me segurar Fleur -- disse Mariella, firmemente pegando a sobrinha
nos braos e aconchegando-a com carinho.

       Uma porta no fim do caminho deu acesso a um corredor envidraado com vista
para um jardim de rosas imaculado.

       -- Este  o jardim especial dos avs do sheik. A av dele era francesa e todas
as rosas so da Frana. Ela mesma supervisionou a plantao.



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       Para Mariella, os canteiros rgidos e a formalidade do jardim imediatamente
lhe deram uma impresso vivida de uma mulher que era muito orgulhosa, correta e
meticulosa. O neto com certeza puxara a ela!

       A ala das mulheres, aonde finalmente chegaram, provou ser muito mais
atraente do que Mariella esperara. Ali, novamente o corredor se abria num jardim
particular, mas ento mais suave, com flores de aroma adocicado, perante uma linda
casa de vero em forma de torre.

       Havia diversos quartos lindamente mobiliados, cada um com o prprio banheiro
luxuoso e closet, uma sala de jantar e outra de visita. Ela ficou embevecida pela
delicadeza dos mveis franceses antigos e a decorao em si.

       Em uma das prateleiras ao lado da lareira, pde ver livros com capas de couro
levando os nomes de alguns dos mais famosos escritores franceses.

       -- O sheik falou que voc provavelmente iria querer a menininha num quarto ao
lado do seu -- murmurou Hera com gentileza. -- Ele deu ordens para que tudo que ela
precise seja entregue. No tenho certeza de qual quarto voc vai querer ficar...

       Mariella controlou a tentao de dizer que no queria nenhum e que a vontade
era partir com Fleur imediatamente. Mas seria injusto descontar seu ressentimento
em Hera. Ento rapidamente inspecionou os quatro quartos.

       Um deles, mobiliado com as mesmas peas antigas da sala, fora obviamente o
quarto da av de Omar e ela o rejeitou de imediato. Dos outros trs, escolheu o mais
simples. O cmodo tinha acesso prprio aos jardins, com uma pequena piscina apenas a
alguns metros de distncia.

      -- Este quarto?

      Quando Mariella assentiu, Hera sorriu.

      -- O sheik vai ficar contente. Este era o quarto da me dele.

      O quarto da me de Omar! Bem, tarde demais para mudar de idia.

       -- Que    nacionalidade   ela   era?    --   perguntou   ento,   arrependendo-se
imediatamente.

        -- Ela era um membro da tribo. O pai do sheik a conheceu quando viajava com
eles e apaixonou-se por ela...

       Fleur esboou um leve sinal de fome, lembrando Mariella que era na sobrinha
que devia estar pensando, e no no passado da famlia de Omar.


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       CAPTULO VII



        Mariella franziu o cenho. Acabara de tentar falar com Tanya pela quarta vez
desde sua chegada na casa de Omar, mas o celular da irm continuava na caixa postal.
Deixara um recado dizendo onde estava e pedira a Tanya para contat-la l ou no
celular. Uma pequena onda de medo a assolou. Fazia dias desde que falara com sua
irm pela ltima vez. E se alguma coisa tivesse acontecido? E se tivesse adoecido ou se
machucado. E...

      Rapidamente tomou uma deciso. Depois de uma pesquisa rdua, conseguiu o
nmero do telefone do diretor de entretenimento do cruzeiro.

        -- Quem est falando, por favor? -- perguntou a voz masculina do outro lado da
linha, quando Mariella perguntara por Tanya, explicando que no estava conseguindo
contato pelo celular.

       -- Sou irm de Tanya -- replicou.

       -- Entendo. Bem, tenho que inform-la de que Tanya deixou o navio.

       -- Deixou o navio? -- repetiu ela, incrdula. -- Mas como? Por qu?

      -- Sinto muito. No posso lhe dar maiores detalhes. Tudo que posso dizer  que
Tanya partiu por sua prpria conta e sem nos dar nenhum aviso prvio.

       Pelo tom da voz do homem, Mariella podia dizer que ele no estava muito
satisfeito com a situao. Agradecendo a ajuda, desligou o telefone.

       Meu Deus! Onde estava Tanya? Por que deixara o navio? E por que no
retornava suas ligaes? Com todos os defeitos da irm, sua impulsividade e
hedonismo, Tanya amava Fleur. Era incompreensvel que no entrasse em contato nem
para saber sobre o beb.

       No lugar de Tanya, ela estaria ao telefone vrias vezes por dia. Bem, para
comear, nunca teria se separado de seu beb, reconheceu. Mas ento a pobre Tanya
no tinha alternativa. Estava determinada a ser independente.

       Com o corao apertado, Mariella fitou Fleur dormindo na nova caminha. Cada
vez mais tinha vontade de ter um filho seu. Quando fizera a promessa de nunca se
envolver emocionalmente com um homem, no previra aquele tipo de complicao!




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       Omar franziu o cenho enquanto andava pelo estdio. Diversas mensagens
estavam sobre sua mesa, todas retornando a mesma informao: que seu primo no
fora visto em nenhum de seus lugares favoritos. Onde Khalid se metera?

       Omar estava desconfiado que seu primo fora deliberadamente vago sobre a
verdadeira paternidade de Fleur. Fora por um desejo de proteger Fleur e a me dela,
ou por querer escapar de suas responsabilidades?

       Certamente Khalid o conhecia bem o bastante para saber que, mesmo que no
aprovasse ou aceitasse a me de Fleur, ele com certeza teria insistido que arranjos
financeiros fossem feitos s duas, e se necessrio, pelo prprio Omar.  claro que
sabia, caso contrrio no teria escrito para Omar, informando-o de que era pai de
Fleur.

       Irritava-o o fato de ter estado to errado em assumir que Mariella fosse a
me de Fleur. A informao segura que o prncipe lhe revelara tornara muito claro o
quanto estivera enganado sobre ela.

        L estava uma jovem mulher que abraara a responsabilidade, no apenas para
sustentar a si mesma, como tambm a sua meia-irm. Nenhuma pequena informao
para indicar que ela no conduzira a vida da maneira mais louvvel possvel. No havia
nenhum canto obscuro no trajeto de Mariella. Todos que tinham feito negcios com
ela, s sabiam tecer-lhe grandes elogios.

       Entretanto, de algum modo, ele, to orgulhoso de sua habilidade de ler a
personalidade de uma pessoa, no fora capaz de ver nada disso! Certo, ela o enganara
de propsito, mas...

       Mas ele se comportara em relao a ela de um jeito que, se tivesse ouvido isso
de outro homem, no teria hesitado em denunci-lo e conden-lo imediatamente!

       No havia desculpas para a atitude que tivera.

       No era verdade afinal, que fora Khalid a estar em seu pensamento quando a
levara para cama. Ele estivera consumido por um desejo incontrolvel!

      Realmente no podia encontrar lgica ou explicao para o que havia feito.
Agora estava cheio de culpa, principalmente pelo modo que a coagira a ficar com ele
em sua propriedade. Teria, claro, que se desculpar formalmente com Mariella!

       Uma mulher que j provara como eram fortes seu senso de dever e
responsabilidade. Uma mulher com a qual um homem poderia saber que o filho que lhe
desse seria amado e protegido.




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      Ele jurara nunca se casar, arriscar-se ao perigo de uma unio fracassar,
lembrou a si mesmo austeramente.

       Porm, era melhor oferecer-lhe a proteo de seu sobrenome, casando-se com
Mariella, do que arriscar um dano  reputao dela atravs de fofocas.

      Meu Deus, se continuasse a pensar como agora, comearia a suspeitar que
realmente queria se casar com ela! Que queria lev-la de volta para sua cama e
completar o que haviam comeado.

       Zangado, virou-se quando o barulho do fax interrompeu-lhe os pensamentos.



      -- Ento, a est voc. Omar me pediu para ser sua dama de companhia, e vou
acompanh-la ao palcio enquanto voc pinta quadros para a Alteza, no?

       -- Bem, no exatamente -- replicou Mariella com cuidado. Era impossvel no
gostar da vivaz senhora francesa que era a tia-av de Omar e que chegara meia hora
antes, com uma enorme pilha de bagagem e aparncia amistosa. -- No estou
exatamente trabalhando no palcio, e sim no hipdromo. E, para ser honesta, no
concordo com Omar...

       -- Concorda? Lamento que aqui em Zuran tenhamos que cumprir as leis da
Terra, chrie, tanto reais quanto morais. -- Fazendo uma careta dramtica, ela
continuou: -- Sei o quanto achei difcil logo que vim morar aqui. Minha irm, Sophia, j
estava casada com o av de Omar por vrios meses ento. Ela era dez anos mais velha
que eu. E desde a morte de meu marido, moro tanto em Paris como aqui em Zuran. Pelo
que entendi, o beb  de Khalid -- comentou ela, mudando de assunto completamente.
-- Ele  um homem muito charmoso, mas infelizmente fraco. Ele tem sorte que Omar
seja to generoso. Como voc deve saber, Omar no pretende se casar e decidiu que
um dia passar as responsabilidades de nossa tribo para o filho de Khalid.  uma
bobagem to grande...

       -- Omar no pretende se casar? -- perguntou ela.

       -- Assim ele diz. A morte dos pais o afetou seriamente. Ele era muito novo e
quem o criou foi minha irm, a av dele. Ela determinou que ele cresceria para
aprender suas responsabilidades em relao a seu povo e preench-las. Agora Omar
acredita que a necessidade do povo  mais importante que as suas prprias, e
conseqentemente no pode arriscar a se casar com uma mulher que no entenderia
sua tarefa e a importncia de seu papel na tribo. Uma enorme bobagem, mas os
homens so assim. Gostam de acreditar que somos o sexo frgil, mas certamente
sabemos que somos ns as mais fortes!


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       Mariella sorriu.

       -- Voc  uma pessoa muito forte, posso ver isso -- acrescentou a mulher. --
Vai sentir falta da criana quando tiver que devolv-la  me. Teria gostado de
conhecer minha irm mais velha. Sophia teria dado uma olhada em voc e comeado a
fazer planos para torn-la esposa de Omar. Teria reconhecido imediatamente que voc
seria perfeita para ele.

       Ela, perfeita para Omar? Tentando controlar o choque, anunciou:

       -- No tenho nenhuma inteno de me casar.

        -- Viu? J est claro o quanto vocs dois tm em comum. Porm, no sou minha
irm. No interfiro na vida das pessoas ou tento uni-las. Non! Mas conte-me, por que
voc decidiu que no quer se casar? No caso de Omar est claro. Minha irm
implantou-lhe o medo de que ele jamais encontraria uma mulher para amar que fosse
capaz de compartilhar sua dedicao ao compromisso de preservar o estilo de vida
tradicional da tribo. Que bobagem! Sophia tem muita culpa disso. Quando Omar era
jovem, ela o enviou para a Frana na esperana que ele achasse uma noiva entre as
filhas de nosso prprio crculo. Mas aquelas garotas no podem respirar outro ar seno
o de Paris. A idia de fazerem o que Omar vem fazendo todos os anos de sua vida,
viajando atravs do deserto com os membros da tribo que escolheram se aderir ao
velho estilo de vida, seria intolervel para elas.

       -- Entendo -- Mariella conseguiu falar no meio daquele discurso infindvel.

       -- Omar precisa de uma esposa que amar o povo dele com a mesma paixo que
ele ama. Uma mulher que o amar at mesmo mais por causa disso. Como tenho certeza
que voc j sabe, ele  um homem extremamente apaixonado nas coisas que faz.

      Mariella a olhou com cautela. O que a tia-av dele estava querendo dizer?
Porm, quando lhe fitou o rosto, a expresso era inocente e aberta.

       Os comentrios da madame Flavel estavam, contudo, aumentando seu interesse
e curiosidade.

       Hesitante, falou:

      -- Voc mencionou o compromisso de Omar para com a tribo, mas no sei
realmente o que...

        -- Non?  bem simples, na verdade. A tribo na qual os ancestrais de Omar
originalmente se casaram  nica no seu modo de vida, e foi a determinao existencial
do av de Omar, e teria sido tambm a do pai dele se no tivesse morrido, preservar a



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tradio nmade, mas ao mesmo tempo, incentivar os membros a se integrarem na
sociedade moderna. Para esse fim, cada criana nascida na tribo, tem direito a
receber a educao escolar adequada, mas ao mesmo tempo, o dever de passar um
pequeno tempo por ano viajando pelas rotas nmades tradicionais, da maneira
tradicional. E depois, cada um decide o prprio caminho. Alguns membros da tribo
elegem viver permanentemente de modo primitivo enquanto outros optam por seguir
carreiras profissionais aqui ou em qualquer outro lugar do mundo. Mas, independente
da escolha, o importante para a tribo  a preservao de velhos costumes e tradies.

       Mariella pensou em comentar o quanto achava aquilo tudo interessante, mas a
mulher no lhe dava uma brecha.

       -- O papel de Omar como cabea da tribo significa, todavia, que ele tem um
papel duplo a cumprir. Deve ter aptido nos negcios para fazer com que o dinheiro
deixado por seu av gere renda para prover a tribo financeiramente, e ao mesmo
tempo, deve ser capaz de manter o respeito de todos, conduzindo isso no jeito antigo
tradicional. Omar sempre soube que deveria preencher ambas as regras e o faz de boa
vontade. Mas esse caminho que ele escolheu  muito solitrio, a menos que encontre
uma mulher que possa entender e compartilhar o tipo de vida dele.

       As palavras de madame Flavel, de alguma forma, emocionaram Mariella. O Omar
que ela estava descrevendo era um homem de profundos sentimentos e crenas. Um
homem que, sob outras circunstncias, ela respeitaria e admiraria.



       -- Madame, posso lhe assegurar que no h necessidade de ficar aqui comigo --
disse Mariella a sua dama de companhia, empurrando o carrinho de Fleur para dentro
da rea cercada no hipdromo do prncipe e olhando para as paredes onde pintaria o
imenso painel.

        -- Foi com esse propsito que Omar me convocou para casa dele -- madame
Flavel a relembrou.

      -- Voc vai ficar entediada sentada a me vendo trabalhar.

      -- Nunca fico entediada. Tenho meu bordado e meu jornal. Fique tranqila.

       Mariella ento comeou a trabalhar em silncio. Na mente, j tinha uma imagem
de como queria que o painel ficasse, e em minutos estava totalmente envolvida no que
estava fazendo.

       O fundo para os cavalos, agora decidira, no seria o hipdromo em si, e sim um
oceano. Certamente seria irresistvel para um povo onde a gua era muito, muito



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importante. O prncipe com certeza gostaria da idia.

        At que a cimbra comeasse a castigar seus braos, ela no se deu conta de
quanto tempo trabalhara. Madame Flavel adormecera numa cadeira confortvel que
Ali, o motorista de Omar, colocara l.

       Fleur estava acordada e Mariella sorriu para a sobrinha. Onde estava Tanya?
Por que no entrava em contato? A porta do corredor se abriu. Hera e Ali.

      -- Meu Deus, j est na hora do almoo? -- perguntou madame Flavel,
acordando imediatamente.

        Com relutncia, Mariella comeou a guardar as coisas. Preferiria continuar seu
trabalho em vez de voltar para a propriedade, mas, consciente da idade de madame
Flavel, decidiu ceder.




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      CAPTULO IX



       No fim da semana, Mariella estava achando incrivelmente frustrante o
intervalo que era obrigada a fazer em seu trabalho por causa de madame Flavel.

         -- Perturba-me essa sua determinao de no se casar, chrie -- Madame
Flavel estava lhe dizendo enquanto ela trabalhava. -- Isso se deve a um caso de amor
infeliz?

      -- Pode-se dizer que sim -- concordou ela com cuidado.

       -- Ele pode ter partido seu corao, mas voc  jovem, tem muito tempo pela
frente.

       -- No foi o meu corao que ele partiu, mas o de minha me -- Mariella a
corrigiu. -- E ela nunca esqueceu, nem mesmo quando conheceu e se casou com meu
padrasto. Quando meu pai disse que a amava, ela acreditou, mas no era verdade!

      Ele abandonou a ns duas.

        -- Ah, entendo. E por causa da grande mgoa que seu pai lhe causou, voc est
determinada a nunca mais confiar num homem? Nem todos os homens so como seu
pai, chrie.

       -- Talvez no, mas  um risco que no vou correr. Nunca quero ficar to
vulnervel como... Minha me ficou. Nunca!

      -- Voc diz isso, mas acho que teme que j esteja vulnervel.

      Mariella ficou feliz com a chegada de Ali para pr um fim no que estava se
tornando uma conversa desconfortvel.



      Eram duas horas da tarde e madame Flavel estava tirando uma soneca.

      Mariella andava impaciente pelo jardim. Estava ansiosa para continuar o painel.
De repente, decidida, entrou em seu quarto e pegou Fleur.

       Ali no fez nenhum comentrio quando ela pediu que ele a levasse de volta ao
hipdromo e, educadamente, abriu-lhe a porta do carro.

      O calor estava insuportvel e depois que Ali ligou o ar condicionado da rea


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cercada do hipdromo, partiu, deixando-a com seu trabalho.

        Um andaime mvel fora montado para que ela pintasse a parte superior da
parede. Depois de um bom tempo, a garganta estava seca e a cabea doa, mas ela
recusava-se a parar. Nos olhos da mente, podia ver o animal pronto, narinas alargando-
se, a crina desordenada ao vento, a espuma do mar quando ele emergia das ondas.

       O pincel movimentava-se enquanto ela lutava para capturar a imagem de dentro
de sua cabea. Aquele cavalo, o mais formoso e forte de todos os demais, no toleraria
nenhuma competio do mar. Ficaria erguido nas patas traseiras, os poderosos
msculos das patas e barriga, visveis...

       Fleur, de seu carrinho l embaixo, ao lado do andaime, estava balbuciando
sozinha e o instinto de Mariella a fez virar-se.

       Para sua surpresa, viu Omar parado ao lado de Fleur, observando-a.

       -- Omar... -- Ela deu um passo para frente e ento parou, dando-se conta de
que ainda estava no andaime. -- O que... O que voc est fazendo aqui? -- perguntou
para cobrir sua reao de desejo por ele.

       -- Voc tem idia de quanto aborreceu Cecille ignorando minhas instrues? --
devolveu ele, friamente.

       Ela desviou os olhos. Gostava muito da tia-av dele e detestava o pensamento
de que pudesse t-la chateado.

       -- Sinto muito se ela ficou aborrecida -- disse, sinceramente. -- Mas prometi a
Sua Alteza que o painel ficaria pronto o mais rpido possvel. Sua tia j tem idade e
fiquei com pena de tir-la da soneca da tarde. Acredite ou no, Omar, tambm tenho
uma reputao a zelar.

      -- Nesse caso, por que no veio a mim e explicou isso em vez de se comportar
como criana e esperar que minha tia virasse as costas?

      Ela franziu o cenho. O que ele estava dizendo soava to... To razovel e
sensato.

      -- Seu comportamento em relao a mim encorajou-me a no pedir sua
compreenso -- murmurou ela quando comeou a descer do andaime, tentando
espreguiar os msculos doloridos.

       -- Cuidado, voc pode... -- Ele no conseguiu completar a frase.

       Para frustrao de Mariella, como se a advertncia dele tivesse provocado


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aquilo, o andaime balanou e ela comeou a escorregar.

      Quando gemeu instintivamente de susto, Omar a segurou, apoiando-a para que
pudesse escorregar segura at o cho.

        Ela enrubesceu quando antecipou a justificativa triunfante de Omar sobre a
insistncia de que ela tivesse uma dama de companhia. Mas em vez de falar alguma
coisa, ele apenas continuou a segur-la pela cintura. Mos grandes e fortes espalharam
um calor sbito e intoxicante por sua pele atravs das roupas.

       Zonza, Mariella fechou os olhos, tentando bloquear o efeito da proximidade
dele. Em vo. Consternada, admitiu a si mesma que aquele homem fazia com que sua
vulnerabilidade atingisse limites excepcionais. Imagens vivas de Omar dominaram-lhe
a mente e ela tremeu inteira.

       -- Mariella? O que houve? -- ela o ouviu perguntando agoniado. -- Voc est
sentindo alguma...

       Imediatamente ela abriu os olhos.

       -- No, estou bem -- comeou e parou, incapaz de desviar os olhos traioeiros
que haviam se fixado na linda boca dele com desejo intenso.

       Ento soube, pelo sbito silncio que se seguiu, que Omar estava ciente de seu
olhar. Mas os sinais de alarme do bom senso foram silenciados pelo som interior de seu
prprio desejo ardente. Nenhum poder do mundo, muito menos o de sua fora de
vontade, podia deter o que estava sentindo, reconheceu quando sentiu o aperto das
mos dele passar de protetor a sexual.

       Sem pensar, passou a ponta da lngua nos lbios, como se conduzida por um
instinto de umedec-los. Ondas sensuais a fizeram involuntariamente aproximar-se
ainda mais dele.

       Ela o sentiu prender a respirao, o corpo instintivamente inclinando-se sobre
ele quando a fraqueza a assolou.

       A boca dele tocou-lhe os lbios, mas no do mesmo modo que tocara antes.
Nunca imaginara que pudesse haver tanta doura num beijo, tanta lentido, tanta
paixo cuidadosamente contida, esperando para destruir-lhe a resistncia. Ela queria
se perder completamente naquela sensao... Perder-se nele.

       Ouvindo o som de passos, ele se afastou. Sem ao, Mariella o viu dirigir-se a
Ali. Levantando a mo, ela tocou os lbios, como se no pudesse acreditar no que
acontecera. No que quisera que acontecesse. Desejara que Omar a beijasse. Seu corpo



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ardera por ele de uma maneira to ntima... Como podia ser? Ela ficou paralisada, em
silncio. Eles eram inimigos, no eram? Ele estava se aproximando novamente e ela se
sentiu dominada pelo pnico. No queria que Omar percebesse o que estava
acontecendo em seu interior.

      -- Devemos voltar para casa imediatamente! -- exclamou ele.

      O pnico foi substitudo por ansiedade.

      -- O que houve? -- ela quis saber. -- Aconteceu alguma coisa com sua tia?

      Mariella comeou a recolher o material de pintura, mas ele a deteve:

      -- Deixe tudo isso -- comandou ele, j pegando Fleur.

       Seu estmago se contraiu de nervoso, mas a linguagem corporal de Omar de
que havia um problema era to evidente que ela evitou mais perguntas. Quase teve que
correr para acompanh-lo.

       O trajeto foi feito em silncio enquanto a ansiedade dela aumentava cada vez
mais. Quando chegaram no ptio da casa, Omar deu uma ordem em rabe para Ali e
voltou-se para ela:

      -- Venha comigo.

        At mesmo Fleur parecia ter absorvido a seriedade do momento e estava
silenciosa nos braos dela.

       Por favor, faa com que Cecille esteja bem, Mariella rezou silenciosamente
quando as enormes portas duplas da casa se abriram com uma formalidade estranha e
ela seguiu Omar hall adentro.

       Sem parar para ver se ela o acompanhava, ele dirigiu-se a uma das salas que
Mariella agora sabia ser o salo formal para reunies de negcios.

       Estranhamente, dois empregados uniformizados estavam parados de cada lado
da porta fechada, a expresso de ambos aumentando a ansiedade dela, assim como o
olhar srio no rosto de Omar, dando-lhe um ar de arrogncia autocrtica, parecido
com a primeira vez que o vira no aeroporto.

      Ento ele fez uma parada abrupta, virou-se para trs e estendeu-lhe a mo,
chamando-a para seu lado.

        Segurando Fleur apertado, Mariella hesitou por um segundo antes de juntar-se
a ele. Ento o viu fazer um gesto abrupto de cabea para os empregados.


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      As portas se abriram para a magnificncia da sala.

       Era tudo que ela j imaginara. Cortinas de seda ricamente tecidas, piso de
mrmore ornamentado com inestimveis tapetes antigos. A iluminao de enormes
candelabros, os quais madame Flavel contara-lhe que haviam sido feitos pelo designer
pessoal da av de Omar, ofuscavam a vista. Luxuosa e rica, a decorao do salo tinha
o inconfundvel ar da elegncia francesa.

       Era uma sala projetada para impressionar todos que a adentrassem e para
torn-los cientes do poder do homem que a possua.

      Duas pessoas estavam em p na frente da enorme lareira de mrmore,
observando Omar com bvia apreenso.

      Atnita, Mariella os olhou.

      -- Tanya! -- exclamou em choque.

        Sua irm estava bronzeada e parecia sofisticada naquela saia e blusa caras,
imaculadamente maquiada e com unhas impecveis. Os cabelos estavam presos num
estilo moderno, e brilhavam com tonalidades de loiro.

       Mas foi no homem parado ao lado de Tanya que Mariella focou a ateno. Mais
baixo e encorpado que Ornar, ela adivinhou imediatamente que devia ser Khalid, o pai
de Fleur.

       -- Khalid... -- Omar fez um breve gesto de cabea na direo do homem,
confirmando a suposio. -- E estas, presumem que seja...

      -- Minha esposa -- Khalid o interrompeu e apertando a mo de Tanya com fora
quando acrescentou: -- Tanya e eu nos casamos h trs dias.



       -- Honestamente, Mariella, no acreditei quando ancoramos em Kingston e
Khalid entrou a bordo. No comeo me recusei a ter alguma coisa com ele, mas ento...

       Fazia menos de vinte e quatro horas que Mariella descobrira que sua irm e
Khalid haviam se casado, e Tanya a estava atualizando sobre os acontecimentos,
sentadas no jardim dos aposentos das mulheres, enquanto Fleur balbuciava feliz no
carrinho.

       -- Por que voc no me contou o que estava acontecendo quando lhe telefonei?
-- perguntou Mariella.



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       -- Bem, no comeo eu no tinha certeza do que ia acontecer... Quero dizer,
Khalid estava l e estava sendo muito doce, admitindo que me amava e que se
arrependera do que tinha feito, mas... -- Ela suspirou. -- Ento voc me deixou um
recado dizendo que estava aqui na casa de Omar, e fiquei preocupada que pudesse
dizer-lhe alguma coisa que o fizesse achar um jeito de me separar de Khalid
novamente...

         -- Tem idia do quanto fiquei preocupada com voc? -- perguntou Mariella.

         Tanya enrubesceu.

       -- Bem, achei que voc pensaria que eu no estava retornando suas ligaes por
estar ocupada... No me ocorreu que ligaria para o diretor de entretenimento.

      -- Tanya, voc no me ligou para saber de Fleur por dias.  claro que eu estava
preocupada.

       -- Oh, eu sabia que ela estava bem porque peguei os seus recados. Mas Khalid...
Bem, precisvamos de um tempo para ns e ele insistiu... Por favor, no fique brava
comigo, Mari. Voc nunca se apaixonou, ento no pode entender. Quando Khalid me
deixou, achei que minha vida estava acabada. No sou como voc. Preciso amar e ser
amada. Acho que nunca perdoarei Omar pelo que fez.

      -- Omar no forou Khalid a abandonar voc e Fleur, Tanya -- ela pegou-se o
defendendo com firmeza.

       O olhar que Tanya lhe lanou confirmou sua prpria percepo do que acabara
de fazer.

      -- Como voc o suporta, Mari? Omar ameaou cortar a penso de Khalid. Teria
deixado eu e Fleur morrermos de fome --acrescentou, dramaticamente.

       -- Isso no  verdade, Tanya. E no  justo tambm -- corrigiu Mariella, mas
no teve coragem de dizer  irm que, na sua opinio, Khalid era um fraco e que, de
maneira egosta, pusera as prprias necessidades  frente das de sua amada e da filha
deles. Ela j podia ver um biquinho zangado na boca de Tanya e seu corao apertou.
No queria discutir, mas ao mesmo tempo no podia evitar sentir que sua irm no
estava levando em considerao as prprias responsabilidades maternais em relao a
Fleur.

         -- Bem, estamos casados agora e no h nada que Omar possa fazer! E ele sabe
disso!

         Mariella sabia que aquilo no era verdade e que Omar poderia ter ido em



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Uma noite Com o Sheik                                                 Penny Jordan

frente com sua ameaa de cortar a penso de Khalid, e tambm remov-lo de seu
emprego seguro. Contudo, tambm sabia, pelo que madame Flavel inocentemente lhe
contara, que Omar no fizera aquilo, justamente por causa de Fleur.

        -- Oh, eu ainda no lhe contei -- disse Tanya excitada. -- Mas Khalid est
insistindo em me levar para uma longa viagem de lua-de-mel. Vamos levar Fleur
conosco,  claro, e ento, quando voltarmos, montaremos nossa casa aqui em Zuran. Ele
diz que podemos ter nossa prpria casa e que posso escolher tudo sozinha. Oh, e veja
o anel que ele me deu de casamento... No  lindo?

       -- Muito -- concordou Mariella cordialmente quando estudou o enorme solitrio
brilhando no dedo da irm.

      -- No imagina como estou feliz, Mari. -- Tanya suspirou. -- E voc cuidou da
minha queridinha to bem. Senti tanta saudade sua, meu anjo -- murmurou Tanya,
soprando beijos para a filha. -- Seu pai e eu no vemos a hora de t-la s para ns.

       Enquanto escutava a irm, uma pequena sombra cruzou o rosto de Mariella, mas
para no estragar a felicidade de Tanya, no mostraria o quo arrasada estava por se
separar de Fleur.

       -- Tudo parece muito emocionante -- respondeu ela, forando um sorriso
quando olhou para cima e viu uma expresso esperanosa na face da irm. -- Quando
vocs vo partir?

       -- Amanh mesmo. Khalid s quis vir para Zuran a fim de contar a Omar sobre
nosso casamento e, claro, pegar Fleur.

      -- Claro -- repetiu Mariella de forma vazia.

      -- Mari, no posso agradec-la o bastante por ter cuidado de Fleur para mim.
Estamos ambos muito gratos a voc, no , Khalid?

      -- Sim, estamos -- seu cunhado concordou.

       Mariella ainda estava segurando Fleur, no querendo se separar da menina at
o ltimo instante, enquanto sua irm se despedia de madame Flavel e Omar.

       Tanya ainda estava se comportando muito friamente em relao a Omar, apenas
falando com ele quando necessrio.

      -- Querido, leve Fleur para o carro -- ela instruiu Khalid.

       Mariella tencionou o corpo quando Khalid estava pegando o beb e, talvez por
falta de costume com o pai, Fleur agarrou-se a ela e comeou a chorar.


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       Imediatamente Khalid afastou-se com uma expresso irritada.

       -- Aqui, deixe-me peg-la!

       Omar rapidamente removeu Fleur dos braos de Mariella, sorrindo para a
menininha e acariciando-a. As lgrimas cessaram de imediato.

       Pelo canto do olho, Mariella notou que Tanya fitava Omar com raiva,
ressentindo o fato de que Fleur estava mais confortvel com ele do que com o pai. Mas
antes que pudesse falar alguma coisa, Khalid a conduziu para fora da casa.

       Assim que todos chegaram no carro, Tanya estendeu os braos, mas, em vez de
entregar Fleur a ela, Omar a estendeu a Mariella, cujos olhos se inundaram de
lgrimas quando a emoo ameaou desarm-la. Era quase como se Omar soubesse
como ela se sentia e quisesse lhe proporcionar a ltima chance preciosa de segurar
Fleur antes de ter que se separar do beb.

       Abaixando a cabea, beijou a sobrinha e ento rapidamente estendeu-a para a
irm. Quando o carro que os levaria para o aeroporto, partiu, Omar disse:

       -- Vamos sair deste calor.

        Se ele estava ciente das lgrimas dela, foi discreto, apenas conduzindo-a de
volta a casa, sem fazer nenhum comentrio.

      Contudo, uma vez l dentro, ela respirou fundo e tentou soar como uma mulher
de negcios:

       -- Vou embora assim que encontrar um lugar para ficar.

       -- Do que voc est falando? -- indagou ele. -- Nada mudou. Voc ainda  uma
mulher solteira e membro de minha famlia, e como tal, seu lugar  aqui sob meu teto e
minha proteo! Esta ser sua casa enquanto estiver em Zuran.

       Ela abriu a boca para protestar, mas ento voltou a fechar. Era apenas porque
estava to triste de perder Fleur que a frase dele estava lhe causando uma estranha
sensao de alvio, disse a si mesma na defensiva. No tinha nada a ver com... Nenhuma
outra razo. Nenhuma mesmo!



       Mariella estava sonhando. Em seu sonho, estava sozinha em um quarto
estranho, deitada numa grande cama e chorando por Fleur, ento de repente a porta
se abriu e Omar entrou.



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       Aproximando-se da cama, ele se sentou a seu lado e pegou-lhe a mo.

      -- Voc est chorando por causa da criana -- disse ele, carinhosamente. --
No precisa chorar. Vou lhe dar um filho para amar. Nosso filho!

       Quando ela o olhou, ele comeou a toc-la, tirando-lhe as cobertas do corpo nu
com mos que pareciam saber como agrad-la. Inclinando-se, comeou a beij-la, um
beijo lento e magicamente carinhoso que logo se transformou em paixo feroz. Ela
pde sentir o corpo inteiro tremendo de desejo.

       Ele segurou-lhe os seios nas mos, os olhos cheios de desejo, declamando
palavras sensuais a respeito do quanto a desejava.

       Ento beijou com loucura cada bico intumescido at que Mariella cravava as
unhas nas costas dele, submersa na prpria excitao.

       Ela gemeu quando a lngua dele tocou-lhe a barriga. Ento, possessivamente,
deslizou as mos pelos braos musculosos e tocou-lhe o sexo. Esperando, ardendo,
desejando. Sob a palma, pde senti-lo enrijecer ainda mais, dividida entre explor-lo e
querer senti-lo fundo dentro de si, onde ele depositaria a semente que seria o filho
deles. Mas quando o puxou para si, Omar a empurrou abruptamente, abandonando-a.
Chorando, ela o chamou em vo. Desesperada, acordou.

       De alguma maneira, durante o sono, empurrara as cobertas e estava agora
tremendo com o frio do ar-condicionado. As lgrimas nos olhos eram certamente
causadas pela saudade de Fleur e no porque estivera sonhando com Omar... Sobre
am-lo e perd-lo. Jamais se permitiria ser to tola! Mas fisicamente sentia-se
atrada por ele, no podia negar. Nervosa, tentou dar um motivo a tal atrao. Ele era
um homem que, tinha de reconhecer, levava suas responsabilidades muito a srio. Um
homem cujas paixes...

       Pare com isso, avisou a si mesma freneticamente. Por que estava pensando
daquele jeito? Pior, sentindo-se daquele jeito?

       Bem acordada agora, saiu da cama e estava na metade do caminho em direo
ao moiss de Fleur antes de perceber o que estava fazendo. Era certo que Fleur
ficasse com os pais, mas sentia tanta falta de segurar aquele corpinho pequenino.
Desejava um filho, admitiu.



      Cansada, Mariella flexionou os msculos tensos e doloridos do pescoo e dos
ombros quando se sentou ao lado da pequena piscina no ptio das mulheres. Trabalhara
sem parar no painel nas ltimas duas semanas, induzida por uma compulso que no



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fora capaz de ignorar, e agora sabia que terminaria o projeto bem antes do prazo
previsto.

       O prncipe chegara para inspecionar o progresso antes que ela tivesse sado e a
julgar pela expresso, o homem estava realmente impressionado.

       -- Est magnfico, inspirador -- ele comentara com entusiasmo. -- Uma imagem
de parar o corao.

       -- Fico feliz que goste -- ela respondera de forma prosaica, mas por dentro
ficara radiante.

       Agora exausta, tentava relaxar. Mas quando viu Omar vindo na sua direo seu
corpo tencionou inteiro.

       -- Acabei de ver Sua Alteza e ele fez questo de me mostrar o trabalho que
voc fez -- disse Omar. -- Ele est impressionado, e com razo.  magnfico!

       O elogio no caracterstico surpreendeu-a, e ela o encarou, os olhos turquesa
cautelosos.

      -- Sua irm j entrou em contato para assegur-la de que Fleur est bem? --
perguntou ele.

      No confiando em si mesma para falar, Mariella meneou a cabea e ento parou
quando seus msculos tensos resistiram o movimento.

       Omar perguntou imediatamente:

       -- Voc est com dor? O que aconteceu?

       -- Meus msculos esto rgidos, s isso -- replicou ela.

       -- Rgidos? Onde? Deixe-me ver.

      Antes que ela pudesse protestar, ele estava sentado a seu lado, os dedos se
movendo por seus ombros.

      -- Fique parada -- murmurou quando ela tentou se afastar. -- No me
surpreende que esteja com tanta dor. Voc trabalha muito, se esfora demais.
Preocupa-se excessivamente com os outros e permite que abusem do seu senso de
responsabilidade.

       Ela virou a cabea para olh-lo.




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       -- Olha quem est falando...

       Por um momento eles se entreolharam em silncio mtuo.

      Ela estava aprendendo tanto sobre aquele homem, descobrira tantas coisas que
mudara sua percepo de quem ele era...



       No podia ter estado mais errado sobre Mariella, ou a interpretado to
injustamente, reconheceu Omar quando a fitou nos olhos. A irm, no entanto, era
exatamente o que ele previra, o tpico gosto de seu primo em mulheres. O lado mais
cnico de sua natureza sentia que, alm de serem certos um para o outro, tambm se
mereciam em seu egosmo mtuo e falta de profundidade emocional verdadeira.

      Mariella, por outro lado... Ele nunca conhecera uma mulher que levasse as
responsabilidades to a srio, ou que fosse mais dedicada aos que amava. Quando se
comprometesse com um homem, entregar-lhe-ia sua alma e corao. Quando amasse
um homem, seu amor seria para sempre...

       -- Sua irm devia ter entrado em contato. Devia perceber o quanto voc est
sentindo a falta de Fleur -- disse ele, abruptamente.

       Ela tencionou, defendendo Tanya de imediato:

       -- Ela  a me de Fleur. No tem que me informar sobre... Nada. Essas frias
daro aos trs a oportunidade de se unirem como uma famlia. Tanya e Khalid so os
pais de Fleur e...

       -- Tambm sinto a falta de Fleur -- ele a interrompeu, deixando-a perplexa
com tal admisso. -- E no meu ver, ela estaria muito melhor aqui, num ambiente seguro
com aqueles que a conhecem melhor, do que num local da moda, onde provavelmente
ser deixada aos cuidados do pessoal do hotel enquanto seus pais se divertem.

      -- Voc est sendo injusto -- protestou Mariella, e ento recuou quando ele
comeou a desfazer os ns de seus msculos, impossibilitando-a de se movimentar.

       -- No, estou sendo honesto -- ele a corrigiu. -- E quando Khalid retornar, vou
deixar muito claro para ele que Fleur precisa de um ambiente familiar seguro.

       Omar daria um pai maravilhoso, pensou ela, e enrijeceu quando tentou rejeitar
as mensagens que aquele conhecimento estava lhe dando. Afinal, como ela, Omar no
tinha nenhuma inteno de se casar.

       -- Seus msculos esto travados -- ela o ouviu murmurar enquanto os dedos


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trabalhavam numa massagem deliciosa.

      Quanto mais ele a tocava, mais difcil era para ela controlar a reao sexual.
Os polegares deslizaram fortemente pela coluna, fazendo-a tremer abertamente em
resposta. As mos dele pararam de imediato.

       -- Mariella...

        A voz estava rouca, a respirao de Omar contra sua pele... Seria pura
imaginao a nota de desejo masculino que ouvia na voz dele? No podia confiar em si
mesma para virar-se e encar-lo. Mas de repente ele a estava virando, abraando-a e
beijando-a com uma ferocidade silenciosa, arrepiando-a de prazer e derretendo sua
resistncia.

       As mos agora lhe acariciavam as costas por baixo da blusa. Uma dor selvagem
e irrequieta percorreu as veias de Mariella.

       O ar noturno e perfumado do jardim de repente foi substitudo pelo aroma
masculino e ela reagiu cegamente, afastando-se do beijo e pousando a face no decote
aberto da tnica dele a fim de que pudesse inalar o aroma, respir-lo... Os lbios
buscando o calor do trax, o gemido de prazer quando deu liberdade a seus sentidos.

      Os lbios quentes de Omar mordiscaram-lhe delicadamente o pescoo e ento
ela o ouviu gemer quando lhe cobriu os seios com as mos, deslizando-as em
movimentos erticos. O corpo inteiro dela tremeu de prazer quando ele abaixou a
cabea e beijou os bicos enrijecidos de prazer.

        O desejo a fez arquear a cabea e corpo para trs, oferecendo-se aos
deliciosos toques, como se aquilo fosse natural, certo e inevitvel. Como se fosse algo
que estivesse destinado a acontecer.

       Levantando a mo, ela tocou-lhe o rosto, os olhares se encontrando e se
sustentando silenciosamente, absorvendo a necessidade de ambos. Mariella foi
preenchida por um calor incontrolvel quando ele virou o rosto, beijou-lhe a palma e
segurou-lhe a mo, abaixando-a at seu colo e fazendo-a sentir a potncia de sua
ereo. A boca dele estava em seu seio, a lngua danando em movimentos que a
fizeram gemer e suplicar por mais prazer.

       Na luz da lua, Omar podia ver o desejo no rosto dela, a maciez dos seios...
Ento prendeu a respirao quando deslizou o olhar at o centro de sua feminilidade.
O pensamento de deslizar a mo por baixo da calcinha e tocar-lhe o interior mido
causou-lhe um tremor que nunca conhecera antes. Na privacidade daquele jardim,
poderia dar-lhe o prazer pelo qual o corpo dela claramente implorava. Mas ali era
justamente o lugar onde ela estava sob sua proteo, como um membro de sua


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famlia... Uma mulher que merecia respeito.

       Ela pensou que mais que qualquer coisa o queria dentro de si. Mais do que
qualquer coisa no mundo o queria naquele momento...

       O som de protesto quebrou o silncio quando Omar subitamente a liberou.

       -- Eu j lhe devo desculpas por meu... Meu comportamento inapropriado em
relao a voc -- ela o ouviu dizendo. -- E agora me sinto culpado por repetir tal
comportamento. No vou... Deixar isso acontecer de novo.

       Quando ele se levantou e virou-se de costas, ela pensou que seu corpo pudesse
incendiar com o sofrimento mortificado. E estava chocada demais para que
conseguisse falar alguma coisa. De qualquer forma, Omar j estava partindo em
direo  pequena porta que levava a outra ala da casa, aos aposentos dele.

       Era apenas sexo que a conduzia, disse a si mesma... Necessidade fsica... Uma
resposta perfeitamente normal  sua prpria sexualidade. No havia nada emocional no
que sentira.

       Nada!



       Andando aflito pelo quarto, Omar tomou uma sbita deciso.

       Uma vez que no podia confiar em si mesmo para estar no mesmo lugar que
Mariella e no desej-la, precisava pr uma distncia segura entre eles. E o melhor
meio de fazer isso seria retornar para seu osis deserto.




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      CAPTULO X



      -- Faz quase uma semana que Omar partiu e ainda continua no osis.

      Mariella forou-se a se concentrar no trabalho em vez de reagir ao comentrio
da madame Flavel.

       O prncipe fora l no comeo da semana, a fim de ver os progressos do painel e
levara a famlia. A viso das quatros crianas em volta dos pais a preenchera com um
forte desejo de ter o prprio filho.

       Estava desesperada para ter um filho, reconheceu. E no apenas porque sentia
falta de Fleur. O nascimento da sobrinha devia ter despertado seu relgio biolgico e
seu senso maternal, que estavam comeando a consumi-la, corroendo seus sonhos e
emoes.

        Agora achava que entendia por que quisera tanto Omar. Seu corpo o
reconhecera como um perfeito provedor de beb! Saber disso tinha, de certo modo,
aliviado o medo insuportvel de admitir que realmente se apaixonara por ele. S se
envolvera porque queria que ele lhe desse um filho, claro!

       Fazia tanto sentido. Lembrava-se de ter lido em algum lugar que o corpo de
uma mulher respondia instintivamente e de modo primitivo, na procura dos melhores
genes para gerar um filho. Com certeza seu corpo reconhecera que os genes de Omar
eram de alto grau e o crebro dela endossara o reconhecimento do corpo.

       E este era o motivo pelo qual sua mente vinha sendo bombardeada com
mensagens, desejos e imagens que apontavam na mesma direo. O instinto maternal
estava definitivamente em alerta!

       -- Omar ligou para avisar que ainda vai permanecer no osis por mais uma
semana -- madame Flavel informou Mariella com um suspiro quando se sentaram para
jantar. -- Deve ser entediante aqui para voc, chrie, com apenas seu trabalho para
ocup-la e comigo de companhia.

      -- De jeito nenhum -- negou Mariella.

      -- Non? Mas voc sente saudade do beb, certo?

      Agora foi a vez de Mariella suspirar.

      -- Sinto, sim -- admitiu.



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        -- Ento talvez voc deva considerar ter seus prprios filhos -- disse madame
Flavel. -- Eu certamente me arrependo do fato de no ter sido abenoada com a
maternidade. Invejei muito minha irm nesse sentido. Confesso que no entendo por
que duas pessoas como voc e Omar, que qualquer um pode ver que nasceram para
serem pais, e terminaram-se contra o casamento.

      Ela no respondeu e a tia de Omar continuou:

       -- Voc est trabalhando muito duro no seu painel e uns dias de folga lhe
fariam bem.

       Na verdade, o painel estava praticamente pronto e poderia mesmo tirar uns
dias de folga. Mas para qu? Para ter ainda mais tempo de pensar em Fleur e no filho
que queria? Mais tempo para desejar que Omar tivesse ido at o fim na intimidade dos
dois antes que... Se apenas o tivesse seduzido um pouco mais, a ponto de ele no ser
capaz de parar, pensou com ousadia, ento nesse momento poderia estar carregando
um beb dentro de si.

       Irrequietos, os pensamentos comearam a circular em sua cabea. Depois que
elas acabaram de comer, madame Flavel se recolheu aos seus aposentos, deixando
Mariella andando pelo jardim sozinha. Se Omar estivesse na propriedade agora, ela
poderia procur-lo. E ento? Pedir para que ele a levasse para cama e a engravidasse?

      Ah, claro, podia imagin-lo concordando com isso!

       Mas por que teria que pedir? Era uma mulher, no era? E Omar era homem... E
j lhe mostrara que ela o excitava. Porm, ele nem mesmo estava na casa.

      O osis... Fechando os olhos, permitiu-se lembrar daquela noite quando ele
pensara que ela era Tanya...

      O corpo todo doeu de desejo!

       Irritada, ps de lado o bloco de desenho, mordiscando o lbio enquanto imagens
continuavam a vir: Bebs... Todos com as feies inconfundveis de Omar. Ela mal
pregara os olhos  noite toda e, quando dormira, fora meramente para ser
atormentada por sonhos erticos com Omar. Era como se o subconsciente estivesse
reforando o desejo por um filho dele.

       Na verdade, a nica coisa mal resolvida sobre si mesma era seu medo de ir
atrs das coisas que queria por timidez. E ento? Seria bom no futuro quando olhasse
para trs e encarasse o fato de que simplesmente no tivera coragem de perseguir
seu sonho?




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       Afinal de contas, no iria agir de forma ilegal! No tinha nenhuma inteno de
algum dia cobrar algo de Omar. Longe disso. Queria criar seu beb sozinha. Tudo que
desejava dele era um simples ato fsico.

        Para isso, tudo que tinha que fazer era seduzi-lo. E que melhor lugar do que no
osis, onde ele estava sozinho? Era at mesmo a poca certa do ms. Ela estava frtil.

        Um plano comeou a tomar forma dentro de sua mente. O primeiro passo seria
ir s compras para certas... Necessidades!

      Havia uma loja especfica da qual lembrava-se de uma ida ao centro
movimentado da cidade, que era especialista no que ela queria!



      Levemente rubra, Mariella estudou os bordados da tnica azul-turquesa de
seda muito fina que a vendedora estava mostrando.

        -- A tnica deve ser usada por cima desta cala de danarina de harm --
explicou a vendedora. -- Como voc v, a barra e o cs so do mesmo bordado que o
decote da tnica.

      Era bvio que aquela roupa fora desenhada para ser usada na seduo de um
homem. O decote pronunciado revelaria grande parte dos seios de uma mulher, e as
duas delicadas rosetas estrategicamente bordadas na frente, dificilmente
encobririam os bicos. Pelo formato "V" do cs da cala, a barriga ficaria bem exposta.

       -- E ento,  claro, temos isso -- disse a vendedora, mostrando um leno
colorido. --  para ser usado se a inteno for danar para o homem.

       Ela engoliu em seco.

        -- Eu... No... Acho que... No combina muito comigo -- ela se ouviu dizendo, a
coragem abandonando-a. Precisaria de mais coragem para usar aquela roupa do que
para ir completamente nua!

       Agradecendo a vendedora, saiu da loja e se dirigiu ao shopping. Havia muitas
outras maneiras de seduzir do que usar uma roupa de harm, tentou confortar a si
mesma. A viso era apenas um dos sentidos do homem, afinal.



      Quando finalmente retornou  propriedade Al Agir, estava exausta. Comprara
um perfume e um leo de banho que garantia tornar sua pele suave como seda.
Tambm cedera a tentao de algumas roupas de baixo novas. Francesas e


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delicadamente femininas, sem que a fizessem se sentir desconfortvel.

      Calcinhas pequenas podiam no ser to provocantes quanto uma cala bordada
de danarina, mas tinham a vantagem de serem perfeitas para usar sob o jeans.

      Ela no demorou muito para arrumar a mala. Ento escreveu um bilhete dizendo
que estava indo para o osis discutir um assunto com Omar e pediu a Hera que o
entregasse a madame Flavel quando ela acordasse da soneca da tarde.

       Pegando um txi, dirigiu-se para a locadora de veculos a fim de pegar a Ranger
de trao nas quatro rodas que reservara por telefone mais cedo.

       Dessa vez certificou-se em ligar o rdio na estao do tempo local, mas
felizmente nenhuma tempestade estava prevista.

       Respirando fundo, ligou o motor do carro.



       Praguejando baixinho, Omar empurrou o laptop para o lado e se levantou. Fora
para o osis a fim de colocar uma distncia segura entre ele e Mariella, mas tudo que a
ausncia dela estava fazendo era ativar mais ainda seus pensamentos com imagens da
mulher.

       Pensar nela! No estava apenas pensando nela, estava?

       O pessoal da tribo estava acampado a menos de cinqenta quilmetros dali e
num sbito impulso ele decidiu dirigir at l para v-los. A solido no estava provando
ser seu consolo usual. Para qualquer lugar que olhasse no osis, podia ver Mariella.
Podia haver uma lacuna de cultura entre eles, mas como ele, ela possua um forte senso
de responsabilidade, e exatamente como ele, no daria seu corao facilmente.

       Ela o havia desejado no jardim naquele dia. Ser que tambm ficava deitada 
noite, desejando-o, com medo de admitir que aqueles sentimentos fossem alm de
meramente fsicos? E se assim fosse, ento... Poderia am-lo o bastante para aceitar
sua tarefa em relao  tribo? Ousaria confessar-lhe a intensidade de seus
sentimentos por ela? De seu amor? Poderia conviver consigo mesmo se seus medos
secretos provassem estar corretos e o amor por ela superasse seu senso de dever?

       Desligando o laptop, pegou as chaves do Jipe.



      Mariella no podia se lembrar de um dia que se sentira mais nervosa, pensou
quando entrou com a Ranger ao longo da trilha rochosa, agora j familiar. A sua


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frente, a vista do galpo fez o corao disparar. E se Omar se recusasse a ser
seduzido e a rejeitasse? E se...

       Por um momento, ficou tentada a dar meia-volta e retornar  cidade. Mas logo
se recordou da tenso sexual que flura entre eles no jardim da ala das mulheres. Ele
a desejara ento, e at mesmo admitira isso.

        Ela esperou v-lo emergir do galpo ao ouvir o som do carro, mas no houve
sinal de Omar.

      Estacionando, nervosa, pensou que talvez tivesse sido melhor deixar para
chegar  noite... No escuro... Mas que sedutora estava se tornando, disse a si mesma
quando respirou fundo e caminhou determinada rumo ao galpo.

        Cinco minutos depois de vasculhar sala, quarto e arredores, em p, mirando o
osis, ainda no queria aceitar o bvio. Omar no estava l! Nada de Omar, nada de
seduo, nada de bebs!

       Uma onda de desapontamento a envolveu. Onde ele estava? Poderia ter mudado
de idia e voltado  cidade, apesar de ter informado  tia que pretendia continuar no
osis? Quo irnico seria se o fato de ter ido para l de maneira to impulsiva fizera
com que negasse a si mesma a oportunidade de conseguir o que queria!

       Mas ento se lembrou de ter visto o laptop sobre a mesa. Certamente, ele no o
teria deixado l se tivesse retornado para casa.

      O sol j estava se pondo. De modo nenhum ela arriscaria o trajeto de volta sem
o benefcio da luz do dia.

       Ento, o que ia fazer? Passar outra noite tentando acalmar as necessidades que
vinham castigando seu corpo? Simplesmente no lhe ocorrera que ele pudesse no
estar l.

       Tudo ali era to... Ele. Sonhadoramente, ela trilhou os dedos ao longo da
cadeira que Omar usava quando trabalhava no laptop. O ar parecia conter um eco do
aroma msculo, uma ressonncia da voz profunda. Ela podia visualiz-lo. Mas no era a
imagem mental de Omar que queria to desesperadamente, era?

       Sabia que precisava comer, mas no tinha apetite. Porm, estava com sede.

       Indo at a cozinha, abriu uma garrafa de gua. Gros finos de areia grudaram-
lhe na pele, tornando-a spera. Nada apropriado para uma seduo! O longo trajeto
atravs do sol do deserto a deixara cansada. O corpo parecia pesado e... Vazio.

       Uma sensao de fracasso a assolou.


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       Lentamente, saiu da cozinha pretendendo voltar  sala de estar, mas em vez
disso pegou-se indo para o quarto. Parando na porta, um forte tremor a percorreu
quando olhou para a cama e recordou-se do que acontecera ali.

        S de pensar nele sentia-se enfraquecer, querendo-o l, assim poderia roar os
lbios na pele quente masculina e deslizar as mos pelos msculos fortes dos braos e
costas, e ento atravs do trax, seguindo o suave caminho de plos que desciam pelo
abdmen para onde...

       Precisava de um banho, decidiu de repente. Gelado!



      -- Boa viagem, Ashar. -- Omar sorriu quando abraou o homem mais velho da
tribo enquanto os outros trabalhavam em desmontar as barracas, a fim de se
aprontarem para a rdua jornada atravs do deserto.

       -- Voc sempre pode vir conosco -- respondeu Ashar.

       -- No dessa vez. -- Omar meneou a cabea.

       A sua volta, podia ouvir o som familiar do acampamento, a fraca msica dos
sinos dos camelos, as velhas preparaes para a partida. A tribo viajaria durante a
noite enquanto estava fresquinho, descansando o rebanho durante o calor do dia.

       Os olhos castanhos de Ashar o estudaram.

       Ashar lembrava-se do av de Omar, assim como do pai. Alm do respeito que
tinha por Omar como seu lder, sentia tambm uma profunda afeio paternal.

       -- Alguma coisa o est perturbando. Uma mulher, talvez? A tribo ficaria feliz
em v-lo casado e com filhos que seguiriam seus passos, assim como voc seguiu os de
seu av e de seu pai.

       -- Se isso fosse to simples, Ashar -- replicou ele, sorrindo.

       -- Por que no seria? Esta mulher... Voc tem medo que ela no respeite as
nossas tradies e que queria desvi-lo de sua lealdade? Se for assim, ento ela no 
certa para voc. Mas conhecendo-o como conheo, Omar, no acredito que haja lugar
em seu corao para uma mulher assim. Voc deve aprender a confiar no que est aqui
-- disse ele, tocando o prprio corao com a mo. -- Em vez de acreditar apenas no
que est aqui. -- Quando ele ps a mo na cabea, Omar escondeu um sorriso.

       Ashar no tinha idia de quanto suas emoes estavam saindo do controle.



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         Esperou at que a tribo partisse antes de subir no Jipe e voltar para o osis.

       Uma linda lua crescente brilhava no cu estrelado. Para Omar, era durante a
noite que o deserto se tornava mais maravilhoso e mstico, uma hora em que sempre se
sentia mais em contato com sua herana cultural.

       Seus ancestrais haviam viajado atravs daquela areia por muitas, muitas
geraes antes dele, e era seu dever, sua responsabilidade, assegurar que eles
fizessem o mesmo por muitas geraes por vir. E isso no era algo que pudesse
administrar dentro de quatro paredes de um escritrio de alto nvel e vida luxuosa,
como certamente Khalid escolheria fazer.

       No, ele poderia manter e honrar o modo de vida tradicional da tribo sendo
parte dela, compartilhando-a, e isso era algo que estava totalmente comprometido a
fazer. No podia se desviar de tal propsito. Mas seus sentimentos, seu amor por
Mariella no podiam ser negados ou ignorados. A fora deles inicialmente o chocara,
mas agora finalmente reconhecia que estava alm de seu poder mudar ou controlar o
modo como se sentia.



       Ele viu a Ranger quando entrou com o Jipe no osis. Estacionando, desceu e
estudou-a cuidadosamente. No encorajava ningum a visit-lo quando estava no osis
e certamente no estava com humor para receber visitas! Quem era o dono daquele
carro?

       Franzindo o cenho, dirigiu-se para o galpo, onde imediatamente acendeu um
lampio. Olhando ao redor da sala vazia, foi checar o quarto.

       Mariella estava deitada e dormindo profundamente no meio da cama, onde se
curvara em exausto como uma criana. O robe branco que usava era dele. Ela
acendera um dos lampies, o qual iluminava-lhe a face, mostrando a delicada estrutura
ssea e os sedosos clios escuros. Sentindo o aroma dela, Omar viu-se ameaado por
um desejo instantneo.

       Seu corao batia cada vez mais rpido. Se tivesse um mnimo de bom senso,
ele a carregaria direto para o Jipe, ento voltaria para a cidade com ela sem fazer
nenhuma parada!

      Ele encostou a porta atrs de si, fechando ambos na semi-escurido sensual.
Parando ao lado da cama, fitou-a longamente.

         Algum instinto perturbou o sono de Mariella, fazendo-a se mexer e abrir os
olhos.



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      -- Omar!

       Alvio... E desejo a inundaram. Automaticamente, esforou-se para se sentar,
os braos e pernas se enrolando nas dobras do robe de Omar.

      -- O que voc est fazendo aqui? -- perguntou ele, friamente.

       -- Esperando por voc -- respondeu ela. -- Esperando para lhe dizer o quanto o
quero e o quanto espero que voc me queira.

      Ela observou a expresso dele suavizando-se e se deu conta de que o pegara de
surpresa.

      -- Voc veio dirigindo at aqui para me dizer isso?

        A resposta de Omar podia ser rude, mas o brilho nos olhos no a enganou, e
instintivamente ela soube que tinha uma chance!

       -- No para lhe dizer, Omar -- corrigiu com firmeza. -- Para mostrar a voc...
Assim...

       Levantando-se, Mariella se aproximou, deixando o robe escorregar do corpo.
Jamais imaginara que sentiria tanto orgulho em sua nudez, em sua feminilidade. Nunca
tivera tamanha certeza de quanto o silncio de um homem podia trair o desejo que ele
estava reprimindo.

      Estava parada  frente dele e Omar no se movera. Por um momento ela quase
perdeu a coragem, mas ento viu o modo como ele cerrou os punhos, tentando
esconder sua reao involuntria.

       Rapidamente ela ficou na ponta dos ps e segurou-lhe o rosto entre as mos.
Nunca, em mil vidas, teria se comportado daquela maneira simplesmente pela
gratificao dos prprios sentimentos emocionais e sexuais, mas estava fazendo isso
pela criana que desesperadamente queria pr no mundo! Em silncio, fitou
profundamente os olhos dele, refletindo seu desejo de maneira aberta. De propsito,
baixou o olhar para a boca de Omar.

       Ento, com o estmago contraindo-se de desejo e ansiedade, roou os lbios
nos dele... Devagar, saboreando o delicioso contato sexual, recusando-se a recuar
perante a falta de resposta que recebia, esforando-se para se concentrar totalmente
no prazer que lhe dava explorar o calor daqueles lbios.

       Omar no podia resistir ao que ela estava fazendo. Racionalmente, queria que
Mariella parasse, mas em vez disso ela entreabriu os lbios e o beijou profundamente.
Entregue quele momento de magia, demorou-se ali, decidida a mostrar-lhe o quanto o


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desejava.

      Sentindo a rejeio hostil do corpo dele, interrompeu o beijo, pensando que
Omar a fosse empurrar quando levantou as mos.

        Mas ento viu o desejo nos olhos dele. Omar jamais seria um amante passivo,
pensou, tremendo de prazer quando mos fortes a aprisionaram pelos braos. A
rendio dele era sua vitria, pensou feliz quando a lngua quente penetrou-lhe os
lbios entreabertos.

       -- No acredito que voc fez isso -- ele murmurou com voz rouca.

      -- Tive que fazer -- sussurrou ela. Afinal, era a verdade. -- Eu precisava estar
com voc... Assim... Como mulher.

       Liberando-lhe os braos, ele segurou-lhe o rosto, encarando-a.
Instantaneamente Mariella agarrou-lhe o pulso e virou a cabea para correr a lngua
pelos dedos dele.

       Ento o viu prender a respirao.

       -- Quero ver voc, Omar -- confessou ela, delicadamente. -- Quero tocar voc,
sabore-lo... Quero... Quero que voc me leve para cama e me d prazer, me preencha.
-- Mariella pegou a mo dele e a colocou sobre os seios nus. -- Por favor -- sussurrou.
-- Agora, Omar.

       -- Isso  loucura. Voc sabe disso, no sabe? -- murmurou ele. -- Voc no 
sua irm... Eu no estou preparado... -- A voz dele estava rouca quando abaixou a
cabea e a beijou no ombro nu, no pescoo, as mos msculas deslizando sobre suas
costas para pux-la contra si.

       -- Voc no precisa se preocupar com nada -- disse ela.

       Ela se sentia zonza com a intensidade do prprio desejo, mas s se sentia assim
porque queria um filho, lembrou-se rapidamente. Aquilo, afinal, era o que a estava
motivando, mesmo que tal motivao estivesse se manifestando numa necessidade
urgente de toc-lo e ser tocada por ele, de permitir a si mesma deliciar-se na lenta
explorao de cada pedacinho daquele corpo maravilhoso, absorvendo-lhe o calor, a
sensao, a essncia.

      Assim, o filho deles nasceria impregnado por memrias de um pai que no
conheceria. Sim, porque seu filho no precisaria de um pai presente. S precisaria de
um que lhe desse vida.

       O que estava fazendo era pura insanidade, Omar sabia, mas no podia resistir.


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Era maravilhosa demais a sensao de t-la nos braos. Na sua cama.

        Contudo, uma vez que no apenas a possusse, mas que a amasse, sabia que
nunca mais poderia deix-la partir de sua vida. Mas Mariella aceitaria seu estilo de
vida, se adaptaria a ele?

       Ela o estava beijando com uma paixo crescente, a ponta da lngua explorando
seu pescoo, os dedos correndo por seus bceps com uma sensualidade inconsciente.

        Ela gemeu baixinho, entregue, quando Omar inclinou a cabea e comeou a
trilhar beijos sensuais em seu pescoo e no vale entre os seios, acariciando-a com a
lngua quente e voraz.

      Incapaz de agentar mais um segundo aquele tormento sensual, segurou a
cabea dele, comprimindo-a contra os mamilos intumescidos e latentes de desejo.

       Ento, sussurrando uma torrente de palavras excitantes, comeou a abrir o
zper da cala dele, destruindo qualquer defesa que Omar ainda pudesse pensar em
ter.

       Ele a ajudou a remover as roupas rapidamente.

      Quando ela viu o brilho da pele nua  luz do lampio, gemeu de prazer,
estudando-o, incapaz de desviar os olhos.

        -- Se voc est deliberadamente tentando testar meu autocontrole, ento lhe
aviso que cheguei no meu limite -- disse ele com voz rouca. -- Agora voc vir a mim e
por em ao todas essas promessas sedutoras que seus olhos esto fazendo, ou terei
que ir a voc e obrig-la?

       Excitao dominou-a por completo, fazendo-a trilhar o caminho ertico de
plos at a masculinidade rgida.

       -- Voc no imagina o quanto eu quis fazer isso -- sussurrou ela.

       -- E voc no sabe o quanto desejei que fizesse...

       Num piscar de olhos Omar a deitou na cama e estava agora sobre seu corpo.

        -- Brinque com fogo dessa maneira e vai se queimar... E a mim tambm -- avisou
ele, os olhos escurecendo quando gemeu.

       -- Sabe o que ver essa expresso nos seus olhos faz comigo? Sabe o quanto
desejei toc-la novamente?




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       Mariella no havia se dado conta de como estava pronta para aquelas carcias
ntimas at que sentiu a mo vida deslizando para o centro de sua feminilidade. O
olhar dele prendendo-a enquanto lhe acariciava o sexo.

       Ela gemeu alto e arqueou o corpo, sedenta, abandonando-se totalmente.
Enlaando as pernas nos quadris msculos, beijou-o apaixonadamente, suplicando para
que Omar terminasse o que comeara.

        E quando ele a penetrou, movimentando-se calorosamente em seu interior, ela
cravou-lhe as unhas nas costas, dominada por um prazer gigantesco que jamais pensara
existir. Um prazer alm de qualquer sensao experimentada, uma necessidade que a
chocou na sua compulso devassa quando exigiu que ele fosse mais fundo e mais forte.

       Eles se movimentaram juntos, numa intensa dana ertica, enquanto gemiam de
prazer. Mariella ouviu o gemido gutural de Omar e sentiu o prprio corpo comear a
tremer nos espasmos do orgasmo mtuo. Ento ele estava ali, entregando-lhe o que ela
tanto queria. Seria esse conhecimento que fizera seu orgasmo to intenso?

      Muito tempo depois, aconchegada nos braos de Ornar, Mariella ainda sentia os
tremores da excitao. Conseguira, sabia disso instintivamente. O filho de um homem
to magnfico e perigoso quanto o prprio deserto tinha sido gerado.



        Com relutncia, Mariella abriu os olhos. Podia ouvir o barulho do chuveiro
ligado, e seu corpo todo doa com um peso desconhecido.

      -- Ento voc est acordada!

       Ela tencionou quando viu Omar vindo em sua direo, os cabelos molhados do
banho, uma toalha enrolada em volta dos quadris.

       Inclinando-se sobre a cama, ele a beijou. O corpo dela respondeu de imediato,
arrepiando-se.

      -- Humm...

      Ele a beijou de novo, mais demoradamente, as mos alisando-lhe o brao.

       Os arrepios se transformaram em tremores de prazer ertico quando ele
puxou-lhe as cobertas de cima.

       Mariella j conseguira o que queria e certamente no devia estar se sentindo
assim, uma vez que no havia nenhuma necessidade de t-lo outra vez.



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       A toalha escorregou pelos quadris de Omar, evidenciando que ele a queria.

       Era natural querer se certificar, pensou quando a mo dele tocou-lhe o seio, o
polegar j brincando com o bico. Se a natureza queria ter certeza, ento deveria
ceder a seus desejos...

       Quando Omar a segurou pelos quadris, levantando-a, Mariella j estava
antecipando o momento daquele homem magnfico dentro de si, precisando dele.

       -- H certos assuntos que teremos de resolver quando retornarmos  cidade.

       -- Hum-hum -- concordou ela, lnguida demais para levantar a cabea do
travesseiro quando Omar virou-se para beijar-lhe a boca.

       Ela parecia to tentadora deitada ali em sua cama, uma expresso de
satisfao no rosto pelo ato de amor, pensou ele, ciente do modo como seus sentidos
ainda estavam reagindo.

      Seria muito fcil deixar o desejo entre eles ganhar vida novamente, mas
haviam particularidades a serem consideradas.

       -- Mariella. -- A sbita nota na voz dele chamou-lhe a ateno. -- Por causa de
minha posio como lder de nossa tribo, sempre acreditei que no tenho... A mesma
liberdade de outros homens. Eu nunca poderia me comprometer num relacionamento
com uma mulher que no pudesse entender ou aceitar os meus deveres e
responsabilidades para com o meu povo. Nem poderia mudar meu modo de vida, ou...

       -- Omar, no precisa dizer mais nada -- respondeu ela, o corao disparado e
uma dor amarga no peito. Sabia bem qual era a mensagem que ele estava tentando lhe
dar. -- Eu nunca pediria a voc ou a qualquer outro homem para fazer uma coisa
dessas. No tema que eu possa confundir o que aconteceu. Definitivamente no estou
procurando nenhum tipo de compromisso com voc. -- Apenas o compromisso de
conceber o filho dele, admitiu mentalmente. -- Na verdade -- continuou ela --,
compromisso  a ltima coisa que quero. -- Assumindo uma casualidade que desafiava
tudo que sempre acreditara, ela deu de ombros -- Somos adultos. Quisemos fazer
amor. Satisfazer uma... Necessidade fsica. E agora que fizemos isso, no acho que
haja propsito em nos envolvermos em consideraes desnecessrias sobre os motivos
de nenhum de ns querer um relacionamento de compromisso. Verdade, Omar, no
quero me casar com voc mais do que voc quer se casar comigo! Na verdade, nunca
me casarei -- declarou com forte determinao.

       -- O qu?

       Por que Omar a estava olhando com aquele misto de raiva e amargura? Onde



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estava o alvio que ela esperara ver nos olhos dele perante sua fria declarao de que
tinham se unido apenas para saciar o apetite sexual de ambos?

      -- O que voc est dizendo? Voc no  sua irm, Mariella. No  uma daquelas
mulheres superficiais que s pensam em si mesmas, que cedem a seus desejos para
experimentar o que querem e quando querem, que passam de mo em mo, de cama em
cama sem... -- Ele parou e meneou a cabea.

        -- Mas Tanya...

       -- Voc no  como ela -- ele a interrompeu. -- Voc nem mesmo sabe o que
est dizendo! Mero sexo fsico no  uma coisa que...

       Ela podia ver e sentir a intensidade da raiva crescente de Omar, assim como
podia sentir sua prpria reao perturbadora de pnico e dor, mas recusou-se a se
deixar intimidar.

       -- No vou discutir com voc, Ornar. Sei como me sinto, o que quero e o que no
quero da vida.

      Bem, aquilo era verdade, no era? Sabia o que queria e tinha todas as
esperanas de que na noite anterior ele lhe dera...

        -- Realmente espera que eu acredite que voc viajou at aqui s porque queria
sexo?

      -- Por que no? -- Ela deu de ombros. -- Afinal, seria difcil ter ido a seu quarto
na propriedade Al Agir -- apontou ela, tentando soar como uma mulher que no
pensava duas vezes em saciar seu apetite sexual. -- Esta era a oportunidade perfeita!

       Omar a estava olhando como se quisesse faz-la engolir as palavras de volta,
reconheceu nervosa. Devia ser o orgulho masculino que o fizera reagir daquela maneira
to inesperada. Os homens gostavam muito de usar as mulheres para prazer sexual
sem se comprometer, mas aparentemente no gostavam muito quando se sentiam
usados.

       As pernas comearam a tremer quando imaginou o que Omar poderia dizer, e
fazer, se soubesse que ela nem mesmo o quisera por desejo sexual, e sim pelo desejo
de conceber um filho!

       O celular dele tocou, quebrando o silncio tenso. Pelas respostas concisas,
Mariella poderia dizer que havia algum problema. O que foi confirmado quando ele
terminou a ligao e disse-lhe abruptamente:

        -- H um problema com a tribo, uma briga entre dois dos membros mais jovens.


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Tenho que ir para l imediatamente.

      -- Tudo bem. Posso voltar sozinha para a cidade -- ela o assegurou.

     -- Esse assunto no est encerrado ainda, Mariella -- disse ele, seriamente. --
Quando eu voltar  propriedade Al Agir, terminaremos a discusso.

       Ela no arriscou responder. S serviria para provocar uma discusso intil. O
painel estava pronto e no havia nada agora para mant-la em Zuran. J decidira,
voltaria imediatamente para casa!




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Uma noite Com o Sheik                                                 Penny Jordan


      CAPTULO XI



       -- Mari, voc tem que ir! O prncipe ficar muito ofendido se voc no
comparecer. Alm disso, pense nos futuros trabalhos que pode estar perdendo. Quero
dizer, dei uma olhada discreta na lista de convidados e todos que significam alguma
coisa no universo de corridas de cavalo, estaro l, alm de algumas das maiores
celebridades do planeta! Ser o evento de maior prestgio no calendrio hpico desse
ano e a est voc, anunciando que no quer ir. Por qu? O prncipe ficou
impressionadssimo com o painel. Quer melhor publicidade do que essa?

      Mariella podia ouvir a exasperao na voz de sua agente e reconhecia os
motivos. Todavia, Kate no sabia que ela tinha boas razes para a relutncia em
retornar a Zuran.

       Instintivamente olhou para o prprio corpo. Com trs meses, a gravidez ainda
no estava evidente.

      Grvida... De um beb que j amava loucamente. Seu filho!

      Seu e de Omar, lembrou-se com tristeza.

      Mas Omar nunca precisaria saber! Ningum que a olhasse poderia saber.

       E se no fosse cuidadosa, poderia levantar suspeitas no retornando a Zuran
para o extravagante evento de inaugurao da nova rea cercada e da primeira
exposio pblica de seu painel.

       Tanya seria a primeira a lhe fazer perguntas se ela no fosse. E, claro, seria
uma tima oportunidade para ver Fleur.

      Mas contra tudo isso, e pesando no outro lado da balana, estava Omar, o
homem que ela passara muito tempo pensando desde seu retorno para casa. Nem
mesmo o conhecimento oficial de que concebera seu filho to desejado, pusera um fim
no desejo e na dor da solido que agora a assombravam no somente nos sonhos, mas
tambm o dia inteiro. No havia uma razo lgica para desej-lo fisicamente. E muito
menos, motivos para sentir uma dependncia emocional to profunda dele. Esse tipo de
sentimento pertencia a algum que estava apaixonado. E ela no se permitiria fazer
uma coisa to tola quanto se apaixonar!

       Na verdade comeara a se questionar, nos momentos mais angustiantes, se o
que estava sentindo podia ser de alguma maneira gerado pelo beb. Um desejo da
parte da criana pelo pai que nunca iria conhecer. Mariella prometera a si mesma que


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seu filho nunca sofreria a angstia de ser rejeitado pelo prprio pai, porque ela se
certificara de que no haveria pai para rejeitar. Proveria o filho de todo amor ele
pudesse precisar.

       Faria-o sentir-se to amado, to seguro e desejado, que a ausncia de Omar
no teria nenhum tipo de impacto na vida dele.

       Diferente de si mesma, seu filho nunca sofreria a dor de ouvir a me falar do
amor pelo homem que os abandonara, como acontecera com ela. Seu beb nunca se
sentiria culpado por ser a causa da ausncia de um homem que abandonara a mulher
simplesmente porque no quisera assumir a responsabilidade de um filho!

        -- Voc tem que ir -- Kate estava insistindo.

        -- Certo, certo, voc venceu -- disse ela, sorrindo ao ver o rosto aliviado de
Kate.



        -- Que bom que voc veio, irm querida! -- exclamou Tanya excitada quando foi
busc-la no aeroporto de limusine, com Ali ao volante. -- No trouxe Fleur, porque ela
est com um novo dentinho rompendo, mas voc a ver em casa. No vejo a hora de ir
 inaugurao da nova rea do hipdromo. Ser um evento super badalado. Khalid
comprou um vestido fabuloso para mim. O que voc vai usar? Se no tem nada ainda,
podemos ir s compras...

       -- No ser necessrio. J tenho uma roupa -- Mariella a interrompeu
depressa, mentalmente grata pelo fato de que Kate insistira em lev-la ao shopping.
Sua pequena barriga no podia ser vista quando estava vestida, mas algum to
prxima quanto sua meia-irm, talvez notasse as diferenas em seu corpo na
intimidade de um vestirio de loja.

        claro que ia contar a Tanya sobre o beb, uma vez que estivesse segura de
volta na Inglaterra, e todas as perguntas que sua irm iria fazer sobre o pai da
criana, poderiam ser respondidas pelo telefone em vez de pessoalmente! A ltima
coisa que Mariella queria era arriscar se trair por uma expresso reveladora.

       Sabia exatamente o que ia dizer a Tanya. J decidira inventar que seu filho era
resultado de uma inseminao artificial e o pai um doador de esperma desconhecido. A
limusine estava agora atravessando a cidade.

        -- Qual  a distncia at sua nova propriedade, Tanya? --perguntou Mariella.

        Vinha recebendo muitos e-mails da irm, cheios de animao sobre a nova casa



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que ela e Khalid estavam construindo.

       -- Oh, fica a vrios quilmetros da casa de Omar. No vejo a hora de me mudar
para l, mas tenho que admitir que estou um pouco preocupada com a adaptao de
Fleur. Ela adora Hera e... A propriedade Al Agir  seu lar e...

       -- Como assim, no v a hora de se mudar? -- indagou Mariella ansiosa. -- Pensei
que vocs j tivessem mudado.

       -- Oh, sim, era para termos nos mudado, mas os mveis no foram entregues.
Por isso ainda estamos vivendo com Omar. A tia-av dele est l de visita no momento.
Ela gostou muito de voc, Mari, mas no gosta tanta de mim. Est sempre a elogiando
e...

      Mariella sentiu o corao disparar dentro do peito, causando-lhe um pnico
quase incontrolvel. No estava preparada para ficar na casa de Omar. De jeito
nenhum!

       Mas a propriedade Al Agir estava a sua frente. Era tarde demais para anunciar
que mudara de idia e que ficaria hospedada num hotel. O carro chegara aos portes
de ferro.

       -- Deixe sua bagagem para Ali -- Tanya a instruiu.

       Onde estava a trepidao que deveria estar sentindo? Perguntou-se Mariella.
Contra qualquer lgica, no momento que pisou na propriedade, sentiu um enorme bem-
estar, uma sensao de familiaridade bem-vinda, como se... Como se tivesse chegado
em casa...

      --  melhor irmos direto ver Cecille! -- Tanya fez uma careta. -- No quero nem
pensar como ela vai reclamar se no formos. Ela at pediu para o pessoal da cozinha
preparar carolinas de chocolate para voc!

       Mariella mordiscara com fora o lbio para diminuir a fraqueza ameaadora de
sua prpria resposta emocional. A ltima coisa que queria ou precisava naquele
momento era ser lembrada do fato de que estava muito sozinha, privada inclusive do
convvio com a famlia. Diferente de Omar, que no era apenas parte de um grande
grupo familiar, mas tambm compartilhava ativamente uma grande parte de sua vida
com a tribo.

       Traioeiramente, ela pegou-se pensando como uma criana se sentiria
crescendo numa casa com tantos adultos amando-a, com tia, tios e primos para
brincar...




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       -- Mari! Estou to feliz que esteja aqui -- comentou Tanya.

       -- Senti muita falta sua. Voc vai ficar no mesmo quarto que ficou antes. Omar
nos cedeu um complexo com sute enquanto estamos morando aqui. Khalid disse que de
jeito nenhum concordaria em viver como eles costumavam viver no passado, em
aposentos separados para homens e mulheres. Achei timo, porque eu tambm jamais
concordaria!

       Mariella no respondeu.

      -- Eu no poderia fazer o que Omar faz e ir para o deserto com a tribo. --
Tanya deu de ombros. -- S a idia me apavora. Toda aquela areia... O calor! E os
camelos? -- Ela fez uma careta de nojo. -- Felizmente Khalid pensa como eu. No
entende como Omar deixa sua vida ser dominada por algumas promessas que o av fez.
E nem eu. Se Khalid fosse o chefe da famlia, as coisas seriam muito diferentes.

      -- Ento que bom que Khalid no  o chefe -- respondeu Mariella de forma
protetora, antes que pudesse evitar.

       Ela notou o modo como Tanya a olhou e sentiu-se obrigada a explicar:

       -- Omar  o guardio de algumas tradies insubstituveis, Tanya, e se
abandonasse tais responsabilidades, um modo de vida que nunca poderia ser
ressuscitado, poderia perder-se para sempre.

       -- Um modo de vida? Passar semanas vivendo no deserto e ter que fazer isso
todo ano! No, no posso pensar em nada pior. Pode ser tradio, mas eu no faria isso.
Bem, voc pode imaginar alguma mulher querendo viver assim? Pode?

       Mariella nem teve que parar para pensar na resposta.

       -- Permanentemente no, mas a fim de preservar algo muito importante, e para
apoiar o homem que eu amasse, para estar com ele e compartilhar uma parte muito,
muito importante de sua vida, sim, eu poderia e faria.

       -- Verdade? -- Tanya a encarou. -- Voc  louca -- disse, meneando a cabea. --
Igualzinha a Omar. Na verdade, Cecille tem razo. Voc e Omar combinam.

        Antes que ela pudesse pedir uma explicao de quando e como aquelas
similaridades haviam sido discutidas, elas estavam na sala de estar.

       -- Mariella, que maravilha v-la de novo! -- exclamou madame Flavel com
afeio.




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      Meia hora depois, segurando Fleur enquanto a sobrinha sorria feliz, Mariella
comeou a se sentir um pouco mais relaxada.

       Omar, afinal, evitaria o contato dos dois, assim como ela o faria, embora por
razes diferentes. Talvez nem mesmo chegasse a v-lo!

       Totalmente envolvida com Fleur, distraiu-se do que estava acontecendo no
resto da sala, at que ouviu madame Flavel exclamando feliz:

      -- Ah, a est voc, Omar!

       Omar! Automaticamente ela se virou, percebendo que o corpo todo comeara a
tremer. A sensao era to forte que a levava  beira do pnico. No podia estar se
sentindo assim. No devia sentir aquela necessidade fsica e emocional.

        No era mais nenhuma garota agora. Era adulta. Uma mulher olhando para o
homem que fora seu amante, sabendo como era o corpo dele, como era a sensao, o
gosto... O toque... Seu conhecimento sobre Omar, em vez de suprir-lhe o desejo,
aumentava-o, atormentando-a com memrias de intimidade. No mais o via como uma
poderosa figura distante, mas como um homem... Seu homem! Mas isso era impossvel.
O que significava aqueles sentimentos por Omar?

       -- Omar, eu estava dizendo a Mari o quanto voc e ela so parecidos -- ela
ouviu Tanya comentando.

      -- Parecidos?

      Mariella sentiu os olhos dele queimando nos seus.

      -- Em suas atitudes em relao s coisas -- explicou Tanya.

      -- Mari, voc deveria ter filhos. Voc  uma me nata.

      -- Concordo plenamente com voc, Tanya -- disse madame Flavel.

       Mariella enrubesceu quando todos se viraram para olh-la, mas foi o sorriso
cnico de Omar que a afetou, quando o olhar percorreu-lhe o corpo, parando no beb
que ela segurava nos braos. O fato de saber que dentro de seis meses estaria
carregando seu prprio filho como carregava Fleur agora, fez seus olhos queimarem
com lgrimas ameaadoras. O que estava errado com ela? Estava se comportando
como... Reagindo como... Como uma mulher apaixonada. Total, louca e
desesperadamente apaixonada! Mas no podia. No ia se permitir estar!




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       Desolado, Omar observou-a aninhar Fleur. Dissera a si mesmo que a descoberta
que ela no correspondia a seus sentimentos seria o bastante para destru-los. E
deveria ter sido! Mas naquele momento, se estivessem a ss...

       A sensao de enjo que acompanhara seus pensamentos indesejados estava se
recusando a partir e Mariella comeou a entrar em pnico. Sofrer enjos nos dois
primeiros meses de gravidez, mas durante as ltimas semanas vinha se sentindo bem
melhor. Essa nusea, porm, no tinha nada a ver com o beb e sim com suas emoes.
Emoes de medo e pnico que a faziam ter vontade de fugir dali.

       Instintivamente, desviara os olhos de Omar, incapaz de confiar em si mesma
para continuar encarando-o. Tanya correra para cumprimentar o marido que acabara
de chegar.

       -- Mari -- Khalid a cumprimentou afetuosamente. -- Estamos to felizes que
voc esteja aqui. E j vou lhe avisando que agora que conseguimos traz-la, no a
deixaremos partir to facilmente. Tanya j est fazendo planos para convenc-la a
mudar-se para Zuran permanentemente. Ela lhe contou?

        Mudar-se para Zuran! A idia a fez empalidecer. Omar franziu o cenho quando
viu a reao de Mariella. Parecia que ia desmaiar.

       -- Khalid, v buscar um pouco de gua -- pediu ele, indo para o lado dela e
tirando-lhe Fleur dos braos.

       Apenas a sensao da mo de Omar tocando seu brao nu, a fez tremer de
desejo, e parecia-lhe que o beb no seu tero sentia o mesmo desejo pelo toque e
amor do pai. Ela estava vagamente consciente de ser levada para uma cadeira e
instruda a se sentar, e ento um copo de gua foi colocado em sua mo.

       -- No h nada errado. Estou bem -- disse. A ltima coisa que precisava agora
era levantar algum tipo de suspeita sobre sua sade.

      -- Mari, voc est plida -- disse Tanya, preocupada.

      -- S estou um pouco cansada.

     -- Voc provavelmente vai se sentir melhor depois que comer alguma coisa.
Teremos um jantar informal de famlia esta noite.

       -- No -- recusou Mariella agitada. No podia suportar passar mais tempo na
companhia de Omar. -- Desculpe-me, Tanya, mas no tenho apetite. Estou cansada... O
vo...

      --  claro, petite, ns entendemos -- murmurou madame Flavel, indo em seu


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resgate. -- No entendemos, Omar?

      -- Perfeitamente -- concordou ele de imediato.



       Abruptamente Mariella abriu os olhos. O corao estava disparado. Estivera,
de novo, sonhando com Omar. Consultou o relgio. Passava um pouco das dez da noite.
Os outros provavelmente estariam ainda sentados  mesa de jantar. Sua garganta doa
e estava apertada com a intensidade das emoes.

       Quando se levantou da cama e foi  janela olhar o jardim l fora, estremeceu.
Fora ali, perto da piscina, que Omar massageara seus ombros tensos, e ela se dera
conta do quanto o desejava.

       Seus olhos arderam com as lgrimas. Ento era como sua me, afinal! Estava
destinada a sofrer a mesma dor. Uma dor que impusera a si mesma. Como pudera ser
to tola? Como fora to irresponsvel em desafiar o destino? Como pde ter ignorado
tudo que conhecia sobre si mesma? Certamente devia ter se dado conta de que era
impossvel entregar-se a um homem com a paixo intensa que se entregara a Omar, e
no am-lo.

       Tudo que quisera fora um filho, insistiu com teimosia. Um filho? No, o que
quisera fora um filho de Omar. E s isso deveria ter lhe dito, ter lhe avisado...

      Com uma clareza assustadora de repente se deu conta do que fizera. No
apenas a si mesma, mas tambm a seu beb. Um dia seu filho iria exigir saber sobre o
pai. Quando isso acontecesse, que respostas daria? Lgrimas de culpa e
arrependimento deslizaram por suas faces. Era tarde demais para mudar as coisas.

       -- Sinto muito -- sussurrou ela, as mos no ventre. -- Por favor, por favor,
tente me perdoar. Amo tanto voc.

        Ela roubara o direito de Omar de escolher paternidade, e roubara de seu filho
o direito a um pai... O direito de ser amado por ele.

      J passava da meia-noite quando finalmente voltou para a cama, tentando
dormir para aliviar a culpa e a angstia de seu corao.



       -- Bem, o que voc acha? Como estou? -- perguntou Tanya animada, enquanto
girava em volta de Mariella em seu vestido novo.

      -- Voc est fabulosa -- replicou Mariella com sinceridade.


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       -- Voc tambm -- disse Tanya.

        Ela forou um sorriso. O vestido com uma estampa simples de flores lhe caa
bem, mas estava muito mais preocupada sobre at que ponto ele escondia suas formas
do que com a beleza da roupa. Em menos de meia hora estariam a caminho da abertura
oficial do hipdromo e Mariella daria tudo para no ter que ir!

      Os ltimos trs dias haviam sido uma tortura. J fora ruim o bastante apenas
descobrir que amava Omar. E agora a angstia adicional de ter que enfrentar a
constante presena dele... Cada vez que o olhava, a dor aumentava, assim como a culpa.

       Quase no conseguira comer devido  ansiedade e no via a hora de tomar o
avio que a levaria de volta para casa!

      Sob circunstncias diferentes, estaria nervosa pensando na reao das pessoas
perante seu trabalho. Mas ento, naquele momento, pensou com tristeza, nem se
importava com o que elas pensariam.

       -- Vamos -- Tanya a apressou. -- Est na hora.

       Relutante, ela se levantou.

       Pde sentir o olhar de Omar sobre si quando entrou no ptio onde Khalid j
estava ao lado do carro que os esperava. O vento quente do deserto soprou as finas
camadas de seda do vestido longo, aderindo-o ao corpo de Mariella, que imediatamente
puxou o tecido, afastando-o de suas formas. Para seu alvio, Omar entrou no banco da
frente do carro. Apesar da forte colnia de Khalid, ela sentiu o aroma peculiar de seu
amor e desejou-o desesperadamente.

        -- Pobre Mari, voc deve estar nervosa. -- Tanya tentou confort-la,
percebendo o desconforto da irm. -- Voc quase no comeu desde que chegou, e est
to plida.

       -- Tanya tem razo, voc est plida -- disse Omar vrios minutos depois que
eles tinham chegado ao destino e ele abrira-lhe a porta do carro, deixando-a sem
alternativa, seno descer. Ento a segurou pelo cotovelo, impedindo-a de se afastar.

        Mariella sabia que ele estava esperando a oportunidade para descarregar a
raiva que obviamente sentia em relao a ela. Via isso no olhar dele toda vez que a
fitava, sentia na tenso que se instalara entre os dois.

      -- O que est havendo, Mariella? Se no quer comer nada, ento talvez seja
outro apetite que voc queira satisfazer.  isso? Voc est sedenta por sexo? --
perguntou, agressivamente.



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       -- No -- negou ela de imediato, tentando mais uma vez se afastar.

     Ento o homem deliberadamente esperara at agora? Escolhera aquele
momento para lanar seu ataque, onde sabia que ela no teria escapatria?

       -- No? -- repetiu ele. -- Ento por que voc est tremendo tanto? Por que me
olha com tanto desejo quando pensa que no estou notando?

       -- No fao isso -- replicou ela, enrubescendo.

      -- Voc est mentindo -- declarou Omar. -- E no negue. A menos que esteja
tentando me provocar outra vez. E isso que voc quer, Mariella?

       -- Pare com isso! -- exigiu ela, ouvindo o tremor da prpria voz.

        -- Falei com sua agente hoje. Ela me disse que tinha certeza ficaria felicssima
de saber que quero um projeto seu muito especial. Principalmente quando eu disse a
ela o quanto estava preparado a pagar para garantir seus... Servios exclusivos.

       Ela cambaleou pelo choque do comentrio.

       -- Omar, por favor -- implorou, os olhos se arregalando quando viu o brilho de
triunfo ganhar vida na expresso do rosto dele.

       -- Por favor? -- repetiu ele com delicadeza.

       -- Omar, Mariella, venham -- Tanya os chamou.

      -- Estamos indo. Eu s estava discutindo um plano com sua irm -- respondeu
Omar enquanto guiava-a em direo  multido de pessoas entrando na rea coberta.



       -- Bem, cunhada, acho que podemos dizer com segurana que seu painel  um
sucesso extraordinrio -- comentou Khalid, sorrindo para Mariella. -- Todos esto
falando sobre ele e realmente ficou muito, muito bonito.

        Ela tentou responder com entusiasmo, mas seu sistema nervoso ainda estava
em alerta no caso de Omar reaparecer de repente e continuar seu cnico tormento
verbal.

      -- Khalid e eu vamos comer alguma coisa -- declarou Tanya. -- Voc quer vir
conosco?

       Nauseada, ela meneou a cabea. A ltima coisa que queria era comida. Passara o



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dia todo enjoada.

       -- Mariella, meus parabns! Esto todos maravilhados.

       Quando ela reconheceu a pessoa que a elogiava, percebeu que Omar estava com
ele. O enjo aumentou, mas ela sorriu, recusando-se a sucumbir ao mal-estar.

      -- Omar estava me contando que contratou voc para fazer um registro visual
da vida diria do povo dele -- continuou o prncipe. -- Uma excelente idia. --
Sorrindo, ele comeou a se afastar.

        Ento era aquilo que Omar quisera dizer! J abaixando a cabea em deferncia
para o prncipe, ela de repente a levantou, pretendendo olhar para Omar, mas em vez
disso, foi dominada por uma onda de tontura e fraqueza.

       -- Mari, o que foi? -- perguntou Tanya ansiosa. -- Voc parece que vai desmaiar.
Enjos, palidez... Qualquer um pensaria que voc est grvida! -- Ela riu.

       Quando sua irm se virou, Mariella se deu conta de que Omar a olhava
diretamente, e soube, pela expresso, que ele ouvira o comentrio provocativo de
Tanya e de alguma maneira, adivinhara a verdade!

       A vontade de fugir correndo era to forte que suspeitou que se estivesse em
condies, o teria feito. Porm, mais uma vez ele parecia capaz de ler sua mente.

       -- Sua irm no est bem -- disse ele a Tanya. -- Vou lev-la de volta para casa.

        -- No -- protestou ela, mas era tarde demais. Khalid estava apressando Tanya
para ir jantar e Omar j a estava conduzindo em direo  sada.

        Era impossvel para qualquer um dos dois falar alguma coisa no carro enquanto
Ali dirigia.

       -- Por aqui -- ele a instruiu, impedindo-a de procurar a segurana do quarto
destinado a ela, guiando-a na direo de seus prprios aposentos.

       -- Voc no pode fazer isso -- murmurou ela, tremendo. -- Sou uma mulher
solteira, lembra-se? E...

       -- Uma mulher solteira que est carregando um filho meu! -- Ele abriu a porta
da sute e a forou a adentrar a saleta ntima antes do quarto.

       Mariella estava tremendo. No tinha fora para aquele tipo de discusso. No
agora, e provavelmente nunca!




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       -- Omar, estou cansada. Foi um longo dia.

       -- Por que voc no falou nada? Ou estava esperando que, no comendo ou por
levar-se  exausto, poderia provocar um fim natural para isso? -- acusou ele.

      -- No! -- exclamou ela, horrorizada. -- Como voc ousa dizer isso? -- Lgrimas
marearam-lhe os olhos. -- Eu queria este beb -- declarou. -- Eu...

       -- Importa-se de repetir isso? -- exigiu ele com cinismo.

       Nervosa, ela lambeu os lbios.

       -- Repetir o qu?

       -- No brinque comigo, Mariella. Voc sabe exatamente o que quero dizer.
Acabou de falar "eu queria este beb", em vez de "quero". O que significa que no era
s sexo que voc queria de mim, conforme alegou, certo?

       Ela no respondeu.

       -- O qu? Nada a declarar? -- desafiou ele com amargura.

       -- Nem mesmo um "foi um acidente"?

       Ela mordiscou o lbio inferior com fora. No iria humilhar-se mentindo para
ele.

       -- Voc no precisa se preocupar -- ela tentou se defender. -- Nunca pedirei
nada a voc, Ornar. Vou assumir total responsabilidade por... Por tudo. Quero assumir
total responsabilidade -- reforou. -- Jamais deixarei meu beb sofrer como sofri,
tendo um pai que...

        -- Seu beb? -- ele a interrompeu, bruscamente. -- Seu beb, Mariella,  meu
filho! Meu filho!

      -- No -- negou ela. -- Este beb no tem nada a ver com voc. Ele 
completamente meu!

       -- Nada a ver comigo? No acredito no que estou ouvindo. -- Ele suspirou. --
Este beb tem tudo a ver comigo, Mariella. Afinal, sem mim, ele no existiria. Farei
arranjos para nos casarmos o mais rpido e discretamente possvel, e ento...

       -- Casar? No! -- recusou ela com veemncia, pnico estampado na expresso.
-- No vou me casar, Omar. Nunca. Quando minha me se casou com meu pai, acreditou
que ele a amasse, que podia confiar nele, mas enganou-se. Ele a abandonou...



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Uma noite Com o Sheik                                                     Penny Jordan

Abandonou a ns duas porque no me queria.

       Todas as emoes que ela vinha bloqueando dentro de si explodiram num
rompante de agonia, mesmo enquanto em algum lugar em seu interior, havia uma
profunda dor com o pensamento do quanto queria o compromisso total de Omar para
com o beb e para com ela. Um compromisso total de amor infinito.

         -- No sou seu pai, Mariella, e no que diz respeito a meu filho -- a boca dele se
comprimiu --, em Zuran os direitos supremos so do pai. Eu estaria dentro de meus
direitos legais em alegar que voc no tem permisso para deixar o pas com meu
filho... Antes ou depois do nascimento dele.

       Confusa, ela perguntou:

       -- Por que est fazendo isso? Sua tia me contou que voc jurou que nunca se
casaria ou teria filhos.

       -- No -- disse ele. --  verdade que decidi no me casar, mas no porque no
quisesse uma esposa e filhos. O motivo foi ter acreditado que nunca poderia encontrar
uma mulher que me amaria com fogo, paixo e compromisso, capaz de entender e
aceitar minhas responsabilidades para com o meu povo. No achei que uma mulher
assim pudesse existir!

       -- E porque ela no existe... Porque estou gerando seu filho, voc est
preparado para se casar comigo? No posso fazer isso, Omar. No vou me casar s por
causa do beb. -- A voz de Mariella comeou a tremer quando as emoes a dominaram
e, para sua humilhao, lgrimas comearam a rolar pelas faces.

       Ela levantou as mos para o rosto e enxugou-as, incapaz de suportar a resposta
insolente de Omar ao seu desespero. Deviam ser os hormnios do beb que a faziam
chorar daquele jeito, deixando-a to fraca e vulnervel.

       -- Mariella...

      Ela tremeu quando sentiu o calor da respirao de Omar contra sua pele,
quando ele se aproximou, pegando-lhe os braos.

        -- No! -- A voz dele era sofrida. -- No suporto o pensamento de saber que
voc e meu filho, as duas pessoas que mais amo, ficaro longe de mim. E tambm no
posso suportar saber que a forcei a ficar comigo contra sua vontade. Quando voc foi
at mim no deserto, entregou-se a mim... Foi como se tivesse lido minha mente. Como
se soubesse o quanto eu desejava que ficssemos juntos, e soubesse que eu estava
esperando pela oportunidade certa de me aproximar de voc e confessar-lhe como me
sentia. Porm, eu estava ciente do que acontecera na sua infncia com seu pai. Queria



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Uma noite Com o Sheik                                                  Penny Jordan

ganhar sua confiana antes de lhe revelar o quanto desejava lhe pedir que
compartilhasse a vida comigo. -- Ele suspirou. -- Eu sabia sobre seu senso de
compromisso e responsabilidade e tinha certeza que o futuro de meu povo estaria
seguro em suas mos. Pensei que juntos... Ns pudssemos... Mas eu estava errado. Vi
isso quando voc deixou bem claro que no me amava. E agora sei que nem ao menos me
desejava. Queria meramente algum para ser pai de seu filho.

       Mariella estava boquiaberta.

        -- Quero e preciso de vocs dois comigo mais do que posso encontrar palavras
para expressar, mas no posso agentar v-la sofrendo assim. Vou organizar tudo para
mand-la de volta  Inglaterra se  isso que voc quer, mas vou lhe pedir que pelo
menos me permita alguma parte da vida de meu filho, por menor que seja. Irei, claro,
prover vocs dois financeiramente, isso no  apenas meu dever, mas tambm meu
direito. Mas, pelo menos uma vez por ano, gostaria de sua permisso para ver meu
filho. Para passar um tempo com ele. Se necessrio irei a seu pas para esse fim. E...

       Ela lutou para absorver o que ele estava dizendo. Omar a queria. Ele a amava.
Na verdade, amava-a tanto que estava preparado para pr os desejos e necessidades
dela na frente dos seus.

      Um novo sentimento comeou a penetr-la delicadamente, um calor que
permeava cada clula de seu corpo, derretendo a desconfiana e dor que a
acompanhavam desde o primeiro minuto que soubera sobre seu pai. Um sentimento
desconhecido que lhe trazia euforia e felicidade plena e crescente.

       Instintivamente, tocou o ventre. Seu beb poderia sentir o que ela estava
sentindo? Estaria agora envolto na mesma felicidade?

       Omar ps a mo sobre a sua e aquele pequeno gesto a emocionou at as
lgrimas. Erguendo a cabea, encarou-o sem nenhuma tentativa de esconder as
emoes.

       -- Eu no sabia que voc me amava -- sussurrou ela.

       -- Voc sabe agora.

       Ela podia ver o sofrimento nos olhos dele. Gentilmente, retirou a mo para que
ele sentisse o beb em seu ventre, o olhar monitorando a reao imediata e intensa.
Omar nunca faria o que seu pai tinha feito, ela sabia disso, assim como sabia quanto
tempo perdera, quanto arriscara e quase perdera por causa de sua recusa de permitir
a si mesma acreditar que nem todos os homens eram iguais a seu pai.

       Juntamente com seu estado de felicidade, pde sentir uma outra emoo que



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se esforara para identificar. Era liberdade, reconheceu, liberdade do fardo que vinha
carregando consigo por tanto tempo, e era Omar quem lhe dera isso, oferecendo-lhe
seu amor, sendo homem o bastante para revelar sua vulnerabilidade. Ela respirou
fundo, tomou coragem e segurou forte no brao dele.

       -- No  verdade o que falei -- disse, simplesmente. -- No era apenas sexo.
Tentei fingir que era para mim mesma porque tinha muito medo de admitir meus
verdadeiros sentimentos, mas ento no pude afast-lo da minha mente e continuei
desejando voc. -- Ela enrubesceu de leve quando viu o modo que ele a estava olhando.
-- No me olhe assim -- protestou ela. -- No ainda, no at que eu termine de lhe
dizer o quanto eu o queria...

       -- Queria, no passado ou... -- pressionou ele com voz rouca.

       -- Eu o queria na poca e ainda quero -- acrescentou, a voz rouca de emoo. --
E no apenas quero. Preciso de voc. Amo voc -- ela finalmente conseguiu falar, a voz
mais baixa que um sussurro.

       -- Voc me ama, mas confia em mim, Mariella? Acredita quando digo que nunca
a decepcionarei ou lhe darei motivo para duvidar de mim? Acredita quando digo que
voc e nosso filho tero meu compromisso e amor eterno?

       Mariella o contemplou com paixo.

       -- Sim -- respondeu com firmeza. Ele comeou a beij-la.

       -- Omar -- protestou ela. -- Os outros voltaro logo.

       -- Devo parar ento? -- indagou ele, roando os lbios contra os dela.

       -- Humm... no. -- Mariella suspirou, entregando-se abertamente s carcias
erticas.

       -- Todas as noites pensei em voc assim -- confessou ele. -- Queria t-la em
meus braos. Se eu tivesse uma mnima esperana de que voc pudesse me amar, no a
teria deixado ir embora. Mas agora estou lhe avisando, Mari, nunca a deixarei partir.

       -- Quero que voc nunca me deixe partir -- respondeu ela, emocionada. -- Leve-
me para a cama, Omar -- implorou. -- Leve-me para a cama e me mostre que isso no 
apenas mais um sonho.

      Ento estava nos braos de Omar e sendo carregada da saleta para o quarto,
com ele beijando-a com paixo, amor e com todo compromisso que ela agora
reconhecia que secretamente esperara por muito tempo.



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       EPLOGO



       -- Bem, o que voc achou de seu presente de aniversrio de casamento? --
Mariella perguntou a Omar, enquanto o observava com uma secreta ansiedade.

      Vinha trabalhando naquele presente especial desde o casamento deles, s
parando nas primeiras semanas de vida do filho dos dois.

       Ele meneou a cabea, como se tivesse dificuldade para compreender o que
estava vendo.

       -- Eu sabia que voc estava trabalhando em alguma coisa, mas isto...

      O tom de seriedade na voz de Omar abalou o autocontrole de Mariella,
forando-a a revelar quanto a aprovao dele significava para ela.

       -- Voc no gosta?

       -- Se gosto? Mariella. -- Aproximando-se, ele a envolveu nos braos. -- No
existe nada, excluindo voc e nosso menino barulhento, que eu valorizaria mais --
murmurou emocionado quando a virou nos braos para que ambos pudessem ver a srie
de desenhos que ela ficara organizando na saleta ntima da sute, a fim de surpreend-
lo quando ele acordasse na manh do aniversrio de casamento.

       Como um presente de casamento ao marido, Mariella pedira a permisso para
viajar pelo deserto com a tribo. Consciente da gravidez da esposa, Omar inicialmente
relutara em concordar, mas ela fora insistente. Fora naquela jornada que ela fizera
secretamente os esboos preliminares para o que era agora um documento visual do
estilo de vida da tribo, um registro que revelava, no apenas seu olho artstico para
detalhes, mas tambm seu amor por aquele homem.

      -- Tambm tenho um presente para voc, embora no tenha seguido o conselho
de Tanya e marcado uma viagem luxuosa -- anunciou ele.

       Seguindo a direo do olhar divertido dele, Mariella riu.

       Fleur, que agora j andava, estava sentada no cho ao lado do priminho de seis
meses, os dois concentrados em alguma troca pessoal, que envolvia vrias risadinhas e
alguns sons barulhentos de Ben.

      -- No ouse fazer uma coisa dessas. No quero de jeito nenhum me separar
desses dois!



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      Com Tanya e Khalid morando perto, as famlias se viam muito, e os dois primos
podiam crescer juntos.

       -- E... Acho que posso ter outro presente para voc -- anunciou ela hesitante, o
jeito que olhou para o filho, informando Omar o que queria dizer.

       -- O qu? Voc disse que devamos esperar.

       -- Eu sei, mas dessa vez a culpa  sua e no minha. Lembra-se no seu
aniversrio, quando voc no quis esperar at...

       -- Humm... -- Ele fez um rpido clculo mental. -- Ento daqui a sete meses...

       -- Acho que sim.

       -- Fico muito feliz, meu amor. E voc?

       -- Estou torcendo para que eu esteja certa -- admitiu ela. -- Bem, de qualquer
forma, qual  o meu presente? Voc ainda no me contou.

       -- Venha comigo -- ele a instruiu, abaixando-se para pegar o filho e entreg-lo
a Mariella antes de pegar Fleur no colo. -- Feche os olhos e segure-se em mim -- disse
ele quando a conduziu atravs do ptio particular para o jardim principal do palcio.

       Mariella sentiu o perfume das rosas antes que ele a permitisse abrir os olhos.
Ento quase perdeu o flego em deleite quando viu o novo jardim que ele mandara
fazer como surpresa especial.

       Um projeto de paisagismo moderno, muito mais suave, fora adotado para o novo
jardim, do que aquele que era o favorito da av de Omar. A disposio lembrava os
jardins da Inglaterra, com uma variedade de plantas tradicionais, mas foi o perfume
maravilhoso das rosas que mais lhe chamou a ateno.

        -- Elas so chamadas Eternidade -- Omar explicou quando ela se inclinou para
tocar as ptalas aveludadas de uma rosa. -- E prometo amar voc por toda a
eternidade, Mariella. E alm dela. Meu amor por voc ... Eterno. Lgrimas de
felicidade banharam os olhos de Mariella quando sorriu para o marido.

       -- E o meu por voc -- sussurrou emocionada.

      Em silncio, eles caminharam abraados pelo jardim, as crianas e as rosas
como testemunhas.

                                          Fim




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